domingo, 12 de julho de 2020

COISA RUIM NÃO MORRE


A imortalidade é um tema recorrente na cultura popular, e ela sempre vem com efeitos colaterais. Porque não morrer nunca não quer dizer levar uma vida boa; a primeira consequência é perder os entes queridos, e de novo, e de novo. "The Old Guard", que acaba de chegar à Netflix, acrescenta um ingrediente perverso à receita: os cinco mercenários imortais de que trata o filme não só são vulneráveis, como sentem a dor de todos os tiros, flechadas e torturas diversas a que são submetidos. Morrem, mas suas feridas se fecham e eles voltam à vida em alguns segundos. Charlize Theron refina a personagem fodona em que vem se especializando nos últimos anos. Sua Andrômaca, a Cita (Andy para os íntimos) é uma presença imponente, cheia de autoridade e sex appeal. Entre os guerreiros há um casal gay que se conheceu durante as Cruzadas, lutando em lados opostos, e uma novata que não tem nem tempo de se despedir da família depois que se descobre imortal. As cenas de luta são assombrosas, mas não há exatamente um impacto emocional - é uma HQ filmada, um gênero que não prima pela complexidade. As locações no Marrocos também não disfarçam o fato de que o orçamento não era estratosférico, dado que uns 90% da ação acontecem em interiores. Mas "The Old Guard" também tem toda a pinta de que, não fosse a pandemia, poderia virar um blockbuster nas salas de cinema. Até que, nesse confinamento interminável, de vez em quando é bom ver um filme grandiloquente. Não aguento mais tanto documentário, tanto drama intimista e, muito menos, tanto diário da quarentena.

5 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    A própria longevidade lá pelas tantas já deve parecer um inferno e ainda não se sabe se é dádiva ou punição.
    Só sei que concordo com "Wittgenstein" o que dá sentido à vida é a morte.

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  2. Quase sexagenário, Tony ainda escreve como um adolescente bem educado em busca da aprovação de seus pares, lançando mão de todos os clichês mentais da moda. À la Bandeira, é aquilo que podia ter sido e que não foi.

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  3. A cena do "Is he your boyfried?" é excelente para um filme de ação.

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