quarta-feira, 8 de julho de 2020

A FORÇA DE UM DESEJO

Desde a tarde de ontem, uma coluna do Hélio Schwartsman publicada pela Folha vem causando reboliço. Usando linguagem elegante e argumentos racionais, o articulista explica porque deseja que o Bozo morra. A lógica é simples: a morte do Biroliro evitaria milhares de outras. A inépcia e o mau-caratismo do presidente já custaram quase 70 mil vidas, e não há sinais de que o avanço da pandemia esteja sequer se estabilizando. Schwartsman ainda acrescentou um "nada pessoal",  algo de que eu não seria capaz - Edaír ameaça a minha própria existência, então minha pinimba com ele também resvala para o lado pessoal. Mesmo com tantos cuidados, a coluna provocou um tsunami de reações contrárias. As mais engraçadas, claro, vieram das hostes birolistas. É de foder de dar risada ver esses apologistas da violência, que se gabam de que até bebês no útero já fazem arminha com as mãos, de repente se melindrarem com um mero desejo de morte. O próprio Bostonazi desejou, repetidas vezes, a morte de Dilma, da petralhada, de FHC, dos gays e por aí afora. Tudo devidamente registrado. 

Mais surpreendente foi ver a reação negativa de vários jornalistas sérios. Alguns alegam que esse tipo de artigo não "constrói pontes", dificulta o diálogo e acaba servindo de munição para o adversário. Concordo em parte. Acho que não há a menor possibilidade de diálogo com os minions mais radicais. São eles que não estão interessados. Além do mais, suas ideias e seus preconceitos precisam ser combatidos sem dó e sem relativizações. Também transcende o ridículo a ameaça de André Mendonça, o ministro capachildo da Justiça, que quer investigar Schwartsman. Vai se ferrar no Supremo, óbvio. Não é crime desejar a morte de ninguém, nem expressar esse desejo. Não é contra a lei. O artigo tampouco incita ao crime. Desejar uma morte e matar não são a mesma coisa.

Aí é que as coisas ficam interessantes. O catolicismo está entranhado no DNA cultural brasileiro, ainda que cada vez menos brasileiros se declarem católicos. Para a Igreja, o simples ato de desejar que alguém morra já é um pecado gravíssimo. Também costumamos poupar os mortos e os doentes de qualquer crítica. Meio que para evitar sofrimento às famílias, meio que por medo de alguma retribuição cósmica. Porque acreditamos no poder do pensamento mágico, da torcida, do mau olhado. Isso talvez seja uma herança mourisca? O fato é que o brasileiro médio acredita em acreditar. A fé que move montanhas. A força de vontade. O pensamento positivo. Ou negativo, como no caso de Hélio Schwartsman. É quase como se ele tivesse aberto uma garrafa proibida, e um gênio maligno agora está solto por aí. Contaminando o debate público e desviando a atenção do que realmente importa: a gigantesca incompetência do Coronaro, os rolos criminosos de sua família e agregados, o desastre econômico, social e sanitário por que passa o Brasil. Ah, quer saber mais? Que morra.

34 comentários:

  1. Como disse Clodovil: "Imagina se eu vou gostar de uma pessoa que não gosta de mim. Eu quero que ela faleça"

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    1. Bruna parafraseando Glee “ bicha a senhora é destruidora mesmo “ kkkkkk

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    2. Clodovil era um nojo de pessoa e certamente apoiaria esse governo.

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  2. Acho o Bolsonarismo nojento, e que ele deve pagar por todos seu crimes de maneira rigorosa. Tendo dito isso, o artigo do Helio Schwartsman é ainda mais nojento. Que sociedade queremos? A do bandido bom é bandido morto? Daquela que deseja aos desafetos a morte despudoradamente em público? Nós, certos de nossas razão, achamos Bolsonaro um genocida, mas quantos com argumentos racionais não vão achar que assim o são Dilma, Lula, FHC... Morte pelo vírus, morte pela fome, morte pela corrupção, morte pela negligência, encontre um pecado e aponto um facínora. Não, não é essa civilização que queremos construir. É legítimo que as pessoas sintam ódio de Bolsonaro. É inevitável que muitos desejam que ele morra. Mas o que fazemos com esse impulso é nossa responsabilidade. Ceder ao desejo pela morte, é uma vitória do Bolsonarismo. Estamos todos fazendo agora arminha com a mão. Ele venceu.

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    1. Ao Anônimo 8 de julho de 2020 11:00

      O filósofo Karl Popper definiu o 'paradoxo da tolerância' em 1945 no volume 1 do livro The Open Society and Its Enemies.

      "A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada mesmo aos intolerantes, e se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante do assalto da intolerância, então, os tolerantes serão destruídos e a tolerância com eles. — Nessa formulação, não insinuo, por exemplo, que devamos sempre suprimir a expressão de filosofias intolerantes; desde que possamos combatê-las com argumentos racionais e mantê-las em xeque frente a opinião pública, suprimi-las seria, certamente, imprudente. Mas devemos-nos reservar o direito de suprimi-las, se necessário, mesmo que pela força; pode ser que eles não estejam preparados para nos encontrar nos níveis dos argumentos racionais, mas comecemos por denunciar todos os argumentos; eles podem proibir seus seguidores de ouvir os argumentos racionais, porque são enganadores, e ensiná-los a responder aos argumentos com punhos e pistolas. Devemos-nos, então, reservar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar o intolerante."

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    2. Toda vez que se coloca valores humanistas acima da bárbarie, vem alguém como "paradoxo da tolerância". Na verdade, são fascistóides em pele de progressistas querendo justificar sua SEDE de SANGUE. Atenção para o REFRÃO: Não existe combate ao fascismo utilizando-se de métodos fascistas. Como combater com o fascismo então? Com democracia, instituições e humanismo. Quando estes falharem, radicalize a democracia.

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    3. Ao Anônimo 8 de julho de 2020 17:03: Quem disse que o combate ao fascismo será feito utilizando-se de métodos fascistas é você. Sua deficiência cognitiva não o permitiu entender o texto. Leia novamente.

      Renato Alves.

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    4. Hitler o Paradoxo e o matador morto antes que mate (seis) Milhões.
      G-

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  3. A galera da geral:

    "Eu ACREDITO!!!"

    "Eu ACREDITO!!!"

    "Eu ACREDITO!!!"


    Resultado final:

    Alemanha 7
    Brasil 1

    Ooops!

    (Porque censurou ontem meu post sobre de quem é a responsabilidade das coisas nesse caso?)

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    1. Mono, a essa altura você já devia ter percebido que eu recuso seus comentários que contêm:

      - paranoia conta a maçonaria

      - apologia aos extraterrestres

      - linguagem de baixíssimo calão

      Não adianta insistir. Beijos.

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    2. Tony Goes.

      Job: Moderador da comentarista Monotemática

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    3. Acho que não... Acho que "vareia"!!!

      E AGORA apologia a extraterrestres é crime também???

      Não sabia!!

      "Interessante".

      E baixíssimo calão é esse PAÍS!!!

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    4. Tony Goes' job: Dona Solange na Democracia's INCARNATED!

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  4. Séculos de lavagem cerebral do catolicismo, e um senso inato de preservação da espécie, me fazem não desejar a morte DELE. Mas que umas 3 semanas na UTI faria um bem enorme pra esse país, isso não duvido mesmo!

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    1. Não se falaria de outra coisa é TODA BOIADA PASSARIA. GUEDES entregaria tudo que sobrou de nossas riquezas Naconais. Retiraria os poucos direitos trabalhistas que ainda restassem
      e o palhaço Jair recuperado voltaria com seu circo distrair a população.
      G-

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    2. Pois ele, ao contrário, se ELEGEU VERBALIZANDO o desejo da SUA MORTE!!

      (Apesar do filho ter uma relação "estranha" com o primo, com cachorrinho "fofo" e tudo mais nas fotos!)

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  5. O Mio Babbino Caro
    Show de escrita: Filosófico, corajoso e divertido

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  6. O amor do excrementíssimo presidente pelos LGBTQIA+ que não sejam o Carluxo.

    Bolsonaro constrangia convidados e dizia que máscara "é coisa de viado"
    https://www.conversaafiada.com.br/brasil/bolsonaro-constrangia-convidados-e-dizia-que-mascara-e-coisa-de-viado

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  7. Agora a pouco a FSP publica artigo do Waingarten criticando o Schwartsman: ou não leu ou não soube interpretar ou está apenas "cumprindo tabela" para o Bozo

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    1. Ou para a própria Folha continuar vendendo seu jornal, inocente.
      G-

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  8. No twitter, o 02 já está em campanha para desmoraliza-lo usando um artigo de 2014 chamado Pedofilofobia.

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  9. Tony o que você acha da moda do Cine Drive?

    Faz tempo que não passo aqui no teu blog. Você fez alguma postagem sobre os Cine Drive que estão rolando em todo País?

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    1. Cine drive in é bom dentro de um descapotável

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    2. Eu detesto. Fui uma única vez, noa anos 80, e odiei. Para ver um filme do Fassbinder, o menos recomendado para um drive-in... Desconfortável, som ruim, luzes externas atrapalhando.

      Agora os cines drive-in voltaram, mas só irei se for obrigado. Pagar caríssimo para ver um filme antigo da maneira mais tosca possível? Tô fuera.

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    3. Ah! Mas Fassbinder num drive-in é uma consagração.
      Fala aí qual era o filme:Querelle ou as 15hs de Berlim Alexanderplstz.
      G-

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    4. "Lili Marlene", se não me falha a memória.

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  10. não vejo nada de errado na ideia do artigo, mas é meio click bait.

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    1. E o problema de ser click bait é que...

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    2. É que é click bait como vc bem sabe

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  11. Complicado para mim,olha que eu tive uma criação católica,meu pai é português e minha mãe descendentes de iralianos,sempre foram bem fervorosos e me ensinaram a não desejar mal ao próximo e sempre pensei que o melhor seria simplesmente afasta-lo do poder e prende-lo caso sejam comprovados crimes,mas vendo a desumanidade e todo o ódio que ele sente seja por quem pensa diferente,difícil resistir a tentação de não querer que ele morra,ele não contribui com nada de bom para o país estando vivo

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  12. Eu vejo sempre gente comparando os petralhas ao bolsominions,no estilo de militância ambos são fanáticos e agridem qualquer um que não seja do time deles,mas o Lula como pessoa não é tão desumano como o Bolsonaro,nem tão frio,eu nao gosto PT mas pela militância cega de muitos do que pelo próprio Lula,já o.Bolso é igualzinho aos seus minions,tão psicopata quanto eles

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  13. Não vamos combatê-los nos tornando iguais a eles, assumindo a narrativa deles.
    Seguindo essa narrativa, os oprimidos de hoje se tornam os opressores de amanhã.
    Quero ver esse governo fora mas definitivamente não fazendo o que eles fazem nem tão pouco sendo como eles são.

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  14. Não vamos combatê-los nos tornando iguais a eles, assumindo a narrativa deles.
    Seguindo essa narrativa, os oprimidos de hoje se tornam os opressores de amanhã.
    Quero ver esse governo fora mas definitivamente não fazendo o que eles fazem nem tão pouco sendo como eles são.
    Eu particularmente não desejo que alguém mate o Bolsonaro,nem que a oposição se torne tão boçal como ele,só acho que se ele morrer de COVID não fará falta,já que é totalmente desumano,graças a ele muitos morrem de COVID,ele não combate a pandemia

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