sexta-feira, 29 de maio de 2020

JAZZ VAI TARDE


Não consigo gostar de jazz. Fui criado a leite de Madonna, apesar  dos standards americanos também terem feito parte da minha dieta. Mas o jazz pós-1950, de Charlie Parker e Miles Davis, é algo que eu não aguento por muito tempo. Até acho cool e admiro o talento dos músicos, mas tem aquela hora em que cada um parece ir para um lado, e aí não dá. Mesmo assim, eu estava bem curioso para ver "The Eddy", a série da Netflix ambientada em um clube de jazz em Paris. O pedigree é vistoso: Damien Chazelle, o cineasta de "La La Land", dirigiu os dois primeiros episódios e é o produtor-executivo. Mas a verdadeira força criativa por trás de "The Eddy" é o roteirista inglês Jack Thorne, e é justamente o roteiro o ponto fraco do programa. O protagonista Elliott (André Holland), o dono americano do clube, é incompetente em tudo o que faz, a ponto de não conseguir comprar café numa máquina sem derramar tudo. Os demais personagens também não são dos mais atraentes, e a única realmente viva é a adolescente Julie (Amandla Stenberg) - e olha que ela é uma pentelha como todas as garotas de sua idade. O mais interessante de todos é assassinado logo no primeiro capítulo, e o segundo simplesmente ignora esse crime, que só é retomado do terceiro em diante. No final, o que mais se salva é o jazz: as canções são quase todas originais, e a voz da polonesa Joann Kulig ("Guerra Fria") é mesmo uma delícia. Já baixei o álbum, mas chegar ao fim da série foi penoso como ouvir uma jam freestyle infinita.

5 comentários:

  1. Oi, querido. É André Holland o nome do ator protagonista. Beijo.

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  2. O Mio Babbino Caro
    Noossa Tony Jazz é a unica música onde vc consegue ouvir o melhor de todas as músicas...Além disso não haveria elegância em nossos dias sem
    Kind of Blue.

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  3. Sempre fui massacrado por não aguentar jazz por muito tempo. Acho que os músicos se divertem mais tocando do que o público ouvindo. Aquelas improvisações que não terminam e que são uma batalha de egos. Fica chic falar que gosta ou entende, assim como ópera, música eletro-acústica ou dodecafonica. Chato pacarai.

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  4. Meu prazo de validade pra jazz vence muito rápido também. N.

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