quinta-feira, 30 de abril de 2020

FALSO E POSITIVO

Edaír Biroliro tinha até hoje para entregar os resultados de seus exames à Justiça, depois que o Estadão entrou com um processo. Não cumpriu a ordem judicial. A Advocacia Geral da União apresentou apenas um relatório médico, jurando que os dois testes feitos por Coronaro deram negativo. A juíza federal Ana Lúcia Petri Betto não aceitou, e deu mais 48 horas para que esses exames apareçam. Mas agora é mera formalidade: já está beyond óbvio que Bolsovírus e Micheque voltaram infectados dos Estados Unidos no começo de março, junto com 24 outros membros da comitiva. Reparou que a senhora Bozo ficou um mês sem dar as caras? Se o Despreparado já sabia que estava contaminado quando foi se esfregar no gado no dia 15 de março, então ele cometeu um crime. Mais um. "Ãin, mas nada pega nele, a popularidade não cai, tá todo mundo apático". Ahã. Espera só os três meses de ajuda emergencial acabarem. O número de mortes já está explodindo, o Moro se fué, o "e daí" pegou mal pacas e não há hashtag falsa do Carluxo que consiga dar conta. Não há um só remédio em toda a medicina.

ESTRELAS MUDAM DE LUGAR

Alguns anos atrás, depois de sofrer um baque profissional, eu fiquei obcecado por horóscopos. Passei a ler uns quatro diferentes por dia, na esperança de que os astros me informassem de antemão quando eu receberia uma proposta milionária. Até descobri uma astróloga que acertava mais que os outros, mas fui me desapontando aos poucos. Primeiro, porque Júpiter entrou em Libra em setembro de 2016, e eu deveria ter ficado milionário naquela época. Não fiquei. Agora não acredito em mais nada. A razão é simples: como é que a Susan Miller e seus colegas não anteciparam a pandemia? As previsões de ano novo falavam em terremotos, inundações, turbulências econômicas e mortes de celebridades - tudo aquilo que todo ano tem. Nenhuma dizia que um novo vírus surgiria de uma hora para a outra e afetaria TODOS os signos, sem exceção. Como é que um evento global desses não aparece escrito nas estrelas? Olha, para mim, já deu.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

A ESCOLINHA DO PROFESSOR IMUNDO


Um dos melhores filmes que eu vi durante a quarentena é esta produção original da HBO, baseada num caso real. Hugh Jackman e Allison Janney estão sensacionais como os diretores de um distrito escolar em Long Island que, no começo deste século, desviavam dinheiro público para luxos pessoais como reformas e viagens. A maracutaia foi descoberta por uma jovem repórter do jornalzinho de um dos colégios, e repercutiu no país inteiro. Há algumas surpresinhas no roteiro, que eu não vou contar aqui só para deixar meus seguimores com mais vontade de ver. Vejam!

RAMAGEM DA LEI

Existe confissão de culpa maior do que indicar um amigo da família para o comando da Polícia Federal? O próprio Pandemito já repetiu várias vezes que quer um superintendente com quem ele possa "interagir", i.e. saber a quantas andam as investigações sobre seus filhos. A coisa é tão óbvia que, se o Supremo não fizesse nada, estaria com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela. Mas a indicação de Alexandre Ramagem foi suspensa, assim como a de Lula para a Casa Civil de Dilma quatro anos atrás. Junto com a vitória da Thelma no BBB 20, é um sinal de que o Brasil tem jeito?

terça-feira, 28 de abril de 2020

E DAÍ?

E daí que Biroliro é burro mesmo, como diz Paulina de la Mora na série "La Casa de las Flores". Como é que ele não percebe que suas declarações ofensivas vão repercutir nos telejornais, virar memes nas redes sociais e se voltar contra ele na propaganda eleitoral de seus adversários? Isto, na cada vez mais remota hipótese do imbecil chegar a 2022. Coronaro é o maior inimigo de si mesmo, e cava a própria cova mais rápido do que as escavadeiras de Manaus. A pandemia está prestes a atingir níveis ítalo-espanhóis no Brasil, e daí que não vai ter auxílio de 600 reais, apoio do Centrão ou Gabinete do Ódio que dê conta do derretimento da popularidade do Pandemito. Um mentecapto que não sente a menor empatia por ninguém, que só pensa no filé mignon de sua familícia e que não tem a mínima competência para tocar uma vendinha, quanto mais governar um país. Lamento, quer que faça o quê?

QUARENQUEENS

Dois amigos diferentes me enviaram o vídeo acima, talvez achando que eu levo jeito para drag queen. Não tenho cojones para tanto, mas aprecio a arte e divulgo com prazer esta bela iniciativa. São vinte e cinco divas de cinco países distintos dublando "We'll Meet Again", sucesso de Vera Lynn, a maior cantora britânica da era pré-Beatles. O objetivo é arrecadar três mil libras para a ONG Age UK. Falta pouco: quem puder contribuir, clique aqui. E um dia nos encontraremos de novo.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

METRALHADORA À QUEIMA-ROUPA


Não sou muito chegado a filmes de ação, mas a quarentena me empurrou para os braços de Chris Hemsworth. E não é que eu gostei? Nem tanto do ator, que não é muito meu tipo, mas de "Resgate", um thriller acima da média. O cenário exótico contribui: boa parte da ação se passa em Daca, a capital de Bangladesh. Mas o melhor é mesmo a direção do ex-dublê Sam Hargrave. Há uma cena de luta em uma rua imunda e congestionada que é tirar o fôlego, com os tuk-tuks quase passando por cima dos adversários. Também há muita violência, com tiros de metralhadora disparados a queima-roupa, nariz quebrado, dedo decepado e assim por diante. Foi catártico, meu.

SENHORAS QUE ALMOÇAM

Entre os milhões de lives deste domingo, a mais chique de todas foi o tributo aos 90 anos de Stephen Sondheim. O maior compositor vivo da Broadway não tem hits tão manjados quanto seu "rival" Andrew Lloyd Weber, mas desfruta de um prestígio muito maior. Sua obra é, às vezes, até meio inacessível, mas sempre sofisticada. Não foi por outra razão que os maiores nomes do teatro americano se reuniram, cada um em sua casa, para prestar a homenagem a Sondheim. Só que, quando você deixa um monte de senior citizens às voltas com a tecnologia, costuma dar merda. E deu. Marcada para as nove da noite, horário de Brasília, a live começou com quarenta minutos de atraso. Depois de um único número, apareceu o anfitrião Raúl Esparza, que falou por alguns minutos sem se dar conta de que estava sem microfone. Quando percebeu, tiraram tudo do ar, sem maiores explicações. A coisa só recomeçou às onze da noite, mas eu tive a sorte de ligar o YouTube no momento certo. Peguei Christine Baranski, Meryl Streep e Audra McDonald cantando "Ladies Who Lunch", do musical "Company", e tomando uns bons drink. Melhor do que qualquer uma das trocentas performances do "Together at Home" da semana passada. Lounging in their caftans and planning a brunch...

domingo, 26 de abril de 2020

AS MÁS INFLUENCERS

Nunca entendi o sucesso da Gabriela Pugliesi. Sem jamais ter se formado em educação física ou nutrição, ela se tornou a musa fitness que mais fatura no Brasil. Beleza: quem quiser seguir os conselhos de uma não-profissional, está livre para estragar o próprio corpo. Mas o pior é mesmo quando esses influenciadores saem de suas supostas áreas de expertise. A vida é um reality show para eles, e sentem a compulsão de exibir a própria intimidade no YouTube. Acabam se expondo demais, claro. Pugliesi, recém-recuperada da Covid-19, achou que seria ótima ideia transmitir ao vivo a festinha que deu neste sábado, e ainda soltou um "foda-se a vida" em frente às câmeras. Como esse povo não lê jornal, talvez não saiba que tem gente morrendo por falta de respirador. Estamos todos loucos para enfiar o pé na jaca, mas não é hora de fuzarca - e, muito menos, de exibi-la ao vivo para todo o país, incentivando os influenciados a fazer igual. Já basta aquele sociopata que temos no Planalto.

sábado, 25 de abril de 2020

POR FAVOR, PARE AGORA


Não existe comédia romântica mediana. Ou elas são sensacionais, com atores apaixonantes e piadas memoráveis, ou são um desastre. "Um Amor, Mil Casamentos", infelizmente, se encaixa nesta última categoria. O filme é um dos mais badalados da Netflix no momento, mas não cumpre o que promete. A sinopse lembra "Corra, Lola, Corra" e explora aquela ideia popular de que basta um esbarrão para o destino dar um giro de 180 graus. Numa festa de casamento, os lugares marcados em uma mesa são trocados por crianças; o novo arranjo garante um desfecho diferente para os dramas miúdos que se cruzam ali. Mas as milhares de possibilidades sugeridas pelo título brasileiro são, na verdade, apenas duas: uma onde tudo dá errado, e outra com final feliz. Nada disso seria grave se o longa tivesse timing. Não tem. Falha da direção, da montagem, do roteiro? Aqui tem culpa todo mundo.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

O FLUXO DA INCONSCIÊNCIA

Que discurso foi esse, caralho?  Biroliro nunca foi bom de pronunciamentos, mas o de hoje foi o mais patético de todos. Sem foco, sem estrutura, sem um pingo de grandeza. O Despreparado mostrou que guarda mágoas para sempre: começou lembrando que, em 2017, cruzou com Moro no aeroporto de Brasília, e foi praticamente ignorado pelo então juiz. Depois prosseguiu a esmo, freestylin', dando vazão aos fantasmas que assombram sua (in)consciência. Lembrou, um por um, de quase todos os escândalos em que está envolvido, sem que ninguém lhe tivesse perguntado: rachadinha, Queiroz, cheque na conta da Micheque, o assassinato de Marielle Franco. Queixou-se de Moro perder mais tempo tentando achar os assassinos de Marielle do que os mandantes da facada, esquecendo-se que o caso da vereadora carioca está com a Polícia Civil do Rio e que o caso de Adélio Pinto está resolvido e encerrado. Mostrou que esperava que Moro agisse como seu advogado pessoal, defendendo a familícia de todas as acusações. Mentiu que Maurício Valeixo queria sair. Usou a palavra "cristons". Usou a palavra "escrotizar", inédita em discursos do presidente da República. Alegou ter desligado o aquecimento da piscina do Alvorada, ignorando que os gastos com o cartão de crédito presidencial são estratosféricos. Uma cachoeira de chorume.

O entorno do Pandemito estava engraçado. Para começar, o que fazia lá o Hélio Negão? O cara é deputado federal e não tem cargo nenhum no Executivo. Só cumpria as vezes de papagaio de pirata, como sempre, para haver algum negro no entorno presidencial. Já o Paulo Guedes foi de máscara, sem paletó e SEM SAPATOS - o cara está mesmo na paúra de pegar o coronavírus. Também foi divertido ver o Nelson Teich, lá pelas tantas, ir se escondendo de mansinho atrás do Ernesto Araújo, na vã esperança de não sair na foto. Foi um vexame e uma palhaçada. Mas o melhor ainda está por vir: Moro guardou TODOS os áudios que Coronaro lhe mandou neste tempo em que ficou no governo. Ouviremos o ex-presidente em exercício dizer que quer interferir na PF, em alto e bom som.

(Ah, em tempo: tem um bolsominion que me manda longos comentários defendendo o Bozo. Eu nem leio até o fim, e excluo na hora. Ele que vá cagar merda em outra freguesia. Ontem o bezerro me enviou um com a narrativa que vigorava na minionsfera, acusando a imprensa de inventar fake news sobre a possível saída de Moro. Hoje ele nem se manifestou... Tá tudo bem, sumido?)

SAI MORO, ENTRA MOURÃO

Biroliro cometeu o maior erro político de sua carreira. Achou que Sergio Moro enfiaria mais uma vez o rabo entre as pernas e aceitaria a troca do comando da Polícia Federal. Na verdade, todo mundo achou: nas redes sociais, era quase consenso que o Conje iria passar um pano épico para mais essa interferência do Pandemito em suas atribuições. Mas a exoneração de Mauricio Valeixo, publicada na calada da noite no Diário Oficial, piorou o clima. Moro se ofendeu, e caiu atirando. O ex-ministro da Justiça fez acusações gravíssimas: Bozo cometeu pelo menos três crimes de responsabilidade. Três sólidas razões para o impeachment.

O que acontece agora? Um cenário plausível que brota na minha cabeça começa com a renúncia, forçada pelos militares. As Forças Armadas viram no Despreparado a chance de se redimirem aos olhos de parte da população. Voltaram ao poder pelo voto, e queriam fazer um governo que ofuscasse os desmandos da ditadura. Agora que estão lá, finalmente perceberam que Coronaro é um porra-louca indigno de confiança, para não dizer um criminoso. Quer dizer, já sabiam disso há muito tempo, mas pensaram que poderiam controlá-lo enquanto houvesse bastante apoio popular. Esse apoio vai se desfazer feito um meteoro penetrando na atmosfera terrestre, depois que o ministro mais popular e de maior credibilidade revelou com todas as letras que há uma gangue instalada no Planalto. Para os milicos, o melhor é que Boçalnaro saia de cena o quanto antes, levando com ele a familícia, o Gabinete do Ódio e os ministros olavistas. Só o gado mais radical irá reclamar. Hamilton Mourão assume, e a vida continua.

Mas continua mal. Militares não sabem governar. Na última vez que mandaram no país, destruíram a economia e deixaram um legado de hiperinflação. O ridículo plano Pró-Brasil, anunciado à revelia de Paulo Guedes, é um sinal da inépcia dos caras para lidar com números. O melhor que poderia acontecer é o Brasil sair vivo, ainda que machucado, desse suposto governo Mourão, que duraria menos de três anos. E se preparar para o que vem por aí em 2022: as candidaturas presidenciais de João Doria, de Dudu Bananinha e do próprio Sergio Moro.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

OS X-MEN NO DISTRITO 9


Confinado em casa há mais de um mês e privado do prazer de ir ao cinema, acabo vendo filmes que eu normalmente evitaria. Foi o caso de "Code 9 - Renegados", um dos sucessos do momento na Netflix. É meio que um longa de super-herói virado do avesso. Numa cidade imaginária no fuguro próximo, uma minoria da população nasce com superpoderes. Tem habilidades elétricas, pirotécnicas, congelantes e até mesmo curativas. Mas não snao paladinos da Justiça nem bem-quistos pelas autoridades: na verdade, precisam de uma caríssima autorização especial para exercer suas capacidades especiais, e alguns acabam caindo na clandestinidade. Interessante, não? Mas o resultado final não passa de uma mistura dos mutantes da franquia "X-Men" com aquele filme sul-africano de ficção-científica,"Distrito 9", que era uma metáfora do apartheid. Enfim, qualquer coisa que nos distraia do coronavírus.

CAMARADA MORO

Sergio Moro criou culhões? Cansou de ser mulher de malandro? O ministro da Justiça avisou que sai se Biroliro trocar mesmo o chefe da Polícia Federal. Acontece que não é a primeira vez que ambos fazem tais gestos. Pandemito pode muito bem estar soltando mais um balão de ensaio, para testar a reação das redes sociais. O curioso é que, até agora, o gado não mugiu. Só os não-minions estão brincando que Moro agora é comunista. Na extrema-direita, surge a narrativa de que tudo não passa de fake news, o que pode colar se o Conje não for embora. Mas não é de hoje que Coronaro gostaria de vê-lo pelas costas. Além de segurar as investigações contra seus filhos, agora também quer agradar ao Centrão, que vê no ex-juiz seu inimigo número um. Só que é arriscadíssimo chutar um dos pilares de seu governo em plena pandemia. O Bozo estaria escancarando que não está nem aí para o combate à corrupção, e liberando um de seus maiores rivais em potencial para começar desde já sua campanha à Presidência. Resta saber o que Moro de fato quer. O Alvorada? O STF? Ricardo Noblat e Reinaldo Azevedo apontam-no como a  verdadeira ameaça à democracia brasileira. É tentador pensar que ele arruinaria os planos de reeleição do Bostonazi, mas apavorante imaginar no que ele poderia se tornar.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

ZOOM OU ZOIS

Hoje eu recebi um simpático e-mail me cobrando dois mil dólares em bitcoin, se eu não quisesse que um vídeo onde apareço me masturbando fosse divulgado por aí. Para provar que falava sério, o chantagista mostrou que sabia a senha do wifi da minha casa. Só isto. Nem mesmo meu nome ou gênero são do conhecimento do meliante. Arquivei o e-mail, mas fiquei pensando: como que o cara descobriu essa senha? Minha suspeita recaiu imeidatamente sobre o Zoom e o Houseparty, os aplicativos de videoconferência que viraram carne de vaca nessa quarentena. O segundo deles, eu só usei uma vez. Quando tentei usar de novo, meu Mac se recusou a abri-lo, por questões de segurança. Joguei o troço fora e agora só uso o Zoom, mas com dois pés atrás - a fama dele tampouco é das melhores. Mas é o que temos para o momento, e o app está se imiscuindo de tal maneira em nossas vidas que já tem até videoclipe gravado com ele. E é bom!

MAMATA RELOADED

A minionzada adora repetir que "acabou a mamata" e que agora temos um presidente "que não rouba". É o que dá se fiar só nos grupos do WhatsApp, onde notícias sobre Adriano da Nóbrega, o laranjal do PSL ou o esquemão do Wejngarten custam a entrar. Mas quero só ver como o gado vai justificar o súbito apoio de Roberto Jefferson ao Pandemito. O presidente do PTB é nada menos do que um ex-presidiário: cumpriu pena por seu envolvimento no escândalo do mensalão, que quase derrubou o governo Lula. Convém lembrar que Jefferson tampouco é um aliado confiável. Foi ele quem denunciou o esquema do mensalão, quando viu seus interesses prejudicados. É curioso que um sujeito desconfiado como Bozo se alie a esta figura espúria - talvez seja burrice mesmo.

Jefferson está de olho nuns carguinhos de segundo escalão para seu partido insignificante. Também quer dar uma turbinada na candidatura de sua filha, Cristiane Brasil, à prefeitura do Rio de Janeiro. Para quem não está ligando o nome à p'ssoa: Cristiane é aquela ex-deputada federal que não conseguiu assumir o ministério do Trabalho no começo de 2018, quando surgiram muitas denúncias contra ela. A gênia ainda ajudou a se enterrar divulgando aquele famoso vídeo gravado num iate em Angra dos Reis, onde aparece de maiô cercada por gogo boys da terceira idade. Eis o naipe dos novos aliados do Pandemito, aquele que, domingo passado, bradou (e tossiu) que não iria negociar com ninguém. Cof, cof.

terça-feira, 21 de abril de 2020

DISFARÇANDO AS TRANSPARÊNCIAS

Os apoiadores não-radicais do Pandemito costumam tecer uma crítica pontual a ele. Biroliro seria "ruim de comunicação". Seu jeito rude de macho agreste não conseguiria traduzir em português castiço as ideias simples, porém eficazes, que brotam de sua cabeça feito água de mina. Quem sabe se, com um marqueteiro, essas pérolas não ganhariam forma?


Até parece que o Despreparado irá ouvir um marqueteiro que não se chame Carluxo, mas não é este o meu ponto. Coronaro é, assim como Hitler, um comunicador prodígioso. Não é um orador no sentido parnasiano, mas sabe transmitir com precisão exatamente o que está pensando. Digo mais: ele é transparente, a ponto de ser mau ator. Não consegue dissimular o que deveras sente. Não convence quando mente. Feito um cachorro que não controla o rabo abanando, o Bozo sempre demonstra o que se passa dentro dele, e se deu bem com isto. Foi sua língua sem freios que lhe deu rendeu notoriedade e adeptos. Se um dia ele fala uma coisa e no dia seguinte seu contrário, isto não siginifica que mudou de ideia ou que esteja confuso. Fica patente que o recuo é tático, ou até que ele está sendo obrigado por forças mais ou menos ocultas a dizer que não queria dizer o que de fato disse, mas que todo mundo sabe que era isso mesmo.

As declarações de ontem, no cercadinho do Alvorada, só têm uma função: acalmar os tais apoiadores não-radicais, que compraram o discurso anti-PT e anticorrupção, mas não queriam exatamente uma ditadura de extrema-direita. Assim como precisa manter os minions inflamados - e isto ele fez na tarde de domingo - Boçalnaro têm que sossegar os comentaristas da CNN Brasil com palavras menos abusadas. Mas não, não é só o jeitão tosco dele: o cara é de fato o horror que parece ser. O que ele diz é o que ele é, e vice-versa, e versa-vice.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

IT TASTES KINDA WEIRD

Como será a tão aguardada continuação de "Me Chame pelo Seu Nome"? Se o roteiro for baseado no livre "Find Me", muitos fãs irão se desapontar. Mas, para eles, já existe este trailer fake, escrito e interpretado pelo comediante americano Benito Skinner. Incrível como este filme continua rendendo frutos (pêssegos?).

COVARD-17

Rodrigo Maia (DEM-RJ) está sendo covarde? O presidente da Câmara correu ao Twitter ontem à noite, para desmentir que estaria participando de uma reunião de emergência com outros figurões. Ou seja: admitiu que não estava fazendo nada em reação ao último despautério do Pandemito, além da protocolar nota de repúdio. Quero crer que ele esteja sendo apenas cauteloso, e que conversas sérias estejam mesmo rolando nos bastidores. Veremos.

Xico Graziano, Danilo Gentilli e outros que apoiaram Coronaro estão sendo covardes? Todos soltaram tuítes de repúdio ao longo do domingo. Estão arrependidos. Merecem pedradas? Dá vontade, né, minha filha, mas precisam ser aplaudidos por finalmente terem visto a luz. Tratá-los mal nesta hora irá incentivar os futuros ex-minions a ficar no armário quando virarem casaca.

Biroliro está sendo covarde? Bidu. A coragem jamais foi apanágio do Despreparado. Ele se faz de valente na frente do gado, então afina o discurso e jura que não foi nada disso. Depois de tossir descontroladamente na manifestação de ontem e aspergir perdigotos sobre a aglomeração ao seu redor, hoje ele já disse que defende que o Congresso e o STF permaneçam abertos, como se um presidente da República precisasse dar esse tipo de garantia. Ontem o Bozo deve ter levado mais um pito de seus superiores, e se assustado com a perda de súbita apoio nas redes sociais. Está, literalmente, tremendo de medo.

Covardes também são seus seguidores: preferem a explicação rasteira, sem nuances, e só estão preocupados com os próprios privilégios. Os covardes-17 (ainda presos ao PSL, já que a Aliança pelo Brasil não rolou) fazem buzinaço em frente a hospitais onde tem gente morrendo de covid-19, batem em mulher, gritam "paiê" quando vão presos. Vão ser tragados pelo vírus, e também pela história.

domingo, 19 de abril de 2020

JUNTOS EM CASA

Foi engraçado acompanhar ontem o festival "One World: Together at Home" em duas telas ao mesmo tempo. Na TV, artistas famosos e desconhecidos se sucediam em performances caseiras, quase todas com cara de terem sido pré-gravadas. Na internet, a brasileirada reclamava: mas não é live! Não tem cerveja! Não tem palavrão! Cadê o Wesley Safadão? Uma música mais chata que a outra!! É verdade que o repertório apresentado tendia mesmo para o deprê. Acontece que o clima nos Estados Unidos, para onde o mega-evento organizado por Lady Gaga era direcionado, não está dos mais festivos. Vamos ver se, daqui a um mês, ainda estaremos a fim de ver sertanejo enfiando o pé na jaca e falando merda.

A primeira parte foi mais internacional e mais variada. Teve até Anira dando adeusinho num inglês impecável. Meu número favorito foi Annie Lennox oversinging "There Must Be An Angel" com sua linda filha Lola, que já tem 30 anos - eu lembro quando Annie estava grávida... A segunda parte teve só duas horas, muitos intervalos comerciais e muita falação. Michelle Obama podia ter tirado o moletom de ficar em casa para falar com o mundo inteiro, vocês não acham? Meu  momento favorito foi Jennifer Lopez tendo a audácia de encarar "People", da Barbra Streisand. Mas nada divertiu mais do que Charlie Watts batucando o ar. Como assim, o baterista dos Rolling Stones não tem uma bateria em casa? No frigir dos ovos. "Together at Home" não deixou ninguém muito entusiasmado mas foi legal a gente estar junto na mesma vibe por algumas horas.

sábado, 18 de abril de 2020

A NOIVA DE FRANKENSTEICH

O Gabinete do Ódio está trabalhando a todo vapor. Ontem, no esforço desesperado de desviar a atenção da impopular demissão do Mandetta, Carluxo e suas carluxetes subiram a hashtag #ForaMaia. Chegaram a mais de um milhão de menções no Twitter, mas foram derrubados no final da tarde - estava óbvio que havia um pouco demais de robôs e contas falsas envolvidas. Hoje inventaram um #FolhaLixo, por causa do assunto do blog #Hashtag. Essa coluna online só compila os memes que estão bombando na internet, sem emitir nenhum juízo de valor. Nesta sexta, um dos que bombaram era a comparação entre Nelson Teich e Frankenstein. Algo que rolaria fosse lá de qual governo fosse o novo ministro da Saúde, veja bem. Mas os minions morderam a isca, porque a) tem a cútis delicada e acham que o mundo conspira contra eles e b) não leem jornal nem se informam pela imprensa profissional, só pelas redes sociais. Teve até um crítico de cinema - cujo nome não revelarei - que se indignou com este "covarde ataque" da Folha à aparência do Teich. Essa gente é a mesma que ria do olho caído do Nestor Cerveró, claro. Eles funcionam como a noiva do monstrão do Alvorada, formando com ele uma dupla espúria. Não vamos nos intimidar: já são bem poucos, e ficam um pouco menores a cada dia.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

A ÓPERA DE WAGNER


Hoje eu fiz minha estreia no caderno Mundo da Folha de S. Paulo, com uma crítica ao filme "Sergio". Como muita gente, eu mal tinha ouvido falar do diplomata brasileiro até ele ser morto num atentado terrorista em Bagdá, em 2003, no comecinho da Guerra do Iraque. Também não sabia muito de sua história até ver o longa, que tem o próprio Wagner Moura como um de seus produtores. "Sergio" não é filme para Oscar, mas virou um biscoito finíssimo nesta seca cinematográfica que estamos atravessando. E mostra que, depois de Rodrigo Santoro, também Wagner Moura está se firmando no cenário internacional. Fora que ele está batendo um bolão, mais sarado e definido do que nunca.

FRANKENSTEICH

As redes sociais estão se esbaldando com o novo ministro da Saúde. A aparência e o nome de Nelson Teich, de fato, se prestam a comparações com Frankenstein. Mas o verdadeiro monstro, claro, é Mijair Biroliro. Ontem e hoje, ele apareceu com cara de quem saiu de uma rave de 72 horas e foi direto para o trabalho, sem tomar banho. O cara já dorme mal faz anos; agora, então, deve passar a noite vagando pelos corredores do Alvorada, vendo todos aqueles livros que ele não sabe para que servem. Pandemito tem uma ótima razão para sofrer de insônia: ele suspeita que seu poder irá se esvair quando a recessão bater. Na prática, será até pior do que ele espera, pois ainda acha que o número de mortes pela Covid-19 já está "despencando". Quem está caindo é sua autoridade e sua chance de reeleição. Ninguém quer um morto-vivo na presidência da República.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

OSMAR TERRA PLANA

Reparou como o Pandemito estava abaitdo no discurso que fez na posse de Nelson Teich? Olhar perdido, expresão cansada, voz de saco cheio. Meu palpite: ele ficou chateadíssimo por ter que escolher um médico para o cargo. Seu coração devia estar torcendo para um negacionista como Osmar Terra. O ex-ministro da Cidadania é um sicofanta de marca maior: sua mulher foi torturada por Brilhante Ulstra, e mesmo assim ele topou fazer parte do governo Biroliro. Na crise atual, Terra achou que teria chance de voltar ao ministério se puxasse o saco da familícia. O áudio que mandou ao Zero-Um é constrangedor: de onde ele tirou que os casos de Covid-19 estão despencando? O cara parece aquelas putas que dizem que nunca viram um pau tão grande, só para agradar ao cliente. Osmar Terra sai minúsculo desse imbróglio, ainda mais depois que foi apontado como o parlamentar que mais difunde fake news. Good riddance, digo eu. Que a terra lhe seja pesada. No entanto, há o que lamentar no fato dele não ter conseguido o que queria. Se virasse mesmo ministro da Saúde, a hecatombe seria tão grande que Coronaro poderia ser soprado para fora do cargo. Fuuuuuu.

A MÁSCARA CAIU

Mijair Biroliro pode ter cometido hoje o maior dos muitos erros de seus 16 meses de governo. A substituição do ministro da Saúde em plena pandemia tem o potencial de elevar ainda mais o número de mortos pela Covid-19, que já sabemos que é subnotificado. Um desastre de proporções bíblicas nos aguarda, se Nelson Teich - que eu ainda não sei que apito toca - se curvar aos desvarios do Despreparado. A demissão de Luiz Henrique Mandetta também é um tiro no pé nas pretensões elitoreirias do Pandemito. Em menos de dois meses sob os holofotes, o agora ex-ministro angariou confiança, credibilidade e popularidade, e está sendo preparado por seu partido, o DEM, para disputar a Presidência em 2022. De fato, dessa vez o Burraldo se superou: não só criou uma crise do nada, o que é sua especialidade, como transformou um aliado em um  rival considerável. Aqui na minha rua, o panelaço já começou.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

JANEIRO EM ABRIL

De três anos para cá, comecei a ouvir mais cantores portugueses. Primeiro foi o Salvador Sobral, que venceu o Eurovision de 2017. Depois, pela ordem, vieram Diogo Piçarra, Dino d'Santiago, Profjam. Só neste mês de abril, já descobri mais dois. O primeiro foi Pedro Mafama, de quem já falei aqui no blog. Mas meu novo crush chama-se simplesmente Janeiro, o nome artístico de Henrique Janeiro - o que não facilita nada as pesquisas no Google (pelo menos, é melhor do que um cantor suíço chamado K). O gajo tem apenas 24 anos e já é dono de uma obra considerável. Quase toda semana, lança uma nova faixa ou um vídeo no YouTube. Alguns são bem experimentais, como "Are You Afraid????". logo abaixo. Outros, como "Ya, Td Bem", aí em cima, são aquela combinação sublime de bossa nova com música eletrônica que praticamente inexiste no Brasil.

Aliás, alguma alma caridosa poderia me indicar quem faz boa música eletrônica por aqui? O Silva, quando surgiu, parecia que ia por esse caminho, mas lá veio o Brasil descendo a ladeira e o cooptou de volta para o samba acústico. Quem se parece com Janeiro no Rio de Janeiro e alhures? Não vale dizer Tiago Iorc.

terça-feira, 14 de abril de 2020

TG NOS TT'S

Nesta terça, pela primeira vez em minha longa carreira, frequentei os trending topics do Twitter. Galguei a um honroso 26o lugar entre os assuntos do momento em São Paulo, com quase dois mil internautas falando de mim. Mal, é claro: o gatilho foi minha coluna de ontem no F5, em que eu comentava a bebedeira desenfreada que os sertanejos promovem em suas lives. O texto também falava no dinheiro e nos equipamentos arrecadados por estas performances, mas em vão.  A imensa maioria não lê mesmo e só reage ao título da matéria. Fui espinafrado no Twitter, no Facebook, no Instagram e até aqui no blog. Bloqueei um monte de gente, quase todos minions assumidos. Também ganhei uma centena de novos seguidores em todas as redes, e vários elogios. Isso mais do que compensa os ataques. O gado nem desconfia, mas surra de tuíte não dói.

AQUELE LÁ DE BIGODÃO

O quinto episódio da terceira temporada de "Westworld", exibido neste domingo pela HBO, abre com uma breve recapitulação da trajetória de Serac, vivido por Vincent Cassel. Vemos um pouco da infância traumática do personagem e, a partir de 1'40" no vídeo acima, uma amostra de seu poder atual. Os produtores da série quiseram aproveitar o fato de Cassel ter passado muito tempo no Brasil e falar português fluentemente, e puseram Seurac conversando com o presidente brasileiro no ano de 2032. Pena que a produção, sempre tão esmerada, teve preguiça de encontrar um ator brasileiro, e escalaram um latino pouco convincente, que não sabe falar nossa língua. Também é ridículo o prato de frutas na mesinha, com um melão aberto, ou a mosca que insiste em atrapalhar a negociação. Serac termina ameaçando o presidente, dizendo que irá substituí-lo por um general - "aquele lá de bigodão". O mais triste é constatar que esse ator latino que não fala português, ou mesmo aquele lá de bigodão, seriam melhores na Presidência da República do que Mijair Biroliro, o Despreparado.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

MEU BEM-TE-VI SONHAR

Vou homenagear Moraes Moreira de um jeito diferente: lembrando de "Fruto Maduro", composição sua que abria o primeiro disco de Zizi Possi. Moraes é mais associado a cantoras salientes como Gal Costa, Elba Ramalho ou Baby do Brasil, mas o apuro técnico de Zizi (que às vezes resvala, sim, para uma certa frieza) funciona bem com essa canção que fez sucesso em 1979, talvez por causa da participação da banda A Cor do Som. Mal existia o videoclipe naquela época; esse aí em cima foi feito por um fã, dez anos atrás. Moraes Moreira se foi em plena pandemia, mas de infarto. Seu talento vai fazer falta, mas ele deixou tesouros que merecem ser redescobertos. Ainda nem começamos a chorare.

CANSEI DE SER KOSHER


Até que enfim, uma minissérie boa. Vimos "Nada Ortodoxa" no sábado à noite, de uma só sentada. São apenas quatro episódios, escritos e dirigidos como ma boa trama de suspense. Mas não há nenhum investigador perseguindo um serial killer e sim, na verdade, dois rapazes na pista de uma moça. Os três são judeus ultraortodoxos, de uma comunidade hassídica de Nova York. Ela é casada com um deles, mas quer deixar de ser. Quer deixar de ser oprimida por uma seita que parou no século 19, que não permite que ela estude nem tenha um smartphone. Foge, então, para Berlim, onde mora a mãe que ela pensa que a abandonou. Baseada nas memórias de Deborah Feldman, "Nada Ortodoxa" prende a atenção mesmo com a gente sabendo que vai tudo acabar bem. Também não pinta os hassídicos como vilões caricatos, mas sim como eles de fato são - unidos, porém extraordinariamente despreparados para o mundo moderno. No centro de tudo está a luminosa atriz israelense Shiri Haas. Com olhos que ocupam mais da metade da cara, ela transmite todo o medo e o deslumbramento da protagonista Esty Shapiro em sua busca por uma vida sem tantas amarras. Os habitantes do Vale também vão apreciar a presença do ator alemão Aaron Altaras. Como o namoradinho de Esty em Berlim, ele tem poucas falas. Não precisava mesmo.

domingo, 12 de abril de 2020

BURRICE INCURÁVEL

No dia 19 de fevereiro, uma conversa privada do general Augusto Heleno foi captada pelos microfones que cobriam um evento no Palácio da Alvorada. “Não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se”, bradou o chefe do Gabinete de Insegurança Institucional. A intenção subliminar dessa frase foi logo exposta pela imprensa: ali estava um membro do primeiríssimo escalão do desgoverno Biroliro defendendo um golpe de estado. Um autogolpe, como Jânio Quadros tentou dar.

O Gabinete do Ódio sentiu que ali havia a deixa para uma gigantesca manifestação a favor do Despreparado. Parece que ninguém aprendeu nada: as passeatas convocadas em maio de 2019, quando Mijair estava bem mais popular do hoje, não serviram para criar clima para o autogolpe. Por que serviriam agora?

Mesmo assim, o gado foi em frente. Surgiram memes na internet convocando para um ato no dia 15 de março, em várias cidades do país, contra o Congresso, contra o Supremo e "a favor do Brasil". Primeiro, o Bozo disse que não tinha nada a ver com aquilo. Mas aí repassou um vídeo, em seus grupos privados no WhatsApp, convidando para os tais protestos. Alguém desses grupos passou a notícia para a jornalista Vera Magalhães, que então a divulgou. Foi o bastante para ela se tornar alvo preferencial dos bolsominions. A apresentadora do "Roda Viva" vem sendo atacada sem dó nas redes sociais desde que divulgou algo que o ex-presidente em exercício fez mesmo, e que nunca desmentiu que fez.

No dia 7 de março, Pandemito e companhia bela embarcaram rumo à Flórida, para jantar com Trump em Mar-a-Lago. Durante uma escala técnica em Roraima, Mijair desceu do avião e fez um discurso na base aérea, convidando todos os presentes a aderir às manifestações do dia 15 de março. Depois negou de pés juntos ter feito isto, mas não faltam vídeos desse pronunciamento golpista.

Na volta dos Estados Unidos, Fábio Wajngarten testou positivo para o coronavírus. Pouco a pouco, outras pessoas da comitiva foram caindo doentes. Gente com quem Biroliro esteve nos EUA, como o prefeito de Miami, também. Coronaro então submeteu-se a um teste, no Hospital das Forças Armadas. Antes que saísse o resultado, no domingo, saiu do Alvorada e foi se esfregar entre seus apoiadores na porta do palácio. Apertou mãos, tirou selfies, beijou criancinhas. Tudo isto, quando deveria estar de quarentena, quietinho em casa.

O rolé dominical pegou super mal. Muita gente se escandalizou com o fato do Despreparado, mesmo sabendo que poderia estar transmitindo o coronavírus, ter colocado em perigo seus próprios adeptos. Mas claro que ele negou ter sido infectado. Depois fez outro teste, e novamente jurou ter dado negativo. Jamais mostrou teste nenhum. Alegou razões de privacidade, inconcebíveis para um presidente da República. Àquela altura, pelo menos 24 pessoas da comitiva haviam confirmado estarem contaminadas, inclusive o assessor especial Filipe Martins e o general Augusto Heleno. O hospital recebeu uma ordem judicial para revelar a lista completa. Dois nomes foram mantidos em sigilo. De quem seriam? Quem seria mais importante do que o general Augusto Heleno? Detalhe: desde que chegara de volta dos EUA, a primeira-dama Micheque sumira de circulação.

Biroliro chegou ao ponto em que não poderia mais assumir que havia contraído o coronavírus. Seria derrubado na hora. Resolveu, então, dobrar a aposta. No dai 24 de março, foi à TV dizer que a covid-19 seria apenas uma "gripezinha", um "resfriadinho", e que ele seria praticamente imune a ela devido ao seu "histórico de atleta". Ainda atacou "aquele famoso médico, daquela famosa televisão".

Pegou mal pra caralho. De novo. Nos dias seguintes, Mijair fingiu que maneirava o discurso, ao mesmo tempo em que se dizia contra a quarentena e a favor da reabertura do comércio. Teorias da conspiração falando sobre o "vírus chinês" ganharam força nas redes boçalnaristas.  A cloroquina surgiu como a fórmula mágica para todos os problemas da humanidade, e Bostonazi tentou se posicionar como seu patrono. Ao mesmo tempo, entrou em rota de colisão com Luiz Henrique Mandetta, seu ministro da Saúde, que está simplesmente fazendo o mínimo que se espera de alguém nesta posição. Roído de ciúmes, Boçalnaro ameaçou diversas vezes demitir seu auxiliar, só para ter sua caneta tomada pelos militares. Tem, hoje, menos poder e menos popularidade do que um mês atrás.

Entre os países de alguma importância, trata-se de um caso único. Só os dirigentes de lugares como Belarus, Nicarágua ou Turcomenistão fizeram pouco caso do coronavírus. Até Trump, inicialmente negacionista, precisou mudar de tom. Por que Biroliro não fez o mesmo? Porque é burro feito uma porta. Não consegue pensar a médio prazo. Só pensa no minuto seguinte. Só na lacração. Deu certo até agora, porque mudar de estratégia? Nem seus filhos, esses supostos gênios do marketing, perceberam a enrascada em que se meteram.

Na Hungria, Viktor Orbán aproveitou a pandemia para transformar seu regime numa ditadura. Na Turquia, nas Filipinas, na Venezuela, líderes populistas à direita e à esquerda estão se aproveitando dessa situação excepcional para aumentar ainda mais seus poderes. Todos estão levando a sério, ou fingindo que estão levando, a ameaça do conronavírus. Só Biroliro continua teimando, mesmo com o número de mortes disparando no Brasil. Do jeito que a coisa vai, até o fim de abril estaremos numa situação tão caótica quanto a Espanha. Ou pior.

Isto não é "torcer contra". É constatar que, num momento como este, temos o pior presidente possível. Mas também podemos agradecer à Deusa por termos um energúmeno no poder. Vai morrer muita gente nessa pandemia. Vai morrer também o futuro político de Mijair Coronaro. Sua estupidez, sua teimosia, sua falta de visão, tudo isto fez com que ele desperdiçasse uma oportunidade histórica para se eternizar no Alvorada e criar uma dinastia. Então, foda-se.

sábado, 11 de abril de 2020

MÚSICA CONFINADA

E já começam a surgir as primeiras canções sobre a quarentena. Não é bem o caso de "Não Saio", do português Pedro Mafama (que nome sensacional). A faixa já vinha sendo trabalhada antes, assim como seu videoclipe - talvez o mais barato de todos os tempos. Mas foi lançada no dia 1o. de abril, quando boa parte do mundo já estava trancada em casa, e virou um hino extra-oficial desse estranho período em Portugal. A letra se refere à vontade de não ir pra balada, mas o próprio Mafama admite: "gosto da ideia de marcar um tempo com esta canção".
Quer dizer, barato mesmo é este clipe do Calogero, gravado por ele mesmo dentro de sua casa. Todo o dinheiro angariado por esta canção irá para os serviços de saúde. E a letra da belíssima "On Fait Comme Si", que já foi escrita na quarentena, descreve o que muitos de nós estamos sentindo. Traduzindo:

É um silêncio engraçado que vem da rua
Como um domingo imprevisto
Um homem canta ali, num terraço
Sua vizinha o acompanha ao violino

Dizemos às crianças palavras que tranquilizam
Como se fosse uma aventura
Colamos seus desenhos na geladeira
Desligamos os canais de notícias

Fazemos como se tudo só fosse uma brincadeira
Fazemos como se... fazemos o que podemos
Quando chega a noite, fechamos os olhos
Fazemos como se o mundo ainda fosse feliz

Fazemos como se não estivéssemos aqui
Pais, amigos, nós iremos nos reencontrar
E mesmo se esta primavera for embora
Eu juro, eu prometo, o mundo recomeçará

OUTRO TIGRE NA NETFLIX


Todo mundo está comentando "A Máfia dos Togres", a série do momento na Netflix. Aqui em casa nós assistimos a um episódio, mas meu marido se recusa a ir em frente. Vou ter que ver escondido? Enquanto isto, um outro grande felino chegou à plataforma, desta vez sem muito alarde. Trata-se de "Tigertail", o primeiro longa dirigido por Alan Yang, roteirista da sitcom "Master of None", O filme é meio aparentado ao ótimo "The Farewell", ainda inédito no Brasil: ambos são feitos por filhos de imigrantes chineses buscando se reconciliar com suas raízes. Pena que esse rabo de tigre não seja tão bom. O nome se refere à aldeia de Taiwan onde nasceu o pai do diretor, e a história refaz o caminho dele, dos arrozais até Nova York. Há uma namorada bela e pobre e uma outra, mais sem graça porém rica. O protagonista escolhe essa última e se arrepende pelo resto da vida. Com apenas uma hora e meia de duração, "Tigertail" não chega a aborrecer, e até que é uma opção simpática para esses tempos de cinemas fechados. Agora preciso criar coragem e explorar o resto do catálogo asiático da Netflix, que é bem grandinho.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

AGLOMERADOS

Três semanas de confinamento e já deu. Os brasileiros não aguentam mais ficar em casa. O movimento nas ruas foi crescendo ao longo da semana, ao ponto de hoje, um feriado, brotarem filas e aglomerações em mercados e aeroportos por todo o país. E a quantidade de velho sem máscara circulando por ai? Tomara que sejam todos bolsomijons, porque vai ser uma hecatombe. Daqui a umas duas semanas, muito vou me admirar se o Brasil não estiver repetindo a Itália ou o Equador. Biroliro vai dizer que é porque não liberaram a cloroquina, essa substância mágica que fecha o corpo e faz nascer cabelo. Só espero que essa pandemia sirva para desmascará-lo. No entanto, mesmo quando ele se for, ainda vai ter boçal por aí. Os mesmos que elegeram um despreparado. Os mesmos que gostam de se aglomerar. 

quinta-feira, 9 de abril de 2020

OUTROS CASAMENTOS E OUTRO FUNERAL


"Quatro Casamentos e um Funeral" talvez seja a segunda melhor comédia romântica de todos os tempos (a primeira é "Harry e Sally"). O filme de 1994 tinha Hugh Grant e Andie MacDowell no auge da formosura, piadas ótimas do mais seco humor britânico e aquele poema de W. H. Auden que me faz lacrimejar só de lembrar a primeira estrofe: stop all the clocks, cut off the telephone... Então, porque refazer essa pequena obra-prima? Acontece que a minissérie "Four Weddings and a Funeral" não é um remake. É uma outra história, cujo único ponto em comum com a original é o fato de ter, aham, quatro casamentos e um funeral. A protagonista agora é uma mulher: Nathalie Emmanuel, a Missandei de "Game of Thrones". E o desenrolar dos episódios faz uma força imensa para ser um novo "Friends", com um grupo de amigos onde todos transam com todos. A diversidade do elenco é louvável, mas às vezes soa forçada como um anúncio da Benetton. Da metade para o fim, os roteiristas se deram conta de que faltava uma subtrama gay, e eis que surge não só um casal birracial como de idades muito diferentes. Às vezes, parece que é mais importante levantar bandeiras do que fazer rir. Ah, mas quer saber? Um bando de gente linda cujo único problema é a vida amorosa, flanando de festa em festa por uma Londres de sonho, é justo o que eu precisava para esquecer da pandemia e do Pandemito.

OUTRO HOMEM E OUTRA MULHER


Eu estava seco para ver "Os Melhores Anos de Uma Vida". Já tinha baixado a trilha sonora e até feito post a respeito. O mais recente filme de Claude Lelouch, a terceira parte da história de amor começada com "Um Homem e Uma Mulher" tinha estreia no Brasil marcada para o dia 9 de abril. Não tem mais, é claro. mas aí eu já estava infectado pela vontade de ver um filme de Lelouch, pois faz quase dez anos que não chega nada dele por aqui. Vasculhei as plataformas e encontrei na Netflix seu penúltimo longa, lançado na França em 2015. O título não poderia ser mais genérico: "Un + Une", um mais uma (ou seja, um homem e uma mulher). Mas o roteiro é bem diferente do resto da obra do diretor. Para começar, se desenrola quase todo na Índia. E seu ponto alto é uma experiência religiosa: uma visita ao santuário de Mata Amritanandamyai, a Amma, uma santa viva famosa por abraçar seus fiéis. Enquanto isto, um compositor vivido por Jean Dujardin se apaixona pela mulher do embaixador francês, a insossa Elsa Zylberstein. Ele foi convidado a compor a trilha de um filme de Bollywood chamado "Julieta e Romeu", algo pra lá de improvável na vida real. Lelouch não se preocupa em embelezar a paisagem e mostra uns ângulos bem feios da cidade sagrada de Varanasi. Também oscila o tempo todo entre o profundo e o banal. Mas foi ótimo viajar com ele como guia. Minha fissura sossegou, mas só será aliviada com uma dose de Anouk Aimée.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

SE FICAR EM CASA, FIQUE NA PAZ

É incrível como "Bacurau" continua rendendo, quase um ano depois de estrear em Cannes. Muito por causa do Kléber Mendonça, que usa as redes sociais para divulgar cada novo território onde chega o melhor filme nacional de 2019 (sem falar nos memes). Hoje saiu esse vídeo, remixando uma cena em prol do confinamento. Só faltou avisar que quem sair terá a cabeça cortada pelo Lunga.

MARCÃO BOBEIRA

Quando você contrata um apresentador que está sendo processado por ter chamado a Ludmilla de macaca, é mera questão de tempo ele fazer merda de novo. Hoje, finalmente, depois de excretar inúmeras barbaridades no ar, o ignóbil Marcão do Povo finalmente foi suspenso, apenas 24 horas após ter sugerido que os infectados pelo coronavírus fosse confinados em campos de concentração. Essa ideia circulou na época braba da AIDS, como se fosse viável encurralar centenas de milhares de pessoas - mas tudo bem, né? "Contanto que não seja eu". Eis o lado bom da pandemia: os piores da sociedade estão se revelando em todas suas cores sombrias, a começar pelo ex-presidente em exercício. Se bem que a falta de compaixão do SBT não é novidade. Há pouco tempo, o próprio Silvio Santos soltou um "heil Hitler" em seu programa. De brincadeirinha, claaaro, mas como que um dos maiores empresários judeus do país ignora o Holocausto?

terça-feira, 7 de abril de 2020

CLORO QUI NÃO

Lembra que, no distante ano de 2016, o então deputado Mijair Biroliro foi um dos mais ardorosos defensores da "pílula do câncer"? Tinha gente dizendo que o remédio promovia curas milagrosas, apesar de muitos médicos garantirem que não passava de um placebo. A então presidente Dilma Rousseff chegou a sancionar uma lei liberando a droga no Brasil inteiro, e o STF precisou intervir para evitar o despautério. Antes disso, Pandemito já defendia o nióbio. Ele é do tipo que adora uma substância mágica capaz de acabar com todos os males. Uma maravilha curativa, mesmo que sem nenhuma comprovaçaão científica. Tudo o que lhe interessa é a próxima eleição. A maravilha da vez, claro, é a cloroquina. Bozo copiou Trump e saiu trombeteando os superpoderes desse medicamento contra o coronavírus. Os dois politizaram um debate que deveria ser restrito aos especialistas, e o resultado é que hoje há gente de esquerda atacando a cloroquina. Vamos aos fatos: existem, sim, indícios sérios de que ela é mesmo eficaz no tratamento da covid-19. O grande perigo é sair ignorante por aí tomando cloroquina sem receita médica, o que já vem acontecendo desde que os dois presidentes meteram o bedelho nessa história. Não é por outra razão que David Uip não revela se tomou ou não a droga enquanto esteve doente (e é patético que o general Heleno cobre dele essa informação, quando Coronaro não tornou públicos seus próprios exames). Agora, o uso da cloroquina deveria ser flexibilizado? Sou leigo no assunto, mas, por tudo que tenho lido, me parece que sim. Estamos no meio de uma guerra, e situações excepcionais requerem medidas excepcionais. A cloroquina poderia ser ministrada aos assintomáticos, ou aos casos menos graves. Talvez brecasse a pandemia. Isto quer dizer que eu virei casaca? Que agora eu apoio as burrices do Despreparado? É cloro qui não!

ATUALIZAÇÃO: Retiro o que disse. Não tenho opinião sobre o uso ou não da cloroquina em pacientes de covid-19. Não tenho que ter: não sou médico, não entendo nada do assunto, não tenho que meter o bedelho onde não fui chamado. Li mais a respeito nos últimos dias e cheguei à gloriosa conclusão de que não pertenço a esta discussão. Não vou acrescentar nada de bom, mas talvez algo de mau. Pensei até em reescrever o post acima, ou mesmo deletá-lo. Mas agora ele já faz parte da história desse blog, e eu não sou daqueles que apagam a própria história. Então fica aqui a minha posição atual: não tenho posição. Eles que lutem.

AO FORNO, COM BATATAS

Depois de sua estreia desastrosa no quadro "O Grande Debate", Caio Coppolla teve a sorte de desenvolver sintomas de covid-19 e permanecer duas semanas fora do ar. Deixou para Tomé Abduch as próximas jantadas de Gabriela Prioli. Nesta segunda o rapaz voltou à tela da CNN Brasil, em novo horário e com um novo oponente, Augusto Arruda Botelho. E foi degustado de novo, ao vivo, a cores e para todo o Brasil, por ninguém menos do que a própria emissora. Na altura do 31'40" do vídeo acima, a mediadora Monalisa Perrone precisa interromper a bobajada despejada por Coppolla, não só para afirmar que a CNN Brasil segue todas as normas da OMS, como também para repreendê-lo. O ex-comentarista da rádio Jovem Klan defendia o fim da quarentena e o "direito" de trabalhar para todas as categorias, como acontece com os jornalistas. Usou da mesma lógica tortuosa que os minions desenvolveram nas redes sociais, e levou um pito por isto. Preciso conter o riso. Há pouco mais de duas semanas, a CNN Brasil ficou toda abespinhada quando eu escrevi na Folha que Caio Coppolla era despreparado, e exigiu direito de resposta para, entre outras coisas, defender o altíssimo nível de seus funcionários. Taí, como queríamos demonstrar.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

DIA DO FICO

Foi um segunda tensa. Ele vai sair? Não vai sair? Confirmada algumas vezes, a notícia acabou desmentida. No fim da tarde, já era oficial: Biroliro fica. Ainda não foi dessa vez que o Despreparado pulou o tubarão - a expressão americana que significa o gesto desesperado, sem volta, de consequências desastrosas. Eu nunca havia visto antes manifestação a favor de ministro. Mandetta teve isso hoje, além de hashtag endossada até por perfis de esquerda. Enquanto isso, o gado subiu #MeuPresidenteÉ, só para ver a campanha ser sequestrada pela crescente oposição. Demorou, mas parece que a estratégia de só governar para o próprio nicho começou a fazer água. Pandemito fica, por enquanto. Como um ex-presidente em exercício, capaz de espernear e xingar a mãe, mas sem o poder de mudar o rumo de nada.

QUARTETO EM MI

São persistentes as notícias de que Mijair Biroliro virou só um figura de proa. Fontes de Brasília garantem que o país vem sendo governado na surdina por quatro generais: o vice-presidente, Hamlton Mourão; Augusto Heleno, do Gabinete da Insegurança Institucional; o ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto; e o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Ramos. Não é a primeira vez que algo assim acontece. Em 1969, Costa e Silva teve um derrame e fui substituído por uma junta militar, que durou até o fim de seu mandato. A diferença é que, em 2020, o quatrunvirato não é oficial. Claro que é um horror termos quatro milicos no comando da nação, mas eles são infinitamente melhores que o Pandemito. As Forças Armadas Brasileiras acreditaram que um tenente indisciplinado e expulso de suas hostes seria o melhor caminho para voltarem ao poder. Fizeram vista grossa à rachadinha, ao Queiroz, ao açaí da Wal, às declarações afrontosas e as três décadas na Câmara sem produzir quase nada. Agora temem ser vistas como corresponsáveis pelo desastre que se avizinha. Mas conseguirão evitar a demissão de Mandetta, já anunciada pelo "O Globo" para o final da tarde de hoje? E a mancha na própria reputação, como é que fica?

domingo, 5 de abril de 2020

A FALA DO TRONO

Assistir a "The Crown" diminuiu minha admiração pela família real britânica. A série da Netflix me deu a impressão de que os Windsors são pouco melhores do que mafiosos, capazes das maiores sacanagens para manter seus privilégios. Mas hoje, Elizabeth R mostrou, mais uma vez, que está à altura do trono que ocupa. Tirando os tradicionais discursos de Natal, Sua Majestade deu o que foi apenas seu quinto pronunciamento especial à nação (os anteriores foram, pela ordem, por causa da Guerra do Golfo, a morte de Diana, a morte da rainha-mãe e o Jubileu de 2002). O tema da vez, é claro, foi a pandemia. A fala foi épica. Tecnicamente, Lilibeth é perfeita. Aos 93 anos, ela se mostra muito mais familiarizada com o teleprompter do que certos ex-presidentes em exercício. Sabe dar as pausas certas, com a entonação adequada, e sem usar óculos - imagina o tamanho que essas letras devem ter? O texto também está maravilhosamente bem-escrito. Cobre todas as bases, dos pêsames às famílias enlutadas às coisas boas que o confinamento pode nos trazer. Que inveja dos súditos da rainha. Queria tanto saber como é ter um líder preparado num momento de crise...

sábado, 4 de abril de 2020

DANÇANDO NA COZINHA


Vou dizer uma heresia: não curto muito essas lives que os artistas vêm fazendo durante a pandemia. Acho que faz bem para eles matarem a vontade de se apresentar. Mas, enquanto público, prefiro ver o DVD de um show propriamente dito, gravado em 200 canais, com efeitos, coreografias e revoada de pombos. Dito isto, são muito legais as "Kitchen Disco" de Sophie Ellis-Bextor nas tardes de sexta-feira. A segunda foi ontem e está aí em cima, com tudo a que uma performance caseira tem direito: filhos, gato, câmera semi-amadora. O formato vertical só funciona no celular, mas a alegria da moça é mesmo contagiosa (ops). A quarentena pegou Sophie bem na hora em que ela está lançando o álbums "The Song Diaries", uma compilação dos sucessos de seus 20 anos (!) de carreira, regravados com grande orquestra. As canções mais dramáticas funcionam melhor nesse tipo de arranjo, e ela não resistiu a acrescentar uma batida disco nas faixas-bônus. Tomara que esse fase ajude-a a crescer como estrela. Ela só é muito conhecida no Reino Unido, mas merecia estar, no mesmo mínimo, no nível internacional de uma Kylie Minogue.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

JEJUM DE LIDERANÇA

Depois de apanhar dos EUA na primeira Guerra do Golfo, Saddam Hussein subitamente se tornou um muçulmano fervoroso. Quando se sentiu ameaçado pela oposição, Nicolás Maduro passou a citar a Bíblia e a ser contra o casamento gay, coisa que a esquerda moderna apoia. Mijair Biroliro não precisou perder uma guerra nem ver a economia se esfarelar para se travestir de líder messiânico. Sem a menor capacidade intelectual para enfrentar uma pandemia, o máximo que ele conseguiu propor até agora, além do liberou-geral, foi um patético jejum nacional para este domingo. O bandido do Malafaia topou na hora, talvez para desviar a atenção de seu vídeo contra a quarentena removido do Twitter, do Facebook e do YouTube. O pastor mais sinistro do Brasil sugere que os fiéis jejuem apenas da meia-noite ao meio-dia, algo que muitos já fazem no fim de semana. Assim é mole. Quero ver seus seguidores passarem fome por 24 horas e depois encararem um ônibus lotado (até porque há poucos), com o organismo debilitado. Pois eu estou com vontade de comer MAIS neste domingo. Como se eu estivesse comendo pouco.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

LULADORIA

Agora é assim: dia em que Biroliro não bate o próprio recorde de estupidez é dia tranquilo no noticiário. Hoje foi um desses dias. Tirando a cobertura exaustiva do coronavírus, o que bombou nesta quinta foi a troca de gentilezas entre Lula e João Doria. A maioria das pessoas viu ali um sinal positivo: dois adversários figadais põem as diferenças de lado na hora em que surge uma ameaça global, em contraste com o palhaço que finge ser presidente. Seria o começo da tão sonhada frente ampla contra o Bozo? Mas teve gente à esquerda que não gostou. Acham que Lula "é muito maior" do que Doria, olhando só para o passado e ignorando que o ex-presidente ainda é um réu condenado, que tão cedo não poderá se candidatar a nada. Também à direita houve críticas - notadamente, da jornalista Vera Magalhães, um dos alvos preferenciais dos minions. Vera acha que Doria "cometeu seu maior erro político" ao citar Lula, ignorando a virulência do antipetismo. Pois eu já acho que estamos assistindo à emergência de uma onda oposta ao antipetismo, mas de potencial destrutivo ainda maior: o antibirolirismo. Pois Mijair tem todos os defeitos de Lula (corrupto, demagogo, polarizador) e mais alguns (inepto, covarde, preconceituoso, etc. etc etc.). Vou assistir de camarote.

INSEGURANÇA INSTITUCIONAL

Querendo emular João Doria, o general Augusto Heleno postou em seu perfil no Twitter o resultado do exame que mostra que ele não porta mais o novo coronavírus. Essa transparência é elogiável, e contrasta com a tacanhice de seu chefe. Mas Helenão esqueceu de um detalhe básico, e revelou para o Brasil inteiro dados pessoais como seu RG e CPF. Não tardou para que gaiatos inscrevessem o general no PT, no PSOL, no Vasco da Gama, no Bolsa Família e no cartão de crédito da Havan. OK, o CPF é um dado público, e quem pesquisar na internet encontrará o de qualquer brasileiro maior de idade. Mas não é impressionante que o chefe do Gabinete de Segurança Institucional - o núcleo de inteligência do governo, supostamente - tenha facilitado por conta própria o trabalho de falsários e piadistas? E ainda tem comentarista de direita que elogia o "alto nível técnico" desse ministério. Heleno acaba de se rebaixar ao nível de Weintraub, Salles, Araújo, Damares e companhia bela.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

RESTA IN CASA, CAZZO

Enquanto aqui no Brasil o Biroliro diz uma coisa na TV e o contrário no dia seguinte, os prefeitos italianos já captaram a mensagem da pandemia. E estão passando-a adiante: fiquem em casa, caralho. Meu favorito é o do cabeleireiro.
Agora, mais tranquilizador do que eles, só mesmo o prefeito de Limeira.

QUARENTA QUILATES


A quarentena me fez finalmente assistir a um filme que já está disponível há dois meses na Netflix. Minha resistência é compreensível: "Joias Brutas" é estrelado por Adam Sandler, um dos atores mais desagradáveis da atualidade. Postagens de amigos falando mal do longa também mitigaram minha vontade de ver. Mas ontem criei coragem para encarar o bicho, e não é que eu gostei? Sandler é perfeito para o personagem, que é ainda mais repulsivo que seu intérprete: um joalheiro que vive de rolos, devendo dinheiro a meia Nova York enquanto tenta armar a próxima jogada. Há sequências francamente irritantes, com gente demais falando ao mesmo tempo enquanto a câmera zune de um lado para o outro. Mas este nervosismo é essencial para passar o clima tenso da história, e os diretores - os irmãos Benny e Josh Safdie - jamais perdem a mão. "Joias Brutas" não oferece o escapismo que alguns procuram neste confinamento, mas é um ótimo filme. Com Adam Sandler e tudo.