quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

UMA TELA PARA MARIGHELLA

"Marighella" debutou no Festival de Berlim de 2019, há quase um ano. A estreia no Brasil foi marcada para a Semana Santa, mas logo depois cancelada: o distribuidor achou que ainda havia um clima de polarização excessiva no país (risos), que poderia prejudicar a carreira do filme. Remarcou-se então para 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. E aí começou a via-crúcis do primeiro longa dirigido por Wagner Moura. Surgiram mil entraves burocráticos para dificultar a estreia, numa tentativa mal disfarçada de censura. Até de calote foi acusada a O2, a maior produtora do Brasil. Hoje saiu a notícia de que "Marighella" finalmente entra em cartaz no dia 14 de maio. Será? A Ancine vai deixar, agora que é comandada por uma mulher da Opus Dei? Sim, porque o Biroliro diz que "a cultura tem que ser feita para a maioria" (balela, cultura é para todos), e todo mundo sabe que a Opus Dei, uma organização marginal dentro da Igreja Católica, é maioria esmagadora no Brasil, n'est-ce pas? Mas eu tenho cá um palpite. Adivinha quem será o indicado pelo Brasil para nos representar no próximo Oscar? O governo não apita nada nessa escolha. Risos.

10 comentários:

  1. Tony, apenas por curiosidade: quando você diz "o governo não apita nada nessa escolha", isso também valeria no caso de Aquarius? Já que não foi indicado como nosso representante ao Oscar e alguns defendem que sofreu boicote após a manifestação em Cannes...
    Ou, ainda, o governo, do jeito que andam as coisas, realmente não teria força para barrar um filme de ser indicado como representante nacional?

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    1. Até 2018, era o extinto MinC (Ministério da Cultura) quem indicava os membros da comissão que escolhe o nosso filme do Oscar. Em 2016, chamaram gente notoriamente de direita, para impedir a escolha de "Aquarius".

      No ano passado, como não havia mais MinC, essa responsabilidade coube à Academia Brasileira de Cinema, que não é um órgão governamental. Só gente de responsa participu, como Anna Muylaert e Amir Labaki.

      Desconfio que este ano será a Academia Brasileira quem continuará fazendo isto.

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    2. “gente de responsa”, ou seja, de esquerda.

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    3. Obrigado pelo esclarecimento, Tony!

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  2. Democracia em vertigem e Marighella. Realmente. Só pode ser dissociação cognitiva.... afffff......

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  3. Certo, Tony, mas afinal vc é a favor ou contra a venda de órgãos não-vitais. Obrigado desde já

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    1. Acompanhei por alto essa treta. Vou me informar melhor e soltar um post amanhã.

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    2. Talvez seja melhor deixar essa polêmica morrer. Se ganhar tração o Bolsolini pode criar um programa de colhimento de órgãos para impulsionar a economia.

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  4. Eu gostaria que o conceito de "maioria" se estendesse à esfera tributária. Governa para a maioria? OK então só a maioria paga imposto. As minorias ignoradas pelo governo deveriam ser isentas.

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    1. Tudo é demagogia. O que eles querem é SANGUE.

      Tipo os Incas. Os Vikings. Os Jesuítas. Etc..

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