sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

UM ANO INCONSÚTIL


1917, que ano lôko. Passou voando, em menos de duas horas. O difícil foi recuperar o fôlego depois. Porque "1917" é um filme espetacular, que não desperdiça com super-heróis a tecnologia disponível em 2020. É uma experiência sensorial, um passo antes da realidade virtual. Nunca me senti tão dentro de uma guerra, e pensei em meu pai o tempo todo: ele lutou na Itália pela FEB, em 1944. A ação de "1917' se passa um conflito mundial antes, na França. Dois solados ingleses são despachados com uma mensagem para o comandante de outro batalhão, além das trincheiras alemãs. Eles precisam chegar o quanto antes e avisar que o inimigo armou uma emboscada, mas claro que há mil perigos pelo caminho. Tudo isso em um take só - na verdade, claro, a ilusão de um take só. Apenas em dois momentos óbvios, quando a tela escurece, eu saquei os pontos de corte, mas há dezenas de outros. Não vejo a hora de chegarem os making ofs, para entender como que o diretor Sam Mendes e o cinematografista Roger Deakins conseguiram dar esse tour de force. "1917" levou os Globos de melhor filme dramático e melhor direção no domingo passado, e agora é um canhão apontado para a concorrência no Oscar. É mil vezes mais empolgante do que "O Irlandês", mas não sei se dialoga com os dias de hoje como "Coringa" ou "Parasita". Justamente por isto, talvez a Academia decida premiá-lo. É cinemão em estado de graça, um filme quase perfeito naquilo que se propõe. E ainda comete um pequeno sacrilégio, ao colocar um Lannister e um Stark como irmãos.

Um comentário:

  1. Parasita nao é americano,vai ganhar de filme estrangeiro!

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