sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

PROFETA GENTILEZA


Mr. Rogers foi uma espécie de Xuxa americana, mas sem usar shortinho e sem maltratar as crianças. Seu programa infantil ficou no ar de 1968 a 2001, e é reprisado até hoje pela rede PBS. O cara era a gentileza em pessoa: falava baixo, sorria lento, ouvia todo mundo. Em 1998, o repórter Tom Junod escreveu um perfil de Mr. Rogers para a revista "Esquire". É neste artigo que é baseado o filme "Um Lindo Dia na Vizinhança", que rendeu a Tom Hanks uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante. Sim, coadjuvante, porque não se trata de uma cinebiografia do apresentador: o real protagonista é Lloyd Vogel (feito pelo Matthew Rhys da série "The Americans"), uma versão ficcionalizada de Junod. Ele consegue resolver, graças a Mr. Rogers, o problema número um dos homens brancos nos EUA: a relação com o pai. "Um Lindo Dia..." é quase tão delicado quanto a interpretação de Tom Hanks, que consegue acentuar sua bondade natural sem nunca resvalar para a pieguice. Mas não é um filme muito excitante: tem coisa melhor por aí nessa temporada de prêmios.

Um comentário:

  1. Pelas manchetes, eu cheguei a achar que o personagem do Tom fosse gay. Por causa dessa história da interpretação delicada, acho.

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