quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

VAZIA PORÉM CHEIA


O fato de eu ter rido bastante nos dois primeiros "Minha Mãe É Uma Peça" não ofuscou uma realidade: nenhum desses filmes tinha muito roteiro. Ambos eram pouco mais do que um amontoado de cenas soltas: dona Hermínia vai à padaria! Dona Hermínia vai à boate! Dona Hermínia vai a Nova York! Mas o terceiro longa da franquia tem, se não uma trama, pelo menos, uma situação. Dona Hermínia agora está sozinha. Seu ninho se esvaziou: nenhum dos três filhos mora mais lá (e ela também não é mais uma estrela da TV, sabe-se lá por que). Sem ter o que fazer, a pobre mulher compra um iogurte de cada vez, para preencher seus dias com idas ao supermercado. Essa crise existencial não dura muito tempo, porque chegam duas notícias: a filha Marcelina (Mariana Xavier) está grávida e o filho Juliano (Rodrigo Pandolfo) irá se casar com o namorado. Seguem-se então todas as escalas obrigatórias para esses acontecimentos, intercaladas por uma inútil viagem a Hollywood. Preparativos, chá-de-bebê, jantar de família, ultrassom, you name it: está tudo lá. O problema, como sempre, é Paulo Gustavo. O ator está em todas as cenas e, como de hábito, falando sem parar. Quem sofre de enxaqueca deve passar longe. Mas "Minha Mãe É uma Peça" também traz uma boa surpresa. Muito se falou da ausência de beijo gay na cena do casamento gay, e eu mesmo fiz coluna no F5 sobre o assunto. Mas a não-bicoca é largamente compensada pela mensagem libertária. Dona Hermínia dá um show de tolerância quando, num flashback, o pequeno Juliano quer se fantasiar de Emília. O filme ainda termina com um hino à família - a verdadeira, que a gente gosta, não aquela empulhação da Damares. Os créditos finais não só trazem imagens da dona Déa Lúcia, a mãe de Paulo Gustavo e sua grande inspiração, como também declarações do ator a todas as pessoas importantes de sua vida, inclusive ao marido Thales. Que ótimo saber que os milhões de espectadores que o filme fatalmente atrairá aos cinemas serão submetidos a esta surra de amor, ainda mais nesses tempos que correm.

10 comentários:

  1. O primeiro Minha mãe é uma peça foi adaptado de um monólogo. Daí as situações soltas (a peça também era ela ao longo de uma noite conversando com a plateia sobre a sua família). No teatro funcionou bem. No cinema, especialmente o segundo filme, é tão sem trama que parece o roteiro de vários episódios de uma série sobre D. Hermínia que não chegou a ser feita.

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  2. Ela falando sem parar é o que eu mais gosto na Hermínia. É muito a minha própria mãe.
    As situações soltas são exatamente a rotina dela: o supermercado, o teatro,a boate. Ela é uma pessoa comum em situações comuns. Pra mim funciona bem.
    Ainda continuo discordando da escolha do Paulo Gustavo em relação ao beijo no casamento, mas nada que abale o meu carinho pela personagem.

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  3. Achei interessante o fato de não deixar claro trailer que o filho tá casando com outro cara. Vai te ter gente que vai ser pega desprevenida.

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  4. Me recuso a ver por conta das declarações dele sobre o beijo em um casamento, mas bom saber que de resto o filme é positivo.

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    1. É dois...nao tenho mais saco para esse ator e idem para seu personagem chato.

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  5. Lembro de um post seu sobre um dos filmes anteriores, no qual você elogiava a característica onipresente da personagem, vc dizia que funcionava como uma espécie de buraco negro que fazia sumir tudo a volta...

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  6. O Brasil se movimentou contra o ultrage do Porta dos Fundos, com seus Jesus homossexual. O mesmo Brasil adora a D. Hermínia, o gay Paulo Gustavo e nem liga se tem personagen viado no filme.

    Quem faz a boa militância? Quem de fato contribui com a causa? Se responder corretamente ganha um pirulito.

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    1. Bichas canadenses que já adquiriram seus direitos com MUITA LUTA já fazem décadas. Não uma bicha dessas.

      Porque de bicha afetada baba ovo da "família" ASSASSINA brasileira já temos aos montes. Há muito tempo.

      Enfia o pirulito no cu. Que é com que voce se contenta e se completa.

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  7. Estou tão cansado disso tudo.

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