quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

PRETEXPLORAÇÃO


Nunca fui muito fã do Eddie Murphy, mas ele até que está bem em "Meu Nome É Dolemite". Eddie foi indicado para o Globo de Ouro de melhor ator de comédia, onde o filme também concorre ao prêmio da categoria. Mas, aqui no Brasil, só pode ser visto na Netflix: é mais uma arma da plataforma em sua estratégia de dominação planetária. Só que eu temo que, por aqui, o assunto não seja do interesse de muita gente (branca). Dolemite foi um personagem criado pelo ator Rudy Ray Moore nos anos 70. Surgiu primeiro no palco, em números de stand-up. Moore contava suas piadas em rimas, com ritmo, e é tido como um dos precursores do rap. Confesso que não achei muita graça: não sei se é um humor pesado demais para meus ouvidos pudicos, se é um problema de tradução ou se eu só sou branco mesmo. A popularidade de seu número fez com que Moore tentasse transpô-lo cinema, mas nenhum produtor quis arriscar. O resultado foi um filme feito na unha, com pouquíssimo dinheiro e muitas gambiarras. Um típico integrante de um gênero bem específico, o "blaxploitation": histórias de gângsters e cafetões com cenas de luta bem toscas e efeitos piores ainda. O estilo é uma das maiores influências de Quentin Tarantino, mas repercutiu pouco aqui no Brasil. Dessa forma, "Meu Nome É Dolemite" serve como uma viagem a uma época de música incrível e roupas fabulosas, temperada com protestos sociais. Achei que valeu a pena explorar.

6 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    Fiquei a fim de assistir.Observando bem acredito que Tarantino tenha até se influenciado mais pelos clips dos Gangstars Rap dos anos 90.
    "Ou só sou branco mesmo" Tony Fora do Brasil você é "lido" como branco...?

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    1. Uma vez acharam que eu era da Indonésia.

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    2. a loka....kkkkkkkk

      voce é do mundo!!!!!

      bjos Tony Vulcão, amigo do Tornado

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    3. Amava o Eddie quando era adolescente, em Tiras da Pesada, Um príncipe em NY, etc....ele brilhava, ele era o líder, hoje está meio esquecido, porque tem que competir com muitos atores de comédia, como Adam, Jim, Ben Stiller, etc

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  2. Esses filmes chegavam no brasil sim, foram importantes para o meu pai

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  3. Mas o gênero “blaxploitation” hoje não é tão bem visto assim. O próprio nome já entrega que é um filme com negros fazendo papéis estereotipados de negros (especialmente com mulheres).

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