sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

MINHAS SÉRIES DE 2019

As séries de TV são hoje a forma de narrativa ficcional favorita da humanidade, mais populares do que os filmes, os livros, as novelas e as mentiras do Biroliro. Todo mundo tem a sua predileta; todo mundo está sempre querendo dicas. O Brasil vem melhorando no quesito, tanto que há três produções nacionais na minha lista das 10 mais. Lista, aliás, que mistura drama, comédia e minisséries fechadas, agora em ordem alfabética:

CHERNOBYL (HBO)
Em 1986, a União Soviética tentou esconder o derretimento de uma usina atômica na Ucrânia, e o resultado foi um desastre ambiental cujas consequências se fazem sentir até hoje. Sóbria e sombria, esta minissérie é uma das melhores dramatizações que eu já vi sobre o que acontece quando a ideologia se sobrepõe aos fatos. Devia ser obrigatória para quem duvida da ciência.

DIX POUR CENT (Netflix)
Eu devorei as três temporadas disponíveis, e não vejo a hora de chegar a quarta. Quero voltar logo ao glamour dessa agência de talentos de Paris, que tem Isabelle Adjani, Isabelle Huppert e Juliette Binoche na clientela.

FLEABAG (Amazon Prime Video)
A melhor coisa que eu vi na TV em 2019 foi o primeiro episódio da segunda temporada dessa sitcom britânica, escrita e estrelada pela espantosa Phoebe Waller-Bridge. Nada mais contemporâneo do que misturar ironia com desespero. Mas não há previsão de uma terceira leva: a moça já está envolvida em trocentos outros projetos, inclusive o próximo filme do 007.

THE MORNING SHOW (Apple TV+)
O carro-chefe do streaming da Apple, que foi lançado com apenas 10 séries originais, não traz novidades formais: é apenas um drama muito bem-feito, ambientado nos bastidores de um noticiário matutino. Mas inova no conteúdo: um dos temas do momento, o assédio sexual no local de trabalho, é abordado de maneira não-maniqueísta, onde ninguém tem toda a razão.

NINGUÉM TÁ OLHANDO (Netflix)
Adoro um certo tipo de comédia sarcástica, que os americanos chamam de tongue in cheek. Também adoro obras que ousam questionar a existência de Deus. A primeira sitcom dirigida por Daniel Rezende tem tudo isso, além de uma das minhas atrizes favoritas: Júlia Rabello, a quem eu tive o prazer de entrevistar três vezes este ano.

THE POLITICIAN (Netflix)
E por falar em tongue in cheek, a primeira incursão de Ryan Murphy ("Glee", "Pose") no streaming não tem papas nessa língua. Viadagem, suicídio, Gwyneth Paltrow e até mesmo a bizarra síndorme de Munchhausen by Proxy - quando alguém é convencido de que está muito doente - estão no cardápio da saga do rapaz rico e gay que sonha em ser presidente.

SEGUNDA CHAMADA (Globo)
O "Sob Pressão da educação" honrou o apelido que ganhou antes mesmo de estrear. As histórias dos alunos de uma escola noturna para adultos às vezes pareceram pesadas demais, mas o elenco primoroso e a direção de Joana Jabace seguraram a peteca com brio. Ah, sim, e viva Paulo Freire!

SHIPPADOS (Globoplay)
Só fui ver a série inteira depois que morreu sua co-autora, Fernanda Young. E fiquei com um gosto mais doce do que amargo na boca: o amor entre Enzo (Eduardo Sterblitch) e Rita (Tatá Werneck), que floresce em plena era dos aplicativos de pegação, é um belo contraponto à estreia de Fernanda na TV, "Os Normais" (2001). Ponto-bônus: Júlia Rabello está no elenco.

SUCCESSION (HBO)
Foi só na segunda temporada que esta série realmente pegou fogo, mesmo falando de um tema alheio a 99,999999% da população: o controle de um grande império de mídia. Mas por que a divina Hiam Abbass não ganhou um papel maior?

YEARS AND YEARS (HBO)
Quase que um longo episódio de "Black Mirror" dividido em seis partes. O futuro próximo do Reino Unido, com políticos populistas, tecnologia invasiva, crises migratórias e quebradeira geral, já começou. Pena que muita gente parou de ver quando morreu XXXX.

Menções honrosas: AMIZADE DOLORIDA e SPECIAL, duas séries de pegada LGBT que estrearam na mesma época na Netlfix e têm formato inovador: episódios de apenas 15 minutos, que podem ser vistos durante uma viagem de metrô.

By royal appointment: a terceira temporada de THE CROWN. Depois de um hiato de dois anos, a série voltou à Netlfix com um elenco totalmente renovado e mais suntuosa do que nunca. Qual é o seu episódio favorito? Eu estou dividido entre os dois protagonizados pela princesa Margaret (a esplêndida Helena Bonham-Carter) e aquele da freira grega que é mãe do príncipe Philip.

 Last and, yes, least: eu também me decepcionei com o final de GAME OF THRONES. A oitava e última temporada teve episódios sensacionais, mas o desfecho da epopeia pareceu apressado, como se os roteiristas estivessem com um táxi com o taxímetro ligado esperando na porta. O fim da série da HBO também marca um momento histórico: foi a última vez em que todo mundo assistiu ao mesmo programa ao mesmo tempo.

7 comentários:

  1. Débora Bloch é divina, mas está na hora da Talita Carauta se afastar das comédias vulgares e assumir o ar de divindade que ela também possui, conforme ela demonstrou na série!

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  2. Passo raiva em The Politician com o Payton se fazendo de hétero. A cara do Ryan Murphy fazer isso, só falta ele sair por aí falando que o personagem é hetero mesmo

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  3. Não vi GOT e agora mesmo sabendo que o final é broxante que não verei.

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  4. O Tony saúda o Paulo Freire! Realmente.... 🤮

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    1. Saúdo PRACARALHO.

      Vai ler livro suave, vai, seu asno.

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