segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

AS AMÉRICAS INVISÍVEIS

Depois de premiar o cinema latino-americano por dois anos seguidos, o Oscar resolveu dar um tempo. Nenhum filme do hemisfério ocidental, da Groenlândia à Patagônia, entrou para a lista dos 10 pré-finalistas divulgada hoje. "A Vida Invisível", apontado como um dos favoritos por muitos sites especializados, ficou de fora, assim como todos os candidatos do resto do continente. Também há algumas outras ausências surpreendentes: nenhum filme da Escandinávia emplacou, algo que não acontecia há uma década, e a Alemanha, o país favorito da Academia, também foi ignorada - algo que sempre acontece quando o candidato de lá não fala de nazismo nem comunismo. O que aconteceu dessa vez foi a confirmação de uma tendência que vem crescendo nos últimos anos: a predominância de países da antiga Cortina de Ferro. Nada menos do que seis dos 10 selecionados vêm de lá. Nenhuma grande surpresa no grupo: na verdade, todos estavam sendo cogitados. E no final vai mesmo ganhar "Parasita", que já virou um fenômeno de bilheteria nos EUA. Mesmo assim, é notável a façanha do macedônio "Honeyland", que entrou tanto para o shortlist de filme internacional como para o de documentário. E é lá que também está o nosso prêmio de consolação: "Democracia em Vertigem", de Petra Costa, ficou entre os 15 pré-finalistas. Agora é torcer para que esse manifesto descaradamente contra a direita porca que chegou ao poder no Brasil consiga uma das cinco indicações, que serão divulgadas em janeiro. Mas já podemos zombar dos minions, que têm mais um motivo para cancelar a Netflix.

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