domingo, 17 de novembro de 2019

TINTA FRESCA


Martin Scorsese é um dos meus cinco cineastas favoritos. Nunca vi um filme dele que não fosse pelo menos muito bom. Dá para imaginar como estava minha expectativa para "O Irlandês", ainda mais depois que as primeiras críticas vieram esplendorosas. Comprei meu ingresso com uma semana de antecedência para uma das sessões especiais que a Netflix está promovendo esta semana em S. Paulo. Preparei um farnel para enfrentar as três horas e meia sem fome nem sede, e quase levei uma almofada para o cinema. E aí... gostei. O filme é mesmo muito bom. Mas não achei espetacular. O que há de errado comigo? Vai ver que eu estava esperando pelo Scorsese exibicionista, aquele que faz um plano-sequência com 15 minutos de duração, ou por alguma montagem de arrepiar os cabelos feita por sua editora de sempre, Thelma Schoonmaker. O que há é um storytelling maduro, sem pressa, mas também sem enrolação. O ritmo cai de vez em quando, mas a sensação é mesmo a de que estamos maratonando uma boa série. Robert De Niro e sua eterna boca virada para baixo não me seduziu, mas Al Pacino está em chamas e Joe Pesci, em fogo baixo, queima tanto quanto. O efeito o de rejuvenescimento dos atores também está perfeito, e quem disser o contrário só está sendo implicante. Mas o drama do não-arrependimento e não-redenção do protagonista não me pegou. Talvez o filme ainda cresça dentro da minha cabeça. Talvez eu tenha que esperar a tinta secar na parede, como a do título do livro original: "Ouvi Dizer que Você Pinta Casas" (ou seja, é um matador de aluguel).

11 comentários:

  1. glamourizando assassinatos e gangster! O que o cinema americano saber fazer, lixo! Mas ineflizmente eles ganharam a guerra cultural, ler: quem pagou a conta. Obrigado não verei.

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    1. 12:37Você é só um chato!
      G-

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    2. Tb acho o tema batido.

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    3. Cala a boca moralista de merda! Glamorizar? KKKKKKKKKKKKKKKKKKK E o cinema brasileiro não faz isso também? Cidade de Deus, Bacurau, Cangaceiros. Se não gosta vai assistir desenhos animados ou só assistir filmes blockbusters. Essa esquerda e seu anti-americanismo doente. Vai morar lá na China lá só passa filmes de ação sem cérebro, filmes idiotizados pra ninguém questionar a ditadura.

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    4. Esquerdista falando em "glamorizar a violência" chega a ser engraçado vindo de pessoas que glamorizaram o Che Guevara, Stalin a revolução russa e diversos ditadores comunistas que mataram e praticaram genocídios.

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    5. Olha esse maluco. Usando os mesmos argumentos que conservadores de direita que "marxistas e comunistas usam a mídia pra doutrinar". Agora se vc odeia tanto os americanos por que usa uma invenção deles que a internet?

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    6. E dai se glamoriza a violência? Agora todos vão ter que ver filmes piegas sobre lições de amor e amizade? Não poderemos mais ver filmes de ação ou terror? Se não gosta vai assistir Ursinhos Carinhosos.

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    7. O irlandês : deixa claro que Martin Scorsese nunca endossou a violência da máfia. Ao apresentar essas figuras conflituosas, muitas vezes retratadas por De Niro, da masculinidade americana, Scorsese não está sentado atrás da câmera, dando um grande sinal de positivo; ele está comunicando sua frustração e fúria de que esses personagens possam ser despertados por um certo tipo de espectador. Pense na conclusão de O Lobo de Wall Street , enquanto a câmera olha para o rosto de uma multidão de pessoas ouvindo um Jordan Belfort reformado descrever seus esquemas de enriquecimento rápido, absorvendo-os para que eles possam tentar por si mesmos. Pense em como GoodFellas termina com Henry Hill (Ray Liotta) lamentando seu destino nos subúrbios. Essas não são celebrações de mau comportamento; devemos nos afundar em tais atos, para que as condenações de Scorsese sejam ainda mais fortes.

      E não há condenação mais forte do que os momentos finais de O Irlandês. No auge de Frank Sheeran, ele vivia uma vida confortável com uma família. Quando o filme termina, Frank perdeu todo mundo em sua vida - Peggy ainda está viva, mas se recusa a interagir com o pai, mesmo sob o pretexto de seu trabalho como caixa de banco; todos os outros faleceram. Tudo o que Frank deixou são suas memórias, memórias que ele nem consegue acumular tanto para realmente se valorizar. Por último, Frank, perdido em pensamentos e sozinho e abandonado.

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    8. Olha esse comentário totalmente moralista e careta. Segundo a sua lógica vamos ter que só assistir apenas filmes família ou infantis.

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    9. A representação da imoralidade não é necessariamente um endosso a esse comportamento. Mesmo se fosse, por que deveria importar? "Não existe livro moral ou imoral", proclama Wilde. 'Livros são bem escritos, ou mal escritos. Isso é tudo.'

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  2. Arrasou hoje na coluna da Folha. Muito boa. É isso aí culega.

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