domingo, 24 de novembro de 2019

CHALAMET MINGUÊ


Fazia tempo que eu não ria tanto num filme do Woody Allen. Mas pelas razões erradas: "Um Dia de Chuva em Nova York" tem personagens ridiculamente inverossímeis e situações mal-construídas. O protagonista é uma rapaz rico chamado Gatsby, e eu suspeito que Woody só não o batizou de Riquinho Rico para não ter problemas legais. Gatsby fuma cigarros com piteira, toca piano no bar do hotel Carlyle e cita filmes antigos como se não houvesse "Star Wars". Ou seja, é o que Woody imagina como seria um playboy dos anos 1950. Mas o mancebo não é o único que está preso no passado. A mocinha espevitada feita por Selena Gómez usa "Gigi" como referência, e Diego Luna faz um astro latino que irrompe em cena vestido de Zorro. Tudo isso teria seu charme se "Um Dia de Chuva em Nova York" tivesse pé e cabeça. Mas o roteiro é pointless, movido a conicidências absurdas. O que não quer dizer que este longa, pronto há um ano e engavetado pela Amazon, seja ruim. Woody Allen não faz nada que não seja, no mínimo, agradável. E qualquer coisa com o Chalamet é boa, de acordo com o decreto-lei que eu me auto-impus.

10 comentários:

  1. Interessante...ele é um pedófilo e acho que eu passo. Viva Ronan Farrow!

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    1. Agora temos gerado uma geração de detetives morais que aparentemente são obcecados pelo comportamento de escritores e outros artistas.

      e entregássemos todas as obras de escritores moralmente duvidosos ao buraco da memória, o cânone ocidental seria tão frágil que dificilmente valeria a pena ler.

      O romancista Anatole France comentou certa vez que é igualmente bom que o coração seja ingênuo e a mente não. Se os anjos escrevessem, ele opinou, eles certamente produziriam literatura ruim. Oscar Wilde colocou de outra maneira em The Critic as Artist, quando observou que "toda poesia ruim surge de sentimentos genuínos". Basta visitar um cemitério para ver se ele está certo; alguns dos epitáfios mais obscuros que eu já vi surgiram claramente de uma profunda tristeza. Os críticos, em outras palavras, devem ser gratos por nem todos os artistas serem pessoas decentes.

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    2. Boas críticas são capazes de equilibrar a subjetividade do temperamento pessoal com a objetividade da experiência profissional. Picture of Dorian Grayfoi universalmente condenado pelos críticos com base em que era "pruriente, imoral, cruel, grosseiro e bruto". Quando o romance foi republicado, Wilde acrescentou um prefácio como uma forma de refutação, que deveria ser uma leitura obrigatória para todos os críticos hoje. Nele, ele explica que o vício e a virtude são simplesmente "materiais" para os artistas, lembrando-nos que a representação da imoralidade não é necessariamente um endosso a esse comportamento. Mesmo se fosse, por que deveria importar? "Não existe livro moral ou imoral", proclama Wilde. 'Livros são bem escritos, ou mal escritos. Isso é tudo.'

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  2. Prefiro ele pedófilo mil vezes a qualquer filme de super herói! Engraçado como hoje as pessoas julgam os artistas e não suas obras, que é o que fazem deles artistas! Se a arte fosse feita só de pessoas de boa reputação, o teto da capela sistina seria uma mistura entre ursinhos carinhosos e teletubbies; a Monalisa seria a Minnie Mouse; e Crumb seria substituído pelos gêmeos Rafael Moon e Gabriel Bah (acho que é esse o nome daqueles babacas). PS: O que eu disse sobre o Woody Allen vale também pro Polanski!

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    1. Pra vc ver o nível de esquerda de hoje. Estão ficando mais moralistas e conservadores que a própria direita.

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  3. Acho o Timothée Chalamet um ator muito elegante.

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  4. Hummm
    Tony, é aqueles tiozões do grindr que colocam: só curto novinhos!
    Kkkkkkkkk

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    1. Só não. Na verdade, eu curto de um tudo.

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    2. achei o trailer moooito bacana. and u know, um woody allen ruim está acima da média de 99% dos filmes em cartaz hoje. #sóvai

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