terça-feira, 22 de outubro de 2019

TERRA EM TRANSE

O que está acontecendo na América do Sul? São ventos vindo do El Niño? O Chile, tido como um exemplo para toda a região, está enfrentando uma onda de protestos piores que as nossas Jornadas de Junho. O presidente do Equador quase caiu por causa de um aumento no preço da gasolina. O Peru dissolveu o Congresso e convocou eleições gerais para janeiro. E, no caso mais grave de todos, Evo Morales fraudou as eleições na Bolívia. Sua própria candidatura já era uma fraude: a Constituição que ele mesmo promulgou proibia que ele se candidatasse novamente, e o plebiscito que ele mesmo promoveu decidiu que não, ele não poderia se candidatar mais uma vez. Aí Evinho invocou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, apenas, alegando que era seu direito humano se eternizar no poder, e um tribunal camarada validou sua pretensão. Então os bolivianos levaram o resultado para o segundo turno, mas o proto-ditador (cada vez menos proto) suspendeu a apuração por quase um dia. Quando voltaram a contar os votos, supresaaa: Evo Morales havia sido reeleito em primeiro turno. Agora a Bolívia também está sublevada. Não duvido nada que, daqui a pouco, esses ventos soprem no Brasil.

25 comentários:

  1. Aqui a situação é pior, a apatia do nosso povo nos levou a esse desgoverno de beócios.

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    1. apatia?? voce quer dizer PASSIVONAS???

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    2. Ô obsessão. Pq vc não se aceita, Mona? Só um passivo envergonhado usa passivo como xingamento.

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  2. Na verdade, no mundo todo. Entramos nessa era da revelação do ódio. Tudo muito Kabbalistico. Nos comentário do Zohar, o Baal HaSulam já falava que depois da última década do século XX (!!!) gradualmente o ódio entre as pessoa que ainda estava escondido iria se revelar. E que a humanidade teria dois caminhos para seguir o da dor, partir para rompimento com crises, tumultos e toda sorte de golpes, ou de amor, reconhecer as diferenças e mudar a forma de agir direcionada para o próprio ego para uma forma altruísta e empática. Como a segunda forma nos parece impossível, acho que veremos a piora desse estado geral de revolta.

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  3. Sinais da crise do capitalismo? Da desigualdade social?

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    1. Sim, desde a crise de 2008 o mundo não é mais o mesmo. Os governos injetaram milhões/bilhões para salvar os bancos e o capitalismo ao mesmo tempo que diziam para sua população que a austeridade era necessária e que não havia dinheiro para serviços públicos de saúde, educação, etc. e que se investissem em serviços públicos "imprimindo" dinheiro ocorreria inflação, mas os dinheiro "imprimido" para salvar o capitalismo da crise não criou inflação. Veja o tanto de pessoas no "rally" do Bernie Sanders em NY essa semana. Os capitalistas acharam que com o fim da URSS nada poderia detê-los, uma crise, desigualdades e riots por todo lado mostraram o contrário. Agora ou voltamos para a época do totalitarismo, para os capitalistas manterem sua influência sobre o sistema (parece o caminho do Chile, onde o presidente - ele msm um bilionário - anunciou, rodeado de milicos, estado de guerra contra a própria população) ou uma transição para outro modelo econômico (não necessariamente o socialismo) que parece ser o caminho dos EUA (e consequentemente do mundo) se Bernie ganhar!
      Nick

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  4. Quando a extrema direita (ou esquerda) sobe todo mundo desce...

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  5. O Mio Babbino Caro
    E o Brasil como somatória disso tudo é a bola da vez, veremos como se dará.
    O Chile com seus velhinhos mal-ajam brados era o modelo econômico do Sr. Paulo Guedes. Com certeza terá que ser revisado, para dizer o mínimo. Quanto a Tribunal Camarada, temos exemplos de sobra, dependendo de para quem convém.

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  6. Aqui??? Ao sinal do primeiro ventinho Bozonaro vai a televisão e brada "E o Lula? E o PT? Venezuela! Comunismo! Pronto, passou ventinho!

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  7. Pensei que o Tony iria falar sobre como o Chile chegou nisso com o Neoliberalismo, que muitos da elite acham que é a solução pro Brasil (bandeira do agora fortíssimo Novo), mas eles apenas falou de governos aleatórios.
    Se o Brasil copiar a receita do Chile, o nosso país vai virar uma Índia, com uma casta milionária e 150 milhões morrendo de fome e trabalhando em empregos sem carteira.

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    1. O Chile chegou nisso por causa do neoliberalismo. O país tem boa renda per capita e baixa dívida pública, mas peca num quesito essencial: oferece relativamente poucos serviços públicos. A população quer mais.

      O grande erro do neoliberalismo é se fixar nos números, sem lembrar que existem seres humanos por trás deles.

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    2. Os mortadelas e amigos do presidiário de Curitiba
      estão chorando de rir com isso.Mas o presidente
      do Chile não é ignorante como o nosso brazuca,sim.

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    3. Santiago parece uma cidade do interior. A noite tem muito menos opções que uma Campinas ou Ribeirão Preto. Valparaíso é uma favelona e Viña Del Mar parece um balneário fantasma, parado nos anos 70: tudo degradado, vazio, morto. Nem a neve tem aparecido como antes e muitas estações de esqui andam às moscas. E supostamente é o melhor que temos na América Latrina. Se isso é o melhor...

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    4. Acho que não fomos ao mesmo país...

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    5. Pois é, muita gente volta encantada, mas eu me decepcionei. Achei o metrô fuleiro também. O estádio em que fui pra um jogo da Copa América era muito pequeno, me lembra estádios antigos de times do interior (não vou citar aqui pra não me comprometer hehe). Tudo era desorganizado no estádio, e na saída teve tumulto pra pegar o trem. Ainda comi um treco horrível na frente do estádio, feito de tripa. Acho que de positivo só alguns excelentes restaurantes (fujam do giratório) e o sábado na Bunker. Aqui na AL sou bem mais a velha e boa amiga BsAs, quando quero uma viagem legal, rápida e barata passo até fds esticado lá. Mas não sinto a menor vontade de voltar ao Chile. A cordilheira é linda de se ver do avião, mas uma vez me foi suficiente. Gosto, né?

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  8. 1-"boa renda per capita"
    1.1-"It is a mean value and does not reflect income distribution. If a country's income distribution is skewed, a small wealthy class can increase per capita income substantially while the majority of the population has no change in income. In this respect, median income is more useful when measuring of prosperity than per capita income, as it is less influenced by outliers"
    1.2 Visualizar o mapa do coeficiente de gini:https://pt.wikipedia.org/wiki/Coeficiente_de_Gini#/media/Ficheiro:2014_Gini_Index_World_Map,_income_inequality_distribution_by_country_per_World_Bank.svg
    1.3-Desigualdade entre primatas,um estudo:https://www.youtube.com/watch?v=meiU6TxysCg
    Nick

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  9. "É verdade que o Chile se tornou mais desigual ao longo da última década? Não, de acordo com a medida mais adotada pelos economistas, o índice de Gini. Em 2003, ele era de 0,51 no Chile (no Brasil, 0,56; na América Latina, 0,52). Em 2017, caíra para 0,45 (no Brasil, para 0,54; na América Latina, para 0,47). O Chile não é apenas menos desigual que México, Brasil, ou Colômbia, mas, a exemplo de Uruguai, Argentina e Equador, tem se mantido pouco abaixo da média continental.

    [...]

    Desde os anos 1980, a pobreza chilena caiu de 40% da população para abaixo de 10%. A inflação está sob controle, e o crescimento também se mantém acima da média latino-americana, embora tenha caído nos últimos anos com o estouro da bolha das commodities. Como ocorreu em 2013 no Brasil, a revolta chilena espelha muito mais uma percepção disseminada pelas redes sociais do que a realidade da economia, ainda que ela enfrente mesmo dificuldades.

    A lenda urbana sobre o aumento de suicídios entre os idosos que ganham pouco é um ótimo exemplo de como a desinformação alimenta a revolta. Em 2016, o Chile estava na 118ª posição na lista dos países com maior taxa de suicídio na população acima de 70 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Eram 15,4 para 100 mil habitantes, metade da média mundial, de 29,7."

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  10. 2019 tem sido um ano conturbado para a América Latina. Na Venezuela, a Assembleia Nacional dissolvida por Maduro elevou Juan Guaidó ao posto de presidente da própria instituição e trava uma luta política que já dura quase um ano contra o governo bolivariano. No Equador, Rafael Leão, presidente do país entre 2005 e 2018, é acusado de comandar levantes contra o atual presidente Lenín Moreno. No Chile, a população se rebelou contra os aumentos na passagem de metrô e na tarifa de eletricidade. Isso sem falar de Bolívia e Perú...

    O fato é que no Brasil, infelizmente, a “primavera latina” repercute da pior maneira possível. Acho que nada me incomoda mais que o exaltado apoio da esquerda aos protestos no Chile, ao mesmo tempo que o espectro trabalhista\marxista do país faz um silêncio incrível sobre o que acontece, por exemplo, na Venezuela, país com uma densa lista de presos políticos e mortos em manifestações contra o governo.

    Os problemas da Venezuela vão muito além da esfera política e castigam duramente a população mais pobre. A Fundação Bangoa, ONG que elaborou estudos sobre a alimentação na Venezuela entre 2016 e 2017, mostra que a perda de peso média acumulada nestes dois anos foi de 19,4kg. Ontem o FMI publicou um artigo que indica que a crise Venezuelana estava longe do ápice em 2017, o artigo diz que o PIB venezuelano pode encolher mais de 20% em 2019.

    Do outro lado, o Chile, país campeão em indicadores sociais e econômicos na América do Sul. Maior longevidade, maior renda média, além do ótimo desempenho no acesso ao ensino superior e nos anos de estudo. O fato é que hoje, o Chile é um país quase tão rico quanto Portugal, enquanto a Venezuela caminha para se tornar o país mais pobre do continente.

    Nenhum Estado está acima de críticas, mas isso não significa dizer que toda crítica seja legítima ou verdadeira. Definitivamente não é nosso papel dizer se os chilenos têm legitimidade ou não para protestarem contra o aumento nas tarifas. Esse é um debate deles.

    O problema, pra nós, é como o nosso espectro progressista tem lidado com a crise política da América Latina.

    Não precisa ser grande analista político pra concluir que o alinhamento da esquerda brasileira não é com a agenda que, de fato, melhore a qualidade de vida dos mais pobres como diz o discurso. O alinhamento das esquerdas é com a ideologia do governo e o modelo das instituições existentes no país em questão.

    Se o ensino superior é pago no Chile, também é na China. Se o regime de aposentadorias no Chile é duro, pois ainda assim o país andino ainda gasta mais que a China com seguridade. Na agenda social, o Chile protege mais as frações mais pobres da sociedade que a China. Mas no fim das contas, a China serve de modelo e o Chile de escárnio. Por quê? Muito provavelmente o que está em jogo são as instituições, enquanto os asiáticos ergueram o país a partir da tradição marxista, os chilenos o fizeram a partir da tradição liberal e Maduro tenta aprofundar o marxismo, na Venezuela.

    O apoio a Maduro contra Guaidó na Venezuela é só mais uma evidência de que a esquerda brasileira parou na guerra fria.

    PS: A imagem não dialoga tanto com o texto, mas diz muito sobre quem deu certo na história.

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  11. Chile é um país rico com grande rotatividade política e histórico de defesa da democracia (desde o fim da ditadura de Pinochet)
    Bolívia e Venezuela são países pobres sem nenhum tipo de rotatividade política e com um longo histórico de autoritarismo institucional.

    Porque a postura do espectro trabalhista é leniente com os dois últimos países? Ambos são governados por marxistas.

    Não precisa ser um grande analista político pra concluir que a "centro-esquerda" brasileira parou na guerra fria.

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  12. Curiosamente a Venezuela esta em "convulsão social" ha muito mais tempo que o Chile, com repercussões violentas e mortais pelo governo, que suprime qualquer manifestação na bala e violência - mas nesse caso a esquerda Brasileira acha que as manifestações populares são parte do golpe Yankee.

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  13. Protestos no Chile: "Salvem os Chilenos, neoliberalismo mata!"
    Protestos em Hong Kong: "A China precisa reprimir esses vândalos para manter sua soberania."

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  14. China e Chile são evidentes casos de sucesso econômico entre países emergentes. O Chile, aliás, já é considerado país rico por algumas organizações internacionais. A China segue dando passos largos para se tornar país rico também.

    A única ironia em toda essa onda de protestos no Chile é que as críticas ao modelo chileno, por este país não possuir uma teia de proteção social tão sólida quanto alguns de seus vizinhos, partem das mesmas pessoas que exaltam o modelo chinês por este ter supostamente "mais preocupação com as demandas das classes trabalhadoras".

    O que o velho jargão atribuído a literalmente qualquer país governado por socialistas tem de velho, ele também tem de inconsistente. Apenas o governo central chileno gasta mais com educação e saúde que o conjunto de todas as esferas federativas na China.

    Apesar disso, a carapuça de "neoliberal anti povo" só cabe ao primeiro. O país asiático pode gastar quanto quiser com welfare state, pois na cabeça do militante médio o que determina a sensibilidade social do governo é a sigla do partido que lidera o país, e não a fatia da renda nacional que o Estado de fato compromete com os serviços públicos.

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  15. A esquerda que caça políticas liberalizante na América Latina e no resto do mundo pra usar como bode expiatório pro atraso de literalmente qualquer país, é a mesma esquerda que exalta o grande exemplo de sucesso do """""""""socialismo"""""""""""" no Século XXI, um país cuja teia de proteção social é muito mais enxuta que a de países como Estados Unidos e Chile, terra de mega milionários protegidos pelo Estado onde 1 a cada três dolares arrecadados vão pra industria, industria que aliás é beneficiada com mais dinheiro público que a educação, a saúde ou a seguridade social.

    As vezes eu só queria que o capitalismo e o socialismo fossem analisados com base em critérios objetivos. Só queria que a paixão fosse deixada um pouco de lado e que os militantes passassem a analisar dados.

    Eu literalmente não tenho mais saúde mental pra lidar com o marxismo enlatado da "centro-esquerda" brasileira

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