quinta-feira, 31 de outubro de 2019

PAPAS MÓVEIS

Ufa. Acabou a Mostra. Ainda tem a repescagem, mas os poucos filmes que me interessam passam em horários complicados para mim. Já basta a cerimônia de encerramento de ontem, que começou com uma hora e meia de atraso e ainda entregou trocentos troféus antes de exibir "Os Dois Papas". Mas valeu a pena: o primeiro longa de Fernando Meirelles em mais de sete anos é magistral. Adaptado de uma peça do neozelandês Anthony McCarten, que cometeu o roteiro de "Bohemian Rhapsody" mas foi indicado ao Oscar por "A Teoria de Tudo e "O Destino de uma Nação", o filme só poderá ser visto por aqui na Netflix, onde estreia em dezembro. E não, não parece teatro filmado: tem muitas cenas na Argentina, muitos flashbacks e sequências espetaculares que parecem mesmo terem sido rodadas no Vaticano e em Castel Gandolfo, a residência papal de verão. Mas são os diálogos entre os então papa Bento 16 e cardeal Jorge Bergoglio que mais prendem a atenção. O argentino vai pedir sua aposentadoria ao alemão, num encontro que eu não sei se aconteceu de fato na vida real. Não importa: tudo soa verdadeiro. Jonathan Pryce provavelmente terá sua primeira indicação ao Oscar, pois está soberbo como o papa Francisco. Mas ele é quase ofuscado por um Anthony Hopkins em estado de graça, que consegue humanizar e até tornar simpática uma figura que eu sempre detestei, Joseph Ratzinger. Juntos, eles mostram como a Igreja tenta romper a imobilidade histórica e parar de perder fiéis (como eu, por exemplo). Há que se interessar por história, política e religião para gostar de "Os Dois Papas", a antítese de um filme de Marvel. Mas tem pelo menos um herói de carne e osso, a depender da sua inclinação política.

6 comentários:

  1. Legal...
    Achei meio The Crown do Vaticano. Rsrs

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  2. É o segundo argentino chefe de estado interpretado pelo Jonathan Pryce.

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    1. Qual foi o outro?
      Vc assistiu ele em A Esposa? Estava tão soberbo quanto a Glenn!

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    2. Ao 10:54: Assisti sim e comentei isso na época. Confira:
      http://www.tonygoes.com.br/2019/01/ele-tambem.html

      Ao 13:18: Sim, Jonathan Pryce fez Perón em "Evita", ao lado de Madonna e Antonio Banderas.

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  3. Ratzinger defendeu a palestina mas nem por isso era NAZISTA, alias israel é bem dificil de se defender...haja filme sobre o holocausto pra ter simpatia pelo monstro Netanyahu.

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