quinta-feira, 24 de outubro de 2019

MOSTRA À TROIS - part deux


Sobrevivi a mais um round de pré-candidatos ao Oscar de filme internacional em exibição na Mostra de São Paulo. Um deles foi o representante da Noruega, "Cavalos Roubados", apontado pelos sites do ramo como um dos favoritos à indicação (a vitória já é de "Parasita" - desistam, fãs de "A Vida Invisível"). O filme é um drama que se passa em duas épocas: 1999, quando o protagonista é feito por uma cara conhecida, Stellan Skarsgård, e durante a 2a. Guerra, quando o país estava ocupado pelos nazistas. A fotografia é belíssima, os atores são incríveis e os inúmeros acidentes - desastres de carro, quedas de cavalo, troncos que caem - são filmados com perícia. Mas alguma chave não me girou, porque eu não consegui me conectar emocionalmente ao longa. Próximo!

Achei que iria acontecer o mesmo com "O Jovem Ahmed". Afinal, eu nunca fui muito fão do estilo lacônico dos irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne. Mas não é que eu gostei? Não há um único frame a mais ou a menos na história do moleque belga de 14 anos que, influenciado por um imã radical, entra em vias de se tornar um terrorista islâmico. Ele tenta assassinar a professora "impura", que ousa ensinar árabe com a ajuda das letras de canções populares, e vai para o reformatório, onde finge se recuperar. A temática é parecida com a do recente "Adeus à Noite", mas o resultado é bem melhor. Os Dardenne mereceram o prêmio de direção no último festival de Cannes, uma espécie de 3o lugar.


"La Mala Noche" é o candidato do Equador, um país que tem uma produção cinematográfica pequena e irregular (este é apenas o segundo filme de lá que eu vejo na vida). Trata-se de um drama sobre escravidão sexual, protagonizada por uma ótima atriz chamada Noëlle Schönwald. Mas a narrativa da diretora Gabriela Calvache é meio confusa, e o desfecho, embora realista, deixa um gosto amargo no olho do espectador. Acho que não tem muita chance entre os membros da Academia. De qualquer forma, é curioso como a escravidão, em suas diversas formas, entrou para a ordem do dia. Talvez estejamos dispostos a acabar com ela?

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