domingo, 27 de outubro de 2019

MOSTRA À QUATRE


Essa Mostra não termina nunca... Nos últimos dois dias eu vi quatro filmes de quatro países diferentes, mas confesso que estou um pouco cansado. Pelo menos três dos filmes foram muito bons. Talvez o mais interessante seja "Apenas 6,5", o maior sucesso do ano nas bilheterias do Irã. Estamos acostumados aos filmes de arte vindos de lá, mas este aqui é um thriller de ação para Hollywood não botar defeito. O título se refere aos seis milhões e meio de usuários de drogas que o país diz ter, e a trama mostra o embate entre um policial durão e um chefão do tráfico. "Apenas 6,5" é vigorosamente contra qualquer droga (inclusive o álcool, proibido pelo Islã) e não está interessado nas mazelas sociais que facilitam o consumo e o comércio de entorpecentes. Mas mostra uma realidade que, aqui no Ocidente, a gente não conhece: uma cracolândia bem no centro de Teerã. A duração podia perder uns vinte minutos para o meio ser mais ágil, mas começo e final são soberbos. Uma boa surpresa.


Um que me surpreendeu negativamente foi "Deus É Mulher e Seu Nome É Petúnia" (o exibidor brasileiro resolveu mudar o nome da protagonista, Petrúnia, com R). Premiado em Berlim, o filme da Macedônia do Norte (o segundo que eu vejo este ano!) tem uma boa premissa. Uma moça gorda e feia, frustrada com o desemprego, participa num impulso de uma cerimônia reservada aos homens: mergulha no rio e recupera uma cruz atirada n'água por um padre, o que lhe garantiria um ano inteiro de boa sorte. Segue-se um escândalo, Petrúnia vai parar na delegacia e daí não passa. Fiquei esperando uma reviravolta ou  um final satisfatório, mas não. O roteiro empaca, como as tradições do país.


Já o representante da Alemanha no Oscar é ótimo, mas duvido que tenha chances. O país só emplaca finalistas quando fala de nazismo ou comunismo; seus problemas contemporâneos não atraem a atenção da Academia. E o problema mostrado em "System Crasher" (a Mostra manteve o título em inglês) é até comum: Benni, uma garota de nove anos, é jogada de um lar adotivo para o outro, porque não consegue controlar suas crises de fúria. Tudo o que ela quer é voltar a viver com a mãe, que tem outros dois filhos pequenos e sempre um namorado desagradável de plantão. Todo o sistema de proteção social alemão se une para ajudar Benni, mas ela parece refratária a qualquer coisa que não seja morar com a mãe (e nem isso dá certo). Helena Zengler dá, talvez, a melhor performance infantil de todos os tempos, fazendo de "System Crasher" um filme para lá de incômodo (e com alguma semelhança com o "Mommy" do Xavier Dolan). Quem vai encarar?

"O Pássaro Pintado", que vai disputar o Oscar pela República Tcheca, tem uma curiosa simetria com "System Crasher". Aqui também o protagonista é uma criança em apuros, só que o mundo parece resolvido a eliminá-la. O romance de Jerzy Kosinski virou um filme com quase três horas de duração, que lembra a maratona de uma minissérie: é dividido em episódios, alguns bem cruentos. Tem uma maravilhosa fotografia em preto-e-branco e a participação de muitos atores interancionais, incluindo Udo Kier ("Bacurau"). A história se passa em algum lugar da Europa Oriental no que parece ser a Idade Média, mas logo percebemos que é durante a Segunda Guerra Mundial. O menino judeu e sem nome vai passando de mão em mão, sempre com alguém tentando explorá-lo economica ou sexualmente. De novo, não é para os mais sensíveis. Mas é um baita filme.

6 comentários:

  1. Muitos usuários de heroína no Irã que vem do Afeganistão

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  2. Tony,tem uma trans brasileira cantora sensacional no The Voyce Germany, chamada Oxa, corre lá!!
    Beijos

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  3. Tony fiquei interessado no filme iraniano,dessa não sabia,uma crackolandia em plena Teera e tem evangélico ingênuo que acha que se tivermos um governo totalmente evangélico,pq o Bozo ainda se diz católico,tem uma boa parcela de apoio entre os católicos tbm, principalmente os olavetes e o próprio Olavo de Carvalho odeia os evangélicos,já disse que as igrejas evangélicas fizeram mais mal ao Brasil que a esquerda inteira,já chamou os reformadores Lutero e Calvino de filhos da puta,então os evanjas estão com o Bozo,por falta de opção,pq é o mais conservador que eles acharam,mas não o consideram como um deles,eles acham que um verdadeiro evangélico livraria o país das drogas,agora vejo que nem os aiatolas que aplicam pena de morte para porte de drogas conseguiram

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  4. Tony escreva algo sobre o Jorginho Fernando,gostava dos trabalhos dele na TV Globo,principalmente dirigindo comédia,Vamp,Vira Lata,mas confesso que não conhecia muito o trabalho dele no teatro,porém assisti a um show de Ney Matogrosso(Destino Aventureiro)dirigido por ele,que também era do vale,porém nunca apresentou namorado,nunca se assumiu totalmente, não foi militante,todavia não se fingia de hétero

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  5. Fale também da prefeita LGBT eleita em Bogotá,Claudia Lopez

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  6. A prefeita comemorou a vitória com beijo na esposa

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