quarta-feira, 30 de outubro de 2019

MOSTRA À QUATRE - part deux


Vi quatro filmes esquisitos nos últimos dois dias. O primeiro deles venceu o festival de Berlim: é o franco-israelense "Sinônimos", que já tem estreia garantida no Brasil. O protagonista é um bonitão que aparece pelado quase metade do tempo, mas sua beleza é amortecida pela personalidade. O cara é um puta chato. É um ex-soldado de Israel que quer se esquecer de seu país natal e se estabelecer na França; até hebraico ele se recusa a falar. "Sinônimos" discute identidade e pertencimento, sem oferecer propriamente uma trama. Isto não seria grave se o personagem gerasse empatia. Não gera.


Mais estranho ainda é "Monos", que irá representar a Colômbia no próximo Oscar. Um grupo de adolescentes guerrilheiros mantém uma americana refém no alto de uma montanha. Ponto. Por que eles lutam? Qual sua ideologia? É impossível não lembrar o longo sequestro de Ingrid Betancourt pelas FARC, mas os moleques do filme não passam de estagiários da guerrilha. A atriz americana Julianne Nicholson faz a cientista capturada pela gangue, e sua total disponibilidade para se arranhar, sujar e levar bofetadas certamente contará pontos na Academia. A trilha sonora eletrônica ainda reforça o clima estapafúrdio.

Outro que tentará o Oscar é "O Paraíso Deve Ser Aqui", concorrendo pela Palestina. Assim como o italiano Nanni Moretti, o diretor Elia Suleiman gosta de se colocar como personagem e assunto de seus filmes. Também sem um plot definido, ele percorre Nazaré, a cidade em que mora, e também Paris e Nova York, um pouco em busca de financiamento para filmar, um pouco porque sim. Um produtor francês diz que seu roteiro não é "palestino o suficiente", como se um cineasta vindo de lá só pudesse falar da crise eterna com Israel. Na verdade, Suleiman fala da "palestinização" do mundo, que ergue barreiras e postos de controle até para as populações supostamente locais. Muito lindo e esquisito.


Para coroar essa tetralogia da estranheza, nada melhor que "O Farol". Um filme de terror ainda menos convencional do que "A Bruxa", o trabalho de estreia do diretor Robert Eggers. Dois homens - um mais velho, um mais novo - cuidam de um farol na costa da Nova Inglaterra no final do século 19, e demônios externos e internos aparecem para assombrá-los. Os dois brigam, se abraçam e quase se beijam, cercados por sereias, monstros e muita imundície. Robert Pattinson e Willem Dafoe estão ótimos, e a fotografia em preto-e-branco remete ao expressionismo alemão. Aliás, é quase um filme mudo, com pouquíssimos diálogos e um design de som fenomenal. Mas também é cheio de símbolos, sem uma mensagem óbvia e com um caminhão de referências. Vá com um amigo, para discutir depois.

4 comentários:

  1. O Farol representa qual país ?

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  2. Tantos filmes bons mas eu não sei o que está acontecendo comigo não tenho mais paciência pra assistir.

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  3. Olha...eu to tipo esse cara de synonimes! Eu detesto o Brasil e todo dia só penso em sair daqui. Estado assassino perverso 👿 de uma elite burra e espinheira que não produz nada ah e ainda tem a rede globo...

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    1. Todos os problemas do Brasil se resumem a Globo...por favor isso é muita alienacao.

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