segunda-feira, 7 de outubro de 2019

MORRE UMA ESTRELA


"Bohemian Rhapsody" estabeleceu um novo padrão para as cinebiografias de gente do showbiz. Depois de passar por muitas agruras, o biografado termina o filme de maneira apoteótica, recebendo os aplausos de uma plateia em delírio. Aí a imagem escurece e surge um letreiro na tela: fulano morreu x meses depois. Dessa forma, a plateia é brindada com um final aparentemente feliz. É o que acontece com "Judy", que eu vi aqui em Los Angeles mas ainda não tem data de estreia no Brasil. O roteiro se fixa numa temporada que Judy Garland cumpriu em Londres em 1969, seis meses antes de bater as botas. Ela está endividada, exausta, com saudades dos filhos e mais frágil do que nunca. Toma remédio para não ter fome, para dormir e para acordar. Alguns flashbacks mostram que foi sua própria mãe que a viciou quando adolescente. E, mesmo assim, se estive inspirada, ela faz um espetáculo arrasador. O problema é que nem sempre ela está inspirada. Renee Zellweger, assim como Joaquin Phoenix por "Coringa", já pode ir abrindo espaço na estante para o Oscar. Ela realmente está impressionante no papel. Sim, Renee beira o overacting em alguns momentos - mas a verdadeira Judy também era exagerada, sempre com as emoções à flor da pele. O espectador só lembra que está vendo a mesma atriz de "O Diário de Bridget Jones" quando Renee aperta os lábios de um jeito muito seu, como que se tivesse chupado um limão. A melhor transcrição para a tela da vida de Judy Garland continua sendo a minissérie "Life with Judy Garland: Me and My Shadows", de 2001, com Judy Davis como a protagonista. Mas "Judy" é uma boa condensação, apesar da família da homenageada contestar várias cenas. Se você é gay e não conhece direito Judy Garland, tem que preencher esta lacuna.

Um comentário:

  1. O filme já estreou aqui na Inglaterra, estou louca para assistir, amo as divas da Old Hollywood

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