sexta-feira, 4 de outubro de 2019

DESCABELANDO O PALHAÇO


"Coringa" é mesmo tudo isso que andam falando: uma obra-prima. E olha que sou eu concordando, que não curto muito filme de super-herói. "Ãin, mas o Coringa é vilão". Quem diz isso merece ser estapeado feito o Robin, pois o que interessa é que o personagem surgiu nas histórias em quadrinhos. E que personagem: simplesmente o melhor dos "universos" D.C., Marvel e adjacências. Tanto que já foi feito por atores do calibre de Jack Nicholson, Heath Ledger e Jared Leto (esse último eu não vi). Mas suspeito que a interpretação que vai entrar para a história é mesmo a do Joaquin Phoenix. Se ele não ganhar o Oscar por esta performance, melhor cancelar de vez a Academia. E que roteiro é esse, respeitável público? Uma das melhores histórias de origem de todos os tempos, que despreza as anteriores ao mesmo tempo em que incorpora detalhes preciosos do mundo de Batman. "Coringa" fala, antes de mais nada, de solidão, mas também de rejeição, doença mental, falta de noção e uma tristeza infinita. Só que não estamos diante de um incel. Essa versão do homem de cabelo verde até pega mulher, mas seus verdadeiros interesses estão em outra parte. As cenas de violência são poucas, mas de um impacto tremendo. O diretor e roteirista Todd Phillips evita que os corpos se acumulem na tela, para não anestesiar a plateia. Cada vez que alguém se machuca, dói no espectador. E ainda tem Robert De Niro como o apresentador de um talk show, numa citação/homenagem a duas obras de Scorsese que estão na raiz de "Coringa": "Táxi Driver" e "O Rei da Comédia". Todos esses elementos fazem com que o filme forme, ao lado de "Era Uma Vez... em Hollywood" e "Bacurau", uma espécie de trilogia sangrenta, mas também encharcada de humor negro e sabor de vingança. "Coringa" é agora. Nunca mais quero ver de novo.

10 comentários:

  1. Esse filme tá meio ame-o ou deixe-o (com uma vantagem pro primeiro). Ainda não vi, mas as críticas negativas vieram justo dos fãs mais puristas. Talvez porque o Coringa dos quadrinhos nunca teve una origem definitiva contada e a graça do personagem seja realmente não precisar justificar a crueldade dele.
    Mas essa que é a vantagem do filme ser uma adaptação. Não precisa copiar 100% os quadrinhos até porque são formatos e linguagens diferentes. Chuto que justamente quem não segue os HQs goste até mais, por não ter nenhum “bias” sobre o que esperar do personagem além do fato dele ser um vilão.

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  2. "Nunca mais quero ver de novo."

    ?

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    1. É um baita filme, mas também um sofrimento. Não tenho vontade de ver outra vez.

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  3. Diretor Todd Phillips.

    Todd e Coringa.

    Esses nomes me fizeram lembrar de uma das cenas mais violentas e chocantes da história da DC, quando o Coringa mata Jason Todd, o primeiro Robin, a golpes de pé de cabra. A morte de Todd foi decidida pelo próprio publico em uma votação por telefone realizada pela editora na época. O público decidiu que sim, Jason Todd deveria morrer nas mãos de Joker.

    Ainda não assisti ao filme. Até o momento a versão de Heath Ledger é a minha favorita.

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    1. Segundo Robin. Mesmo assim, boa correlação!

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  4. Posso estar errado, mas acho que o Coringa não pegou mulher "niuma" no filme - aqueles amassos com a personagem da atriz Zazie Beetz foi entendido como uma fantasia, um delírio do Joker diante da irrealização do romance

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    1. Mano, apaga que dá tempo. Soltar spoiler em comentários é a coisa mais chata do mundo. Tem como escrever sem soltar spoiler

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    2. Tarde demais pra mim. Seu escroto sem Jesus no coração.

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  5. Sorry, ele só pega mulher nos delírios dele.

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  6. Chato é ouvir os adolescentes chamando ele de viado nas cenas das danças. Mas eu entendo. As cenas são realmente desconfortáveis, e eles classificam com o nível de crítica que conhecem: chamar de viado.

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