domingo, 15 de setembro de 2019

PERDIDO NA TRADUÇÃO


Só me animei a ver "O Tradutor" agora, depois que ele foi escolhido para representar Cuba no próximo Oscar. Depois de uma passagem discreta pelos cinemas, o filme está no Telecine Play, e vê-lo em casa talvez seja menos frustrante do que na telona. Porque não é grande coisa, apesar da boa premissa: no final da década de 1980, um professor de russo de Havana é deslocado para um hospital, onde servirá de intérprete entre os funcionários e os pequenos pacientes soviéticos, vítimas do desastre de Chernobyl. Rodrigo Santoro está fantástico como o protagonista, falando um espanhol com sotaque cubano quase perfeito e um russo que soa convincente (não sei avaliar). Também é surpreendente o alto padrão de vida do personagem, que mora numa casa ampla e confortável e faz compras com cupons em um supermercado repleto de artigos importados. O nível cai de repente, junto com o Muro de Berlim, levando Cuba a um buraco fundo de onde não saiu até hoje. O interesse pela trama também despenca: não há propriamente uma curva dramática, e os probleminhas que vão surgindo não justificariam um filme. Mas os letreiros finais esclarecem que os diretores são filhos do tradutor. Só eles mesmos para acharem que a vida do pai é uma epopeia cinematográfica.

3 comentários:

  1. Second world problems.

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  2. A Rodrigo tinha que fazer um nu frontal, um amigo viu ele nu na academia a uns 15 anos e nunca conseguiu esquecer, disse que é bonito o bicho.

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  3. Só o trailer bastou para me emocionar...

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