segunda-feira, 9 de setembro de 2019

NO MAMES, GÜEY


Para que a plateia torça por um protagonista bandido, ele precisa ser simpático, charmoso ou pelo menos ter um ótimo motivo para ser do mal. Cagalera, o pivete violento e covarde de "Chicuarotes", não é nada disso. Não dá nem para culpar o meio de onde ele vem: seu irmão gay e gorducho é pacato e quase um intelectual. Palmas para Gael García Bernal, que não quis sequer criar um anti-herói neste filme que dirigiu. "Chicuarotes" bebe da fonte de "Amores Perros", "Cidade de Deus" e outros tantos títulos que tratam da miséria e da marginalidade. O México que aparece na tela é horrendo. Masculinidade tóxica é elogio para os brutamontes que ditam o ritmo de uma pequena cidade na periferia da capital, e Cagalera será um deles no futuro. Cabe às mulheres mudar o curso da história, e tanto a mãe como a namorada do personagem o fazem. "Chicuarotes" não é propriamente agradável de se ver - mas propõe uma reflexão interessante, güey.

Um comentário:

  1. Uh. Esse vai para a lista "Ver quando estiver com tempo de sobra..."

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