sexta-feira, 27 de setembro de 2019

ALMA INTERMINÁVEL


Meu primeiro contato com "A Alma Imoral" foi através da peça com Clarice Niskier, que está há uns 200 anos em cartaz. Na saída do teatro, comprei o livro do rabino Nilton Bonder, que defende a ruptura e a transgressão como motores do progresso (inclusive espiritual). Ontem uma amiga me arrastou para ver o filme, que estreou há mais de um mês. Nilton e o diretor Silvio Tendler entrevistaram 35 pessoas no Brasil, em Israel e nos Estados Unidos. Só duas delas não são judias (sem contar o judeu que virou monge tibetano): uma cantora e um militante pela paz, ambos palestinos. E, pelo jeito, todos são fabulosos, pois mereceram ser editados no longa. O resultado é que "Alma Imoral" (sem o "A" na frente) começa muito bem, mas não acaba nunca. O espectador já está exausto e não param de surgir figuras novas na tela, como uma escritora judia trans ou um percussionista "de Deus". Os interlúdios de dança coreografados por Deborah Colker são belíssimos, mas a montagem aleatória faz com que não haja um fluxo coerente de raciocínio. Saí achando que aquilo tudo funcionaria melhor como uma série de TV, e descobri que ela não só existe como já foi exibida pelo canal Curta!.

22 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    E continua aquele jogo aleatório de palavras onde a atriz vai buscar lá no texto o contexto onde foi dita e que também deixavam os espectadores exaustos.

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  2. Esse amor da esquerda por um Islã idealizado, de mãos dadas pelo antissionismo e contra o ocidente liberal capitalista, convenientemente deixa de fora a dura realidade:

    https://www.pinknews.co.uk/2019/09/27/qatar-world-cup-2022-fifa-anti-gay-sex-homosexuality/

    https://www.nytimes.com/2016/03/02/world/middleeast/hamas-commander-mahmoud-ishtiwi-killed-palestine.html

    A morte aos homossexuais praticantes é um princípio explícito no Islã, sem margem para negociação.

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    1. Olha aí mais um minion tratando o Islã como se fosse uma coisa única, homogênea.

      Assim como o Judaísmo e o Cristianismo, o Islã também tem diversas correntes, com diferentes interpretações dos textos sagrados.

      Há radicais islâmicos? Há, assim como há radicais judeus e cristãos. E os textos judeus e cristãos TAMBÉM pregam a morte dos homossexuais.

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    2. Tony, acho que você precisa se informar melhor. A Lei Islâmica determina que a homossexualidade deve ser punida com a morte. Não há espaço para interpretações, como você imagina. Diferente do cristianismo, em que não há nenhuma determinação expressa pelo Cristo, gerando uma miríade de versões, Maomé deixou sua doutrina escrita de próprio punho.

      Ademais, apresente os Estados cristãos ou judaicos onde gays sejam condenados à morte, ou um único pais islâmico onde gays vivam fora do armário. Estou curioso.

      Sinto dizer, mas você se tornou vítima da narrativa de esquerda sobre o "Islã da paz". Tente beijar seu companheiro no leste de Londres e sinta o drama.

      O islamismo é moderado até sua população se tornar maioria.

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    3. Existem dois tipos de minion: os que se jactam da própria ignorância e os que tentam esconder sua intolerância atrás de uma falsa erudição.

      Eu leio sobre o Islã há mais de 25 anos. Tenho até um Alcorão (em português) em casa. Aí vem um minion tentar me explicar algo que ele mal conhece. Só conseguiu passar recibo de preconceituoso.

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    4. Salve Tony. Ver minions trazer o Islã como nevoeiro para justificar o injustificável é o fim. E ainda mais com um desconhecimento absoluto daquilo que se quer lançar mão. O que é a esquerda diante do Islã:pfv
      "Pela Era,
      Que o homem está na perdição, salvo os fiéis, que praticam o bem, aconselham-se na verdade e recomendam-se, uns aos outros, a paciência e a perseverança."
      Sura 103 - Al'Asr' A Era'
      A esses que creem o Islã como uma coisa única e homogenea recomenda-se ao menos assistir ao doc "Jihad Do Amor" de Parvez Sharma.
      G-

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    5. Última tentativa:

      Para o cristianismo e o judaísmo, a homossexualidade é um pecado. No caso, um problema entre o pecador e Deus.

      No islamismo, o Alcorão - que repete exaustivamente a história de Ló - e, principalmente, as Sunas - os "caminhos do profeta" - deixam claro que, além de pecado, a "sodomia" é um crime que deve ser punido com a morte.

      Mais claro impossível.

      Infelizmente, o casamento político transitório entre a esquerda e o Islã tem gerado muita desinformação. Sob a Lei Islâmica, acredite, as gays não têm a menor chance.

      https://wikiislam.net/wiki/Qur'an,_Hadith_and_Scholars:Homosexuality

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    6. A-do-ro ter meus 25 anos de leituras sobre o Islã confrontados por um verbete da Wikipedia.

      Já que os livros não adiantaram, vou apelar para a vida real.

      Quantos muçulmanos você conhece? Eu conheço alguns, e pasme: são todos praticantes, ao contrário da maioria dos autodenominados católicos com quem eu convivo. Também são pessoas gentis, educadas e nada homofóbicas (pasme outra vez).

      Você está usando as escrituras para condenar todos os praticamente de uma religião. Dá para fazer o mesmo com o Judaísmo e o Cristianismo. Sabe por quê? Porque esses textos sagrados foram escritos há milhares de anos, para sociedades e contextos muito específicos. É impossível levar uma vida moderna e seguir tudo o que eles pregam ao pé da letra (um repórter do New York Times tentou isso com o Judaísmo durante um ano). Inclusive porque há regras contraditórias e outras francamente criminosas (o Antigo Testamento autoriza que pais vendam suas filhas como escravas).

      Não há "casamento político entre a esquerda e o Islã". Quem pensa assim também costuma acreditar na Ursal. Há é convergência de pensamentos parecidos. E esses pensamentos irão prevalecer, quer a direita chucra (da qual você faz parte, apesar do verniz erudito) queira ou não.

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    7. meu único ponto:
      das religiões citadas que condenam a homossexualidade, a única que AINDA HOJE mata homossexuais é o Islã.

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    8. A única?

      Sugiro que você ouça a pregação de alguns pastores evangélicos contra gays e trans, aqui no Brasil mesmo.

      Brasil, o país que mais mata gays e trans no mundo...

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    9. Tony não adianta, tem um tipo aí que óh...se chegaram a votar em Bolsonaro são capazes de qualquer outra coisa!

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    10. Tony eu sou militante LGBT,me incomoda ver pastores evangélicos condenando a nossa sexualidade como se fosse o pior dos pecados,sendo que não fazem o mesmo com o sexo heterossexual fora do casamento,também condenado pela Bíblia e com outros pecados que não tem a ver com o sexo,parece que o único problema deles é com a homossexualidade, mas eu nunca vi nenhum pastor ordenar que seus fiéis matem gays,como o Irã, estado teocrático enforca gays,assim como a Arábia Saudita e os cristãos evangélicos apesar de serem agressivos no modo como pregam,não ha nada no Novo Testamento que incentive o assassinato de gays, Jesus era paz e amor,diferente do Maomé que era um guerreiro

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    11. Como o debate é importante e fundamental, vambora:

      (em resposta a 11:10)

      O link da Wiki apenas apresenta uma coletânea de Sunas sobre o tema homossexualidade. Será que opiniões  sobre o Islã são mais corretas que as palavras do próprio Profeta, Tony?

      Destarte, vou falar um pouco sobre minha experiência pessoal: alguns parentes mais velhos ainda têm comércio nas imediações da rua Bresser, mesmo sendo católico cresci entre muçulmanos, acompanhei a construção da Mesquita do Brás, presenciando a consolidação da comunidade, nos anos de 1990 conheci o braço brasileiro da OLP na Moóca e, durante a juventude, fiz intercâmbio num pais árabe. Afirmo categoricamente: não há qualquer tolerância social, por mínima que seja, às relações homossexuais, no mundo islâmico. Há raras exceções entre indivíduos afastados da religião e propagandistas de um islamismo light imaginário.

      Sinto dizer, mas seus "25 anos de leituras" apenas criaram em você uma visão idealizada do Islã, muito comum entre entusiastas do NYTimes.

      Quanto à associação entre a esquerda e o Islamismo, nem precisamos ir muito longe. Dê um pulinho na USP e veja com seus próprios olhos a quantidade de grupos pró-Palestina e antissionistas, diga-se, muitos deles com toques de antissemitismo.

      Dá um visu nas narrativas:

      http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2018/10/estudantes-pro-palestina-repudiam-curso-da-fflch/

      http://www.eventos.usp.br/?events=usp-promove-seminario-internacional-sobre-a-palestina

      http://www.usp.br/aunantigo/exibir?id=7600&ed=1320&f=3

      E isso aí é só uma gota num oceano.

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    12. Gabriel (13:13),

      Como eu disse mais acima: para evangélicos, a homossexualidade é tão somente um pecado; para muçulmanos, um crime que deve ser punido com a morte.

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    13. Ué, aqui nos EUA sempre vejo muçulmanos em todos os cantos. É diferente das sociedades europeias, intrinsecamente racistas e homogeneizantes - aqui as pessoas de fato se INTEGRAM, fazem parte da sociedade, que as ACEITA. Se você tem um ambiente hostil, é óbvio que vai ter troco. Eu honestamente não tenho saco com gay que vai morar em Londres e acha que tá no topo do mundo. Não está e com o Brexit aí que não estará mesmo. Viva os EUA.

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    14. Pois é: de modo geral, os muçulmanos são muito mais integrados nos EUA do que na Europa. É o próprio modelo da sociedade americana, que acolhe melhor os imigrantes, que propicia isso.

      O que não quer dizer que não haja muçulmanos integrados na Europa. Haja vista o prefeito de Londres, ou os atores Kad Merad e Gad Emaleh na França (que nem fazem mais só papéis de muçulmanos).

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    15. E ao anônimo das 14:15: os muçulmanos do Brás não são representativos do Islã como um todo. De mais a mais, chega desse debate tolo, porque você só quer encontrar uma justificativa racional para o seu preconceito, que beira o racismo.

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    16. Tony, os "muçulmanos do Brás", que ganham com suas lojas, em uma semana, o salário anual de um jornalista e frequentam os melhores endereços da cidade, são uma amostra muito representativa, sim.

      Ademais, quando você achincalha os evangélicos aqui neste blogue, tudo bem, mas, quando a homofobia radical da religião incensada pela agenda esquerdista é denunciada, vira "racismo".

      No momento em que acabam os argumentos, vêm os xingamentos de sempre ("fascista", "racista", "machista"...)

      Tenha uma boa semana.

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    17. Os muçulmanos do Brás são, em sua maioria, sunitas oriundos da Síria e do Líbano. Só na cabecinha de um minion pouco estudado e pouco viajado é que eles são representativos do Islã como um todo.

      Não estou dizendo que o Islã não pregue a morte dos homossexuais. Daí até TODOS os muçulmanos porem isto em prática vai uma certa distância.

      O mesmo vale para os evangélicos, aliás: a maioria é bem mais tolerante que muitos dos líderes neopentecostais.

      No mais, sou eu quem ofendo? A-do-rei seu argumento de que os lojistas muçulmanos ganham, em uma semana, o salário anual de um jornalista. Isto realmente comprova todos os seusargumentos, bravah!

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  3. E ao Gabriel Tavares: os pastores evangélicos podem não pregar a violência explícita, mas dão a justificativa moral e religiosa para o assassinato de gays e trans no Brasil. Ou vai dizer que, num país religioso como o nosso, não há relação entre a fé e a violiencia contra gays?

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  4. Sim,obviamente ha Tony,eu vi recentemente um documentário do Netflix sobre o assassinato do adestrador de cães Edson Neris da Silva,ele foi violentamente espancado por skinheads,os carecas até poderiam não ser religiosos praticamente,mas certamente a cultura que eles cresceram era próxima da religiosidade,desde os anos 80 essas igrejas neopentecostais tem se espalhado pelas grandes cidades,principalmente mas periferias,local onde as pessoas costumam ser pouco instruídas e aceitam tudo que os pastores dizem sem questionar,elas são diferentes das igrejas presbiterianas,luteranas,que nao costumam ser tão homofobicas e sao frequentadas por um público de classe média com nível universitario em sua maioria,nos EUA a Igreja Presbiteriana ja ordena pastores homossexuais,assim como a Igreja Luterana Sueca

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  5. Por isso é complicado generalizar e falar "os muçulmanos ","os evangélicos ",não existe um papa nessas religiões, nenhum líder representa todos,sao grupos bem dividos,ha progressistas e conservadores em ambas religiões

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