quinta-feira, 8 de agosto de 2019

FICÇÃO POLPUDA


Eu estava na festa de um amiguinho do colégio quando ficamos sabendo do assassinato de Sharon Tate. Sim, foi desses acontecimentos horrorosos que fazem a gente se lembrar pra sempre onde estávamos quando soubemos da notícia. Pelo jeito, esse crime que marcou a minha infância também marcou a de Quentin Tarantino. Ele é pedra angular de "Era Uma Vez... em Hollywood", o nono longa-metragem do diretor e quiçá o melhor de todos. Todos os filmes de Tarantino são sobre o cinema, mas este é o único que se passa no mundo do cinema. Mais precisamente, em 1969, quando a velha Hollywood do studio system agonizava, abrindo espaço para uma geração de cineastas rebeldes - entre eles, Roman Polanski, o marido de Sharon Tate. Leonardo Di Caprio nunca esteve melhor do que como Rick Dalton, o astro de fama mediana em fim de carreira, e Brad Pitt nunca esteve tão lindo (aos 56 anos!) como seu dublê e melhor amigo, Cliff Booth. Os dois fazem o que podem para sobreviver em uma indústria em mutação, e se mudam para a casa ao lado da dos Polanski. Não dá para contar mais nada. Só que, ao longo de mais de duas horas e meia, as cenas vão se sucedendo sem um elo forte entre si, mas sempre muito bem realizadas e divertidas. Tarantino tem aqueles momentos em que ele parece deixar a câmera rolar solta, só para ver onde vai dar. Também recheou a trilha de spots e vinhetas de rádio, além da avalnache habitual de referências à cultura pop. Desa vez, homenageou a própria filmografia: há um pouco de artes marciais ("Kill Bill"), nazismo ("Bastardos Inglórios"), faroeste ("Django Livre" e "Os Oito Odiados"), carros à toda ("À Prova de Morte") e muita violência (toda sua obra), mas menos gratuita do que nunca. É uma delícia ver Di Caprio inserido em um filme de Steve McQueen, e rir dos produtos fictícios como a comida de cachorro Wolf's Tooth (nos sabores pássaro, lagarto, rato e racoon) ou os cigarros Red Apple (presentes em todos os filmes de Tarantino). Mais maravilhoso ainda é o desfecho revisionista, uma vingança da arte contra a boçalidade. Ah, e não saia antes dos créditos finais, hein?

10 comentários:

  1. eu iria ver de qquer jeito, mas confio bacarái no seu senso crítico. aliás, a crítica it self aparentemente fez as pazes com tarantino c esse longa

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  2. O Mio Babbino Caro
    Foi por esse episodio(Sharon Tate) que Lennon anunciou "O sonho acabou".

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  3. Maçon$ se "ouvindo".

    (Até quando não se matarem uns aos outros...)

    The horror! The horror!

    https://youtu.be/aV7vD9X_uYM

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  4. Eu fui como a Sharon Tate, fui levada pra um hospício por causa de um golpe de estado pra roubarem o Brasil! Minha história é mais trágica...Tenho razões pra acreditar que sou monitorada desde a adolescência (André Barcinski).

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    1. Mais trágica do que ter a barriga de nove meses esfaqueada várias vezes?

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  5. As pessoas não se interessam tanto por filmes, mais séries. O mercado mudou, sem dúvida Hollywood tem seus dias contados, EUA ainda está no topo deram o golpe no Brasil sustentam a rede Globo, mas até quando? #quemmandoumatarmarielle

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    1. #marieLLemorreumesmocadeocorpocomocadeosanguenafacadadobozo?

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    2. Hã, 20:16, você sabe onde são feitas quase todas as séries americanas?

      Uma dica: começa com H.

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  6. nao nego que tem hora que eu me assusto seriamente com os comentarios dos frequentadores aqui do tony

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