segunda-feira, 29 de julho de 2019

TARFILA DO AMARAL

Se eu morasse em outra cidade, talvez tivesse planejado há meses uma visita à exposição de Tarsila do Amaral no MASP. Teria comprado passagem, reservado hotel e garantido meus ingressos com saudável antecedência. Como eu moro a oito quadras do museu, deixei tudo para a última hora. Mas não enfrentei filas. Ao contrário da turba que levou até seis horas para chegar às bilheterias no vão livre, eu usei essa inovação tecnológica da qual poucos ouviram falar, a internet. Consegui comprar na quinta dois ingressos para as 16h30 de domingo, o último dia de "Tarsila Popular", e lá fomos nós. Entramos com relativa facilidade e circulamos lépidos pelos quatro ambientes da mostra. Sim, havia gente demais e até aglomerações na frente de obras como "Abaporu" ou "A Negra", mas quer saber? Adoro ver que, nesses tempos de obscurantismo, ainda tem um público enorme sedento de arte e cultura. E Tarsila se tornou um gene essencial do nosso DNA. Temos mais é que conhecê-la melhor. O "Abaporu" é a nossa "Mona Lisa", e acho ótimo que ele more em um museu estrangeiro - é sinal de prestígio da nossa arte. Mas sua autora foi muito além, criando uma obra pictórica original e, como ela mesma se gabava, profundamente brasileira. A deslumbrante exposição trazia quadros menos badalados como "A Cuca" ou "O Touro", muitos desenhos e esboços e inúmeros tesouros desconhecidos, que estão em coleções particulares. Mas senti falta de uma peça importante: a enorme tela "Operários", que fica no Palácio Boa Vista, do governo de São Paulo, em Campos do Jordão. Por que ele não foi para o MASP? Problemas de seguro? Pirraça do João Doria? Alguém sabe me dizer?

7 comentários:

  1. Se esse post tivesse vindo um pouco antes dava pra incluir a exposição da Djanira na Casa Roberto Marinho no Rio.

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  2. Ela estava lá até 29 de junho. Foi devolvida antes do fim da exposição.

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  3. Sim, quando eu fui em maio ela estava lá. E a exposição da Djanira que estava no subsolo do Masp na mesma época estava linda também.

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  4. eu usei essa inovação tecnológica da qual poucos ouviram falar, a internet. HAHAHA #ahands

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  5. O Mio Babbino Caro
    Temo não haver um público assim tão enorme e sedento de arte e cultura e sim uma quantidade enorme que vai no embalo ou somente pagar de iterado nesses momentos. Aguardo o tempo de perceber que a arte e a cultura tenham se entranhado de maneira cotidiana nas vidas das pessoas como um bom alimento e facilitador para a vida.

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  6. O quadro estava e era tão popular pra selfies quanto o Abaporu.

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  7. Quando fui, dois meses atrás, a obra Os Operários estava exposta.

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