sexta-feira, 12 de julho de 2019

SE EU FOSSE OUTRO EU

Quando eu tinha uns 13 anos, meu maior medo era cair em um universo paralelo. Uma matéria na extinta revista "Planeta", especializada em assuntos esotéricos, me deixou apavorado. Mas hoje em dia eu gosto desses filmes que mostram o que aconteceria se o personagem não fosse quem fosse. Uma realidade alternativa, onde outras possibilidades se concretizaram - mas no fundo ele continua o mesmo. Esse mote é reciclado em "Amor à Segunda Vista", uma bobagem romântica que foi bem de bilheteria na França e acaba de estrear no Brasil. O protagonista é um escritor famoso, casado com uma mulher frustrada por não ter seguido a carreira de pianista. Um belo dia, ele percebe que sua vida não é mais a mesma. O pobre não passa de um professor de literatura, e agora está solteiro. Sua mulher - que nem o conhece mais - é uma pianista de sucesso, e está noiva de outro. Ele então decide reconquistá-la. Essa premissa bonitinha é diluída ao longo de duas horas (tempo demais para uma comédia), e lá pelas tantas o roteiro patina. Mas o desfecho salva o dia: além de ligeiramente surpreendente, é generoso,  e está em perfeita sincronia com os dias de hoje.

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