sexta-feira, 14 de junho de 2019

HOMEM À BEIRA DE ATAQUE DE NERVOS


"Dor e Glória", o novo filme de Pedro Almodóvar, é aquilo que a crítica americana chama de "flawed masterpiece": uma obra-prima imperfeita. O diretor espanhol quis produzir uma meditação sobre o envelhecimento, a solidão e a amargura. Pela primeira vez, lançou um filme claramente autobiográfico. Até o nome do protagonista é óbvio: Salvador Mallo, um quase-anagrama de Almodóvar. Mas o roteiro é meio frouxo e deixa algumas pontas soltas. Na primeira metade, há um personagem secundário que parece ser importante para a trama, um ator que encena um monólogo escrito por Mallo e o apresenta à heroína. Mas a função desse cara é só servir de escada para a chegada do ex-namorado do diretor, feito pelo argentino Leonardo Sbaraglia. Depois ele desaparece, e a droga também não acarreta maiores consquências. Mas o reencontro dos amantes é uma das melhores cenas da obra almodovariana: Banderas está simplesmente sublime, fazendo por merecer o prêmio de melhor ator que recebeu em Cannes e a indicação ao Oscar que talvez ainda receba. A outra sequência icônica é a da descoberta do desejo por Mallo ainda criança, quando ele desmaia ao ver um homem adulto nu pela primeira vez. Penélope Cruz está ótima como sempre como a mãe do protagonista, e pena que ela não tenha uma cena junto com Banderas. Almodóvar também sempre dá um jeito de incluir no elenco quem quer que seja que esteja caliente no momento na Espanha: dessa vez é a cantora de flamenco eletrônico Rosalía, que aparece lavando roupa no rio ao lado de Penélope. "Dor e Glória" talvez seja o filme mais sombrio e circunspecto da carreira do cineasta, mas tomara que não seja seu testamento artístico. A tu vera, a tu vera, siempre la verita tuya...

8 comentários:

  1. Um lindo filme, poético. Triste e alegre como tudo... parece que não acabou, pois a vida continua.

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  2. leonardo sbaraglia yum yum! delicia de pessoa.

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  3. SEMPRE VALE A PENA VER ALMODOVAR.
    ps. Carinho respeito e abraço.

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  4. oi tony, a senhoura vai fazer resenha de madame x aqui no seu blog? beyjaz

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  5. Não sei se vc percebeu, mas anterior a cena do desmaio do Salvador criança, ele estava na cama suando, devido a insolação enquanto posava para o desenho junto a claraboia da "cueva", então pra mim ficou em aberto a possibilidade do desejo ter se dado através de um delírio do menino quando viu o pintor nu, não te parece possível? Até porque pra lavar os braços da sujeira da tinta não havia a necessidade de ele tirar toda roupa. Mas a cena foi realmente muita bonita!

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  6. Noooossa! Somente a cena do desmaio de Salvador criança vale o filme e confirma por que Almodóvar é Almodóvar. Eu vivi aquilo e ontem paralisado, eu chorei!

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