quinta-feira, 27 de junho de 2019

A BRUXA ESTÁ PRESA


Como que o Reino Unido consegue participar da disputa pelo Oscar de filme estrangeiro? Antigamente, o regulamento exigia que os diálogos fossem em uma língua nativa do país. Nessa época, até que os britânicos emplacaram dois títulos entre os cinco finalistas, sempre falados em galês. Mas, hoje em dia, basta o país ter participado da produção: por isto, "Eu Não Sou uma Bruxa", filmado em Zâmbia por um diretor de Zâmbia com atores de Zâmbia e idiomas de Zâmbia, representou a rainha Elizabeth II no Oscar deste ano. Não foi longe, mas é interessante. Shula, uma garotinha órfã, é acusada de bruxaria em uma aldeia, e enviada para uma espécie de campo de concentração de feiticeiras. Esses campos até existem, só que em Gana - o do filme tem detalhe pitorescos, como carretéis de fitas que seguram as prisioneiras no chão, para elas não saírem voando. A menina então é explorada por um político corrupto, que a usa para charlatanices como identificar o culpado entre suspeitos de um roubo ou prometer chuva para um fazendeiro branco. O final destoa do tom cínico do resto, mas a mensagem é clara. Mesmo em países pobres, mesmo em culturas oprimidas, o ser humano é sempre uma merda.

Um comentário:

  1. Todos temos o bom e o mal dentro, mas o mundo vai com certeza muito mal...E as mulheres são especiais, o patriarcado é um grande problema

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