segunda-feira, 13 de maio de 2019

R.I.P. VEEP


O final de "Game of Thrones", a melhor série dramática da atualidade, ofuscou o final da melhor série cômica da atualidade, também da HBO. O último episódio de "Veep" foi ao ar ontem, e já entrou para a história. Em sua sede irracional pelo poder, a candidata Selina Meyer deu uma de Daenerys Targaryen: destruiu tudo o que estava em seu caminho para o Trono de Ferro, quer dizer, a Casa Branca. Não com fogo, é claro, mas com traições a torto e a direito. Ideais, ela nunca teve - Selina se notabilizou por dizer sempre o que ela acha que seu interlocutor quer ouvir. Portanto, suas vítimas foram mais concretas: a filha lésbica, o povo do Tibete, o povo americano e, na punhalada mais dolorida, Gary, seu submisso puxa-saco. A punição veio em duas doses. Primeiro, Selina se viu só no Salão Oval, sem sua equipe habitual nem sua família, mas esse desconforto passou logo. Corta para 25 anos depois: numa escolha ousada dos roteiristas, vemos o funeral da personagem. A filha Catherine assiste pela TV e comemora com margaritas. Gary, saído da cadeia, vai homenageá-la em pessoa, mas não esconde o ressentimento. E a cobertura jornalística é interrompida por uma notícia mais importante: a morte de Tom Hanks, aos 88 anos. Uma citação ao primeiríssimo episódio da série. E assim, "Veep" fecha seu ciclo sem ter derrapado uma única vez. Não há episódio ruim nas sete temporadas. E olha que as três últimas tiveram um novo showrunner, David Mandel, que soube manter o altíssimo nível estabelecido pelo criador Armando Ianucci. O sétimo Emmy consecutivo de  atriz de comédia para Julia Louis-Dreyfus já está no papo.

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