quinta-feira, 23 de maio de 2019

QUEM QUER VIRAR ADUBO?

Eu sempre quis ser cremado. A ideia de apodrecer aos poucos em um caixão, em um lugar lúgubre feito um cemitério, jamais me apeteceu (não que apeteça a muita gente). A cremação parece, sei lá, mais higiênica. Claro que depois sobra o problema do que fazer com as cinzas, e já me ocorreu pedir para elas serem aspergidas no Salão dos Espelhos do Palácio de Versailles, só para encher o saco de quem ficou. Ainda tem um complicador a mais: hoje sabemos que a cremação é pouco ecológica, pois gasta muita energia. Mas hoje eu mudei de ideia, ao ler no jornal aqui no México uma notícia que também deve estar repercutindo no Brasil: Washington é o primeiro estado americano a permitir que seus mortos se transformem em compostagem. Isso mesmo. Já existe uma empresa chamada Recompose, especializada em transformar cadáveres humanos em adubo em um período de três a sete semanas. As famílias podem visitar (!!) o ente querido nessa fase, e depois recebem um saquinho com um pozinho, para usar como quiserem. Plantar tomates? Eu bem que gostaria de me transformar num tomateiro. Adoro tomate.

9 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    Isso é tudo que sempre sonhei se bem que só de estar sob a terra já me atendia...Quero adubar cenouras que darão vigor e assim a flor do belo não se extinga rss

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  2. As cinzas do Giba foram plantadas (junto com terra)num vaso de Ipê Amarelo. ;)

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  3. Texto cremado. Digo, cremoso ;*

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  4. Em Toronto conheci um "maquiador de defunto" no metrô e falei exatamente isso com ele: que queria ser enterrado de baixo de uma árvore para pelo menos quando desse frutos as pessoas lembrassem de mim!

    Ele falou que enterrar defunto em terreno baldio não pode. O formol estraga a terra...

    Índios não tinham dessa frescura!

    Que bom que meu sonho está se realizando.

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  5. Tem uma empresa que transforma as suas cinzas em discos LP e gravam nele as músicas que você indicar.

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  6. Tá chupado post no facebook para escrever artigo na Folha ? Tá Shallow ?

    Jarbas Agnelli
    May 18 at 10:26 AM ·
    Alguém já teve o prazer de ouvir a versão brasileira de Shallow?

    Eu não acho apenas ruim. Acho que é um hino a uma geração de brasileiros. Um símbolo involuntário dessa nova geração.

    Quem viu o filme Nasce um Estrela e já teve curiosidade de entender a letra (muita gente), sabe que é uma música que fala sobre entrega. Sobre sair da superficialidade, e mergulhar fundo na vida. Se arriscar. Shallow (raso) representa o medo, a insegurança, o preconceito. Shallow é algo do qual é preciso escapar, para atingir a profundidade.

    Numa tradução direta, o refrão diz:
    “...me observe enquanto mergulho...
    ...estamos longe do raso (da superfície) agora...”

    Eis que me deparo com o seguinte refrão na versão brasileira:

    In the shallow, shallow
    Juntos e shallow now.

    Ou seja:

    No raso, raso
    Juntos e rasos agora

    Essas palavras representam mais do que uma total inversão no sentido da música original. Representam o Brasil hoje. Estamos juntos. E somos rasos. Superficiais. Ignorantes. Mas juntos!

    Paula Fernandes, a intérprete e autora sertaneja, retruca a avalanche de críticas:

    “...assim como usamos tantos termos aqui como “baby” e outros, "shallow" é comum.”

    Não, baby. Não é. E mesmo que fosse, será que você entende que inverteu completamente o sentido da canção?

    Uma dica está na frase final de sua declaração:

    “Não era pra fazer sentido. Era para ter uma celebração da versão original”.

    Sem querer, a autora resume toda a sua geração, numa espécie de ode à massa de manobra. Juntos e rasos. Uma juventude deseducada, vítima dos reinos do PT e BolsoNarrow, onde educação não é prioridade. E onde nada precisa fazer sentido. Juntos e superficiais.

    Obrigado pelo hino, Paula Fernandes.

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    1. Chupei nada não. Não tinha visto esse post. Não sou amigo do Jarbas Agnelli e não o sigo nas redes sociais. Mas concordo em gênero, número e grau com tudo o que ele diz aí. Claro, pois eu disse a mesma coisa no F5. Great minds think alike,

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    2. Só que ele disse antes... ;-)

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    3. E daí? Não é corrida de Fórmula 1. Não "ganha" quem "chegar primeiro". Chegamos à mesma conclusão em relação ao mesmo fato. Ele escreveu um texto, brilhante aliás, e eu escrevi outro. bem diferente. Não há nada de mais nisso.

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