segunda-feira, 6 de maio de 2019

O STALKER DE BUDAPESTE


Talvez devamos reconsiderar László Nemes. O diretor húngaro causou um estrondo com seu primeiro filme, "Filho de Saul", que venceu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes de 2015 e o Oscar de filme em língua estrangeira no ano seguinte. Parecia que estávamos testemunhando o nascimento de um grande cineasta, tão pronto quanto Vênus saindo do mar. Só que não. Em seu segundo longa, Nemes joga fora uma história interessante em prol de seus maneirismos de câmera. O "Entardecer" do título se refere ao declínio do Império Austro-Húngaro: quase toda a ação se passa em 1913, um ano antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial. A trama deslancha como um folhetim. Uma linda moça vai procurar emprego na mais chique chapelaria de Budapeste; logo ficamos sabendo que a loja pertencia a seus pais, que morreram em um incêndio criminoso quando ela era bebê. O novo dono concorda em contratar a órfã, que também busca por seu desaparecido irmão. Mas tudo isso é contado de maneira confusa. Nemes, na verdade, repete o estilo que fez de "Saul" um filme definitivo sobre o Holocausto: ele cola a câmera em sua atriz, para que o espectador sinta e veja o mesmo que ela. O resultado é que, na maior parte do tempo, a tela é ocupada pela nuca de Juli Jakab, sem que se saiba o que ela está fazendo ou onde está indo. Feito um stalker, o diretor segue sua personagem de muito perto, e dane-se a bela direção de arte, os figurinos elaborados, a compreensão do roteiro. Durante quase duas horas e meia... Por tudo isso, "Entardecer" só é recomendado para malucos feito eu, que querem ver o maior número possível de inscritos ao Oscar de filme estrangeiro. Os sãos podem assistir "Vingadores".

3 comentários:

  1. Vingadores...nao obrigado!

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  2. Filmes-arte só curta metragens. Hahaha

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  3. Nem "Entardecer", nem "Vingadores". Há "Border" e "Chuva é cantoria na aldeia dos mortos", por exemplo. Escolho filmes como escolho livros: seguindo critérios bastante pessoais, me deixando levar por associações livres entre meus interesses. Oscar não significa mais nada para mim.

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