segunda-feira, 20 de maio de 2019

A DONINHA DA HISTÓRIA


É incrível, mas fazia quase 10 anos que Juan José Campanella não lançava um longa com atores. Depois que ganhou o Oscar de filme estrangeiro com "O Segredo dos Seus Olhos", o grande diretor argentino voltou às séries americanas de TV, envolveu-se com animação para crianças e fez de um tudo - inclusive dar uma entrevista para mim, que saiu na Folha em agosto de 2017. Lá ele me contou que pensava em refilmar uma comédia de humor negro dos anos 70, "Los Muchachos de Antes no Usaban Arsénico". O resultado é "A Garade Dama do Cinema", que estreou esta semana na Argentina e no Brasil, ao mesmo tempo. É bem diferente dos trabalhos anteriores de Campanella, mas também é muito bom. A trama mistura "Sunset Boulevard" com "Arsênico e Alfazema": uma diva aposentada vive em uma mansão nos arredores de Buenos Aires com o marido, um diretor e um roteirista, todos bem entrados em anos. Todos vivem às turras, até que a desarmonia doméstica é interrompida por um par de corretores de imóveis, interessados em vender a casa. Mais não posso dizer. Só que os atores estão todos fabulosos, puxados pela divina Graciela Borges. A lamentar, só as legendas brasileiras, que traduzem "comadreja" - o nosso popular gambá - como doninha, um bicho que não tem na Argentina. Dá para perceber que o tradutor se baseou na versão em inglês (nos EUA o filme se chama "The Tale of the Weasels"). Incrível que não tenhamos um profissional gabaritado ao português para verter um filme diretamente do espanhol, ¿verdad?

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