segunda-feira, 8 de abril de 2019

SÓ A CABECINHA


O embate entre Mary Stuart e Elizabeth I já foi contado tantas vezes que fica difícil encontrar um novo ângulo. A saída encontrada por "Duas Rainhas" foi rejuvenescer as atrizes. Nem Saoirse Ronan nem Margot Robbie já fizeram 30 anos, e cá estão elas representando papéis que costumam ser dados a grandes damas do teatro em língua inglesa. Levando em conta que a trama para quando Mary é presa por Elizabeth, aos 25 anos, até que faz sentido. Depois há um salto para a execução da rainha da Escócia, quase 20 anos depois, mas deixaram que Saoirse mantivesse sua carinha serelepe. A pobre Margot, tida como uma das beldades do cinema atual, teve pior sorte: sua cútis angelical foi coberta por camadas de pancake e pústulas de varíola, eca, num dos mais impressionantes trabalhos de maquiagem que eu já vi. A beleza das imagens ajuda a contar histórias, repleta de detalhes tediosos que significam pouco para quem não foi à escola na Grã-Bretanha. A diretora Josie Roarke, vinda do teatro, também opta pela escalação de elenco color blind: há atores negros e orientais em papéis de cortesãos britânicos do século 16, e foda-se. "Duas Rainhas" era tido como um dos pesos-pesados do último Oscar, mas só emplacou duas indicações técnicas e não converteu nenhuma. Talvez por isto só esteja sendo lançado por aqui em abril, quando a poeira da temporada de prêmios já baixou. É uma experiência suntuosa, que vale a pena mesmo sabendo como termina o choque entre essas duas mulheres.

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