quarta-feira, 17 de abril de 2019

SENTINDO FRIO EM MINH'ALMA


"Ayka" venceu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes do ano passado e esteve entre os nove pré-finalistas do último Oscar de filme estrangeiro, representando o Cazaquistão. É de fato bom, mas é só para masoquistas. Em uma hora e 40 minutos, o roteiro condensa cinco dias angustiantes na vida da personagem-título, uma imigrante cazaque que faz trabalhos degradantes em Moscou. A primeira cena já é uma porrada: Ayka simplesmente foge pela janela de uma maternidade, depois de ter dado à luz um bebê. Talvez elas devesse ter ficado lá, pois sua vida lá fora é um horror. Cobradores ameaçam machucá-la se ela não pagar logo uma dívida; o dono da pensão onde mora também quer os aluguéis atrasados; a polícia está sempre no encalço dos trabalhadores ilegais; e a pemrissão de trabalho de Ayka venceu faz um ano, o que a impede de aceitar até os empregos mais horrendos. Tudo isso sob um frio tremendo, com a cidade coberta de neve. O interessante é que a protagonista não é uma mártir, nem um exemplo de luta e coragem. Ela tenta fugir de suas responsabilidades, mas o longa de Sergei Dvortsevoy não a julga. A atuação contida de Samal Yeslyamova também é admirável, e só explode no final. Quem estiver num dia bom pode ir ver "Ayka", mas sabendo que irá sofrer. Quem não estiver, melhor ler jornal, que é mais leve.

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