sábado, 27 de abril de 2019

DOCFLIX


Chega uma hora em que a gente se cansa de série sobre um crime hediondo que abala uma pacata cidadezinha. Exaustos de tanta ficção parecia, meu marido e eu demos uma chance à não-ficção. Nas últimas semanas, assistimos a três minisséries documentais na Netflix, todas muito boas. A mais espetacular é "Nosso Planeta", a primeira incursão da plataforma em uma seara que parecia exclusiva da BBC e do Discovery: os documentários sobre a natureza. A produtora é a mesma de títulos como "Planeta Terra" e "Planeta Azul", e até a narração em off é de Sir David Attenboorugh (a quem eu conheci pessoalmente em fevereiro, em Liverpool, no BBC Showcase). Claro que há um certo dejà-vu: quantos programas sobre bichos se comendo uns aos outros são possíveis de se ver? Mas os drones e o HD abriram uma nova fronteira no gênero. As imagens tiram cada vez mais fôlego, as cores são cristalinas e há, de fato, muita cena inédita - que tal uma onça caçando um jacaré, ou golfinhos fugindo de baleias? A mensagem ecológica de "Nosso Planeta" não é nova, mas continua urgente. Agora quero ver como "One Planet, Seven Worlds", a série de que eu vi uma palhinha em Liverpool - e que foi feita pelas mesmíssimas pessoas, inclusive o fofo do Sir David - consegue fazer diferente (e melhor). Estreia no final do ano.


Sou fã da Christiane Amapour desde o começo dos anos 90, quando ela despontou na CNN. Foi para lá que ela rodou "Amor e Sexo ao Redor do Mundo", cujos seis episódios estão disponíveis na Netflix. Cada um deles foca em uma cidade diferente: Tóquio, Delhi, Beirute, Berlim, Accra e Shanghai. Faltou uma na América Latina, mas quem sabe numa segunda temporada? Amanpour entrevista os locais, sempre com viés feminista, e descobre coisas incríveis, como um bar de gueixas masculinos voltado para as japonesas solitárias (ou que só querem desabafar). Os hábitos conjugais dessas culturas são muito diferentes, e eu fiquei com vontade de fazer algo parecido no Brasil. Fique ligado.


Tentamos ver "Império Romano" na primeira temporada, mas achamos um docudrama didático demais e meio pobrinho. A terceira safra, no entanto, nos fisgou: é a história de Calígula, o terceiro imperador, um maluco sanguinário de dar inveja ao Carluxo. São só quatro capítulos, e até que a produção não é das mais mambembes. Também ajuda o fato do ator sul-africano Ido Drent, que interpreta o monarca, aparecer bastante sem camisa. A violência e a putaria não chegam aos pés do infame longa semi-pornô de 1979, mas quem quiser entender um pouco mais do passado remoto vai gostar.

6 comentários:

  1. Caraca, você conheceu o Richard Attenboorugh! Que máximo!
    Só uma correção: você escreveu Planeta Terra duas vezes, a outra série não seria Planeta Azul?

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    1. Sim, sim, Planeta Azul.

      Obrigado, já corrigi.

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    2. Gata vc perhaps conheceu o David! pois o Richard já está mortinho há algum tempinho.

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    3. Tem razão, Eu sempre confundo os dois. Richard, diretor de "Gandhi", era irmão de David.

      Obrigado, já corrigi.

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    4. Nao deixe de assistir!!!!!!!!! : Bodyguard - Pose - MotherSonFather - Deutschland 86 - vou me lembrar de outros

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  2. Um semi-pornô para hétero. Porque em 'Calígula' não havia sexo entre homens, já entre mulheres, sim. E no Império Romano daqueles tempos
    era comum sexo entre homens.

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