segunda-feira, 18 de março de 2019

WHO'S BAD?


Desde 1993, quando surgiram as primeiras denúncias, que eu não tenho a menor dúvida: Michael Jackson gostava de garotinhos. Não. Tenho. A. Menor. Dúvida. Não vou usar o termo "pedófilo" por causa de uma filigrana: ao contrário dos velhos tarados que costumam ser associados à prática, Jackson também era um garotinho. Ou, no máximo, um adolescente recém-chegado à puberdade. Sua sexualidade estacionou por volta dos 13 anos de idade e nunca mais evoluiu um milímetro. Todo mundo se habituou a dizer que MJ era uma criança, que estava tendo a infância que lhe havia sido roubada, mas entre quatro paredes ele era um pouquinho mais velho. Só um pouquinho.


Neste ponto, o documentário "Deixando Neverland" não me trouxe novidade alguma sobre o finado Rei do Pop. Só detalhes, como as preferências do astro (ele era ativo!). E não me fez mudar de ideia. Antes de ver o filme de Dan Reed, escrevi uma coluna para o F5 dizendo que eu não deixaria de ouvir Michael Jackson (não que eu ouça muito, mas vá lá). Algumas pessoas me avisaram que o choque dos depoimentos de Wade Robinson e James Safechuck me encheriam de horror a "Thriller" - só que não. A música continua tão boa como já era antes.

Se Michael Jackson não tem muitos segredos para mim, não posso dizer o mesmo sobre seus acusadores. Não entendo muito o sofrimento pelo qual estão passando Wade Robson e James Safechuck. O primeiro venceu um concurso de dança aos cinco anos de idade, cujo prêmio era conhecer MJ em pessoa - e ele acabou contratado, fazendo parte do show até os 14 anos. O segundo fez um comercial de Pepsi com Jackson quando era pequeno, e logo entrou para o círculo íntimo do cantor. Ambos foram abusados por ele, mas admitem que era gostoso e divertido. Ambos testemunharam a favor do astro no processo de 1993. Foi só no segundo processo, em 2003, que a ficha parece ter caído. Só então eles se recusaram a participar. Mais tarde, casados e com filhos, se deram conta do horror por que passaram. Mas se deram mesmo? Ou foram induzidos a achar que sofreram? Porque, na época, saíram da experiência sem maiores problemas. Sim, participaram de brincadeiras sexuais com um adulto, e isto não é aceitável por qualquer ângulo. Mas sem violência física e, ao que parece, psicológica.

Não estou defendendo Michael Jackson, nem passando pano no que ele fez. Para mim, trata-se de uma figura trágica, que foi vítima do próprio sucesso e não soube buscar apoio profissional. Pagou com a própria vida, e privou o mundo de um talento gigantesco. Mas acho no mínimo curioso que Robson e Safechuck estejam passando AGORA por um sofrimento atroz. Robson até tentou processar o "estate" de Jackson em 2010, mas um juiz não deixou, alegando que já havia passado tempo demais. Não há inocentes nessa história.

"Deixando Neverland" tem quatro horas de duração, mas não precisava tanto. O diretor ficou com dó de cortar o farto material que coletou, e o resultado é meio chato e repetitivo. Além do mais, a discussão que propõe não deveria ser sobre a reputação de Wacko Jacko ou a permanência de sua obra. Vou fazer uma provocação, totalmente contrária aos ventos que sopram hoje em dia: será que toda relação entre um menor e um maior de idade é necessariamente ruim? É possível que não haja cicatrizes nem traumas? Veja bem, não estou afirmando, só perguntando. E perguntar é sempre bom e necessário.

30 comentários:

  1. Todo grande artista ou é louco desde o inicio ou o fica com o tempo.

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  2. Puxa, parece que temos alguém relativizando estupro de menores por aqui, que interessante.

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    1. Puxa, parece que temos um leitor imbecil que não consegue interpretar um texto, que interessante...

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  3. Uma relação entre um adulto e um menor não tem outra definição: fetiche. Fetiche criminalizado por nosso codigo penal. Alguns pegam mais leve: com gente de 14 a 16 anos. Alguns pegam mais pesado: 12 anos? Outros são bárbaros mesmo: qual noção uma criança de 3, 5, 8 ou 10 anos pode ter sobre sexo? Não tem nem FISIOLOGIA pra isso.

    Num ponto, sem hipocrisia eu concordo, na história de Michael Jackson não é sobre quem está certo ou errado. Todos estavam errados.

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    1. 12 anos é uma boa idade. A puberdade começa por volta dos 9 anos. É normal que se interessem por sexo e também façam sexo. Não é à toa que existe o troca-troca e outras práticas sexuais.
      O grande problema é o tabu.
      Como o comentário abaixo onde o rapaz foi pressionado a fazer sexo por medo de alguém contar para os pais dele que ele seria gay queimador de rosca.
      Se não fosse pelo tabu, ele teria mais liberdade para dizer sim ou não. Se bem que o proibido também tem o seu prazer e aí sim poderia haver o fetiche de se excitar com o proibido.

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  4. Tive minha primeira relação sexual aos 9 anos de idade, com um amigo da minha irmã 8 anos mais velho que eu. Eu nem sabia direito o que estava acontecendo, não houve violência apenas um pedido inusitado que eu demorei a atender.

    Acredito que tenha sido bom, pois cedi em todas as ocasiões em que ele me procurou pra ficar roçando seu pênis por entre minha nádegas (houve apenas uma tentativa de penetração, na primeira ocasião, quando chorei e ele nunca mais tentou. Mas nem todo tempo ele foi tão legal.

    Como todo hetero fdp ele contou para os seus amiguinhos que me começaram a me procurar às vezes sozinhos, às vezes em grupo, ameaçando contar para os meus irmãos o que havia acontecido entre eu e o fulano caso não fizesse o mesmo com eles.

    Resumindo: fui abusado por um grupo de rapazes dos 9 aos 12 anos (quando me mudei de residência) e confesso que, tirando o medo de que a historia caísse nos ouvidos da minha familia (como acabou acontecendo mais tarde), não fiquei com nenhum trauma. Claro que esse intensivão precoce acabou influenciando minha sexualidade como um todo, mas meu único arrependimento é de não ter aproveitado mais!

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    1. Amigo vc ja era gayzinho e o caea percebeu e se aproveitou...

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    2. Não houve nada de precoce. É comum haver interesse por sexo. Muita gente faz, mas esconde.
      Os seus comedores devem ser héteros e metidos a homofóbicos, que falam mal de bicha em público. Mas, sem os viadinhos, eles não teriam tido tanto prazer na vida. Fazer sexo com mulher custa caro. Os viadinhos são gratuitos e de qualidade. rsrs

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  5. Sobre esta pergunta que você traz, sugiro pensar nos termos e conceitos que a estruturam. Pensar criticamente no termo “trauma”; trazer à toma o que entendemos por “criança” hoje; compreender porque a relação sexual entre um adulto e uma criança é um crime; compreender que a criança em seu processo de constituição de sujeito e indivíduo está inserida em uma lógica de subordinação e dependência, então, o adulto precisa estar consciente do limite que lhe assiste e não tomar de seu poder para subordinar sexualmente o outro; problematizar essa ideia reiteradora e até vazia de abusador = ex abusado, isto é uma generalização que não corrobora para uma abordagem realmente atenda do problema.
    Sugiro o vídeo do professor Christian Dunker, para uma iniciação na compreensão do que vem a ser trauma: https://www.youtube.com/watch?v=_RUtzGca1dE
    Sugiro o livro “Pedofilia Pedofilias”, de Cosimo Shinaia, publicado pela USP para se compreender a dimensão imensa que o termo “pedofilia” atinge.
    Sugiro o artigo “Construindo tipo: o caso de abusos contra crianças”, de Ian Hacking, publicado no Cadernos PAGU, UNICAMP.

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    1. Há, em nome de uma suposta proteção das vítimas, uma explícita contenção das discussões sobre esta temática. Generaliza-se que discutir tal coisa seria relativizar o papel do abusador ou abusadora. Se pensarmos por esta lógica, podemos deduzir também o contrário: não falar sobre tal tema implica necessariamente no silêncio que não traz à tona o "crime" cometido ou transtorno sexual do abusador ou abusadora. Nisto, envolvido numa suposta proteção à vítima, o silêncio se torna simultaneamente um compactuar velado e uma “segurança” para que os casos de abusos reais não sejam expostos, o que protege quem abusa. Não basta simplesmente buscar um perfil supostamente certo do que seria um real abusador ou abusadora, nem tão pouco generalizar de modo que tudo caiba como tal violência, é necessário compreender que a relação entre a criança e o adulto tem de estar mediada por um fazer que não impõe sobre ela uma demanda de realização da fantasia ou patologia daquele que tem sobre ela (a criança) um fazer de subordinação. Sobre a questão da vulnerabilidade ou imaturidade psíquica do abusador ou abusadora, tal dado complexifica ainda mais a questão, uma vez que se tal pessoa não tem maturidade para responder ao ato de abuso que cometeu, então, seria ele ou ela também vítima? O mais difícil nestes casos não é necessariamente responder isto, por incrível que pareça, mas sim, responder como agir (em termos psicanalíticos) para sensibilizar e conscientizar o adulto abusador que suas ações não podem acontecer, uma vez que fere alguém que não desprende da mesma força ou mesma consciência (ou inconsciência) que quem abusa. Mas as crianças sabem se defender destes casos, não podemos subestimá-las nisso. As crianças choram, ficam distante daquele ou daquela na qual se sente vulnerável, mostra certos comportamentos que até então não eram comuns, denunciam de diversos modos o abuso que sofrem, etc. Sobre educação na escola para conter o abuso sexual infantil, tenho a dizer que ele é importante, contudo ele não deve partir de um pressuposto que criminaliza de modo generalista o pai, a família, ou as pessoas próximas. O abuso existe, é criminalizado e precisa ser prevenido, e isto começa reconhecendo que não se pode generalizar a partir da maximização da violência nem tão pouco descartado em função de sua subestimação. Discutir, falar, por pontos de vistas, ouvir todas as partes envolvidas e interessadas é um caminho mais promissor do que impor silencio desmedido ou simplesmente expor sujeitos sem ter nenhum cuidado, ainda mais em tempos de veiculação de fakenews e de linchamento virtual.

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  6. Pergunta para Paula Lavigne e o Caetano Velloso

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    1. 13 anos já é mulher madura. Pedofilia é antes dos 9 anos, antes da puberdade.

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  7. Apaga o post que ainda da tempo.


    Ass: Departamento do Vai dar merda

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  8. Pergunta complicada de se fazer na net, não sei se eu faria, o risco de ser mal interpretado, o que fatalmente acontecerá aqui, é enorme; todavia, discutindo ideias é que evoluímos como sociedade. Parabéns pela coragem e força na peruca ao ler os comentários. E minha opinião sobre a pergunta? Sinceramente não tenho resposta....

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  9. Crianças vítimas de abuso frequentemente bloqueiam a memória, que leva décadas para resurgir. Veja por exemplo a série/documentário "The keepers" no Netflix.

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  10. É a grana, muitos dólares, que este pessoal quer e nada mais!!!! Gostei do texto Tony.

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  11. O Mio Babbino Caro
    E o tratado do bom pedófilo quando as crianças brincam. E do dinheiro que não se falou antes tão pouco agora. Só se passou agora o filme das montanhas roxas e os cardos prateados.

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  12. Só ver a lei em cada país. Ou estado no caso dos EUA. No Brasil, sexo com maior de 14 anos não é pedofilia (havendo consenso, óbvio). Com menor, mesmo que o menor diga que consente, não vale nada. Então é sexo sem consentimento, aka, estupro.

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  13. “Não há inocentes nessa história”? Claro que há! Você está vendo a história de trás pra frente. Se MJ tinha a idade mental de uma alga cianofícea não importa, ele usou o status de MJ pra seduzir um alvo mais frágil que ele, essa relação é desigual e portanto, abusiva, a regra vale pra um poderoso chefão de Hollywood com uma atriz e se torna mais devastadora ainda de um ídolo pop com uma criança carente.
    Sem jamais depreciar sua inteligência vou discordar de você, insisto que você esteja analisando a história de trás pra frente e tratando caso entre adultos.
    Bj

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  14. Tony, faça um favor para a comunidade LGBT (ou seja lá a sigla que melhor represente a comunidade nesse momento) e apague esse post. A sociedade em geral já adora associar a homossexualidade à pedofilia, inclusive inúmeros políticos tem defendido isso e ganhado eleitores com base nessa ignorância. E vc, com esses "questionamentos" pode ser mal interpretado pra caramba, dando munição pra quem já está legitimado ao ataque simplesmente porque nossa sociedade é extremamente homofóbica. Se você tem essas "dúvidas", pesquise sobre o assunto e não diga coisas levianas.

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    1. Se gay hoje em dia tem o seu espaço, foi resultado de muita luta. Gays não receberam nada de graça. Então fodam-se os homofóbicos!

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  15. Complicado. Era melhor ter evitado o questionamento.

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  16. Mas você muito sem noção mesmo, hein? É claro que é errado relação entre menor e adulto. Não só é errado, como é crime. Aliás, relação entre menores eu também não concordo. Independente de ser sido violento, ter deixado traumas ou não, sou totalmente contra a sexualização precoce, mas os progressistas adoram essas coisas.

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    1. Sexualização precoce é mito! O ser humano normal é sexual.

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  17. Gostei da lenha na fogueira, entao aqueles que dizem que não pode, eu gostaria de perguntar a parrpa de qual idade o sexo seria liberado? Qual seria o nosso "agw of consent"?

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  18. 07:30 Em diante é trollar trollar
    Trollar

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  19. Que texto foi esse, viado?!

    ESTOU CHOCADO!

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  20. Cara, se ele fosse um maluco realmente violento algo mais sério teria acontecido. Existem políticos britânicos que sofrem desse mesmo mal mas tem mais poder e influência pra calar bocas. O que a mídia fez com ele foi um assassinato de reputação e ele não merecia.

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  21. "será que toda relação entre um menor e um maior de idade é necessariamente ruim?"
    Maior ou menor em relação a quê? Maioridade civil? Há país que é 15, outros chegam a 21. Isso define alguma coisa quanto à sexualidade?
    Eu prefiro a maioridade judaica de 12 anos. Que é quando a pessoa já atingiu a puberdade. A nossa espécie entra na puberdade para procriar, ou seja, fazer sexo. Por que seria ruim? 12 anos é aquela fase que você já não tá afim de obedecer aos seus pais. Porque é muito chato ser "mandando". Não acho que uma pessoa dessa idade faria boquete numa outra simplesmente por que alguém pediu. Logo, não vejo problema.
    Mas, criança de 7 anos? Aí a coisa começa a complicar.
    Se bem que a ideia de infância do ocidente foi bastante influenciada pela histeria puritana e a ideia de pureza infantil, onde não existe espaço para sexo. Nem toda cultura é assim.
    Uma vez li um texto do Luiz Mott, onde ele cita uma mãe que, para acalmar o seu bebê, lhe estimulava o pênis. O nenê sentia aquele prazerzinho e se acalmava. Seria como um cafuné. Certamente, a mídia ocidental não entenderia isso como forma de carinho, mas sim como abuso da "predadora, pervertida, estupradora".

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