quarta-feira, 6 de março de 2019

G.R.E.S. UNIDOS DA NETFLIX


Nesta semana pós-Oscar, tem muito mais filme que me interessa no streaming do que em cartaz nos cinemas (até porque eu já vi tudo). Por isto, me aconteceu uma coisa inusitada neste carnaval: fui uma única vez ao cinema, e me afundei no catálogo da Netflix. Uma das minhas primeiras escolhas foi o curioso "Pelas Ruas de Paris", lançado mundialmente com exclusividade pelo serviço. Trata-se de um filme francês sem muita história: menina conhece menino numa rave, tomam ecstasy juntos e se beijam mooointo, menino se muda para Barcelona e menina quer visitá-lo. Mas o avião que ela tomaria cai, e então ela entra em uma longa reflexão sobre o significado da vida e da morte. Tudo isso sob uma trilha eletrônica excelente e lindas imagens psicodélicas da capital francesa. Faz algum sentido? Não muito. É bonito? Ô se é.

Depois me aventurei pelo badalado "Velvet Buzzsaw". O diretor Dan Gilroy reúne os atores de seu aplaudido "O Abutre", Jake Gylenhaal e Rene Russo (sua mulher na vida real), e ainda junta Toni Colette e John Malkovich no elenco - além da inglesa Zawe Ashton, que está se tornando figurinha fácil em tudo quanto é filme. A história é digna de um terror de quinta categoria: as obras de um pintor que morreu sem alcançar a fama são mal-assombradas, e matam qualquer um que chegar perto delas. As cenas de sanguinolência parecem ridículas de propósito, com braços decepados e muita gritaria. Era para ser uma sátira ao mercado da arte? No final é só uma bobagem luxuosa, que diverte mas não instrui.

O espanhol "Árvore de Sangue" se pretende muito mais denso, e quase consegue. O diretor Julio Medem já assinou trabalhos importantes como "Os Amantes do Círculo Polar" e "Lucía e o Sexo". Dessa vez ele se arrisca em uma rocambolesca saga familiar que tem espaço até para a máfia da antiga república soviética da Geórgia. Mas a fotografia é belíssima e o elenco traz dois atores que se tornaram conhecidos por aqui graças à enxurrada de séries não-anglófonas dos últimos tempos: a espanhola Úrsula Cerberó, a Tokyo de "A Casa de Papel", e o guapo canastrão argentino Joaquín Furriel, de "O Jardim de Bronze". Não é uma obra-prima, mas ainda é melhor do que ser roubado no bloquinho.

5 comentários:

  1. parabéns pela coragem de assistir um filme com a ~Tokyo~

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  2. e como foram furtados nos bloquinhos,entre amigos e conhecidos meus bem uns 15 ficaram sem celular...

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  3. A maior obra de arte de Velvet é a bundinha em primeiro plano do Gylenhaal.

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  4. Arvore de sangue tinha que se chamar rocombole mexicano de cocô.

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