terça-feira, 19 de março de 2019

DEATHFLIX


A morte está na moda. Três séries novas da Netflix tratam do assunto mais desagradável do mundo, mas de maneiras diferentes. A mais doce entre elas vem de um dos comediantes mais ácidos do mundo: Ricky Gervais, famoso por insultar meia Hollywood quando apresenta os Globos de Ouro. Seu personagem em "After Life" também é um sujeito sarcástico, que se sente autorizado a ser ainda mais impiedoso depois que sua mulher morre de câncer. Há momentos muito sombrios, outros de rir alto e alguns realmente enternecedores, como as conversas com a viúva feita por Penelope Wilton (de "Downton Abbey"). Tudo isto em uma cidadezinha fictícia de nome brasileiro, Cambury, feita com locações em diferentes cidades reais. Aposto que "After Life" será indicada a uma porrada de Emmys. Mas em qual categoria? Drama ou comédia?

"Boneca Russa" é uma doideira, parente de "A Morte lhe Dá Parabéns" e outras obras que usam o tema do "dia da marmota": a data que sempre se repete, num looping infinito. No caso, o bater de botas da protagonista, feita pela desagradável Natasha Lyonne. Seu personagem tem muito da persona da atriz, mais conhecida por "Orange is the New Black": egoísta, beberrona, inconveniente. Por causa dela, é difícil superar os dois primeiros episódios. Mas depois a coisa engrena, e "Boneca Russa" leva o espectador a um lugar realmente novo, difícil de classificar em termos dramáticos. Só que nenhuma razão é dada para as mortes recorrentes da personagem e de um outro cara, que aparece em meados da temporada. O último capítulo, então, é quase surrealista. Alguém saberia me explicar como se eu tivesse dois anos de idade?

"Love Death + Robots" é a única que traz a morte no título, mas ela nem sempre está presente nas tramas. Mal comparando, é uma variante de "Black Mirror" em desenho animado. Trata-se de uma antologia, exclusiva para adultos: os 18 episódios podem ser vistos em qualquer ordem, pois não têm relação entre si. Nenhum dura mais que 17 minutos (alguns, apenas seis). Cada um usa uma técnica diferente, e muitos são deslumbrantes. Outros deixam a gente sem saber se está vendo atores de carne e osso ou gerados pelo computador. Meu favorito até o momento é o terceiro curta, "A Testemunha", mas pode ser que eu mude de ideia: ainda não vi tudo.

3 comentários:

  1. Eu gostei demais da série Boneca Russa. Pelo que eu entre, mais para o final da temporada a teoria de universos paralelos e talvez viagem no tempo pode ser a base pra história. Várias partes me lembrmram de Donnie Darko também.

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  2. Eu gostei demais da série Boneca Russa. Pelo que eu entendi, mais para o final da temporada a teoria de universos paralelos e talvez viagem no tempo pode ser a base pra história. Várias partes me lembraram de Donnie Darko também.

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  3. O Mio Babbino Caro
    O que é a morte senão a coroação da vida!
    Atoto

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