domingo, 10 de março de 2019

CENTRAL DO EGITO


Quem quer ver filme de leproso? Eu quero! Quer dizer, eu quis ver "Yomeddine", o candidato do Egito ao último Oscar, que também foi exibido no festival de Cannes do ano passado. Mas não voi negar que também tenho um pouco de curiosidade mórbida... As vítimas da hanseníase parecem vindas diretamente da Antiguidade remota. São a lembrança da praga mais temida pela humanidade, tanto que o próprio nome original da doença - lepra - hoje é politicamente incorreto. Mas hoje ela está quase extinta, porque é facilmente curável. Resiste em bolsões de pobreza, como na periferia do Egito que aparece em Yomeddine. Quase nenhum ponto turístico aparece na tela: só um país feio povoado de gente quase sempre má. O filme de estreia de A. B. Shawky conta a história de um homem curado, mas coberto de cicatrizes, que deixa a colônia onde mora depois da morte da mulher e parte na companhia de um órfão rumo à sua cidade natal. Tudo acontece no caminho, e alguns momentos são bem difíceis de aguentar. Mas o tom é otimista, e a trama guarda um parentesco distante com o nosso "Central do Brasil". "Yomeddine" mostra que a humanidade não presta em nenhuma cultura, mas que também vale a pena manter a fé nela. Nem que seja na própria humanidade.

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