sexta-feira, 29 de março de 2019

BODAS DE SILICONE

No final de 2017, um longo artigo no BuzzFeed contou a vida de Ricardo Correa e mudou a vida de Chico Felitti. O repórter revelou, pela primeira vez, a história do "Fofão da Augusta", e continuou sua investigação mesmo depois da matéria publicada. Ricardo morreu logo depois, mas um novo personagem apareceu: Vânia, uma transexual brasileira que mora em Paris e namorou Fofão quando ainda era Vagner. Chico foi visitá-la na França e viajou inúmeras vezes a Araraquara, terra natal do casal, para entrevistar parentes e amigos. O resultado é o livro "Ricardo e Vânia", que já teve os direitos vendidos para o cinema. É um mergulho em duas vidas fora do mainstream (uma delas descambou completamente), e também um retrato do que era ser gay no Brasil nas décadas de 70 e 80, quando ninguém falava em direito igualitário. Uma época em que o silicone era visto como um passaporte para uma identidade feminina - os dois aplicaram tanto em si mesmos que acabaram ficando deformados (Vânia retirou muito do que havia injetado no rosto). Não é uma história especialmente agradável, mas o texto de Chico Felitti empresta leveza mesmo quando a barra pesa para valer. Assim como a reportagem que lhe deu origem, que foi um dos melhores textos de 2017, "Ricardo e Vânia" já é um dos grandes livros do ano. Leia antes de virar filme.

4 comentários:

  1. Ah, Tony! Acho que vou passar negão...
    Li a reportagem porque vc resenhou aqui no blog na época (gente, como o tempo passa rápido!) e achei incrível e barra pesada ao mesmo tempo, imagina o livro?

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  2. Fofão foi um lenda da cidade de São Paulo. Não tinha quem não o conhecesse na zona central da cidade.

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  3. obra prima!....quem viu fofao uma única vez...tem que ler....

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  4. A região da Augusta simplesmente não é mais a mesma coisa... quem nunca foi importunado com aqueles flyers dele, recusou educadamente e teve que enfrentar aquele monumento de silicone todo trabalhado na fúria? Fofão forever!!!!!

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