sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

TREMENDÃO RHAPSODY


A cinebiografia de Erasmo Carlos padece do mesmo problema que sua autobiografia, publicada há quase dez anos: falta drama. O livro ainda cobria a vida toda do Tremendão, mas o filme opta por um recorte e se concentra nos tempos da Jovem Guarda. Justamente a época mais feliz, com mais sucessos, mulheres e carrões de uma carreira que nunca teve baixos muito pronunciados. Dito isto, "Minha Fama de Mau" é divertido, com uma esmerada direção de arte e um Chay Suede esbanjando carisma. Mas, ao contrário do que consegue Rami Malek em "Bohemian Rhapsody", em nenhum momento o espectador acha que está vendo o original. Não houve uma preocupação em transformar o esguio Chay no bochechudo Erasmo, o que me incomodou um pouco. Também achei meio "roteirice" o fato das namoradas que cruzam o caminho do astro serem todas feitas pela mesma atriz, Bianca Comparato, e terem nomes parecidos - Lara, Samara, Clara - até desembocar na Nara, a maior paixão, com quem ele viria a se casar e ter três filhos. Mas a história não chega até a separação do casal, nem ao suicídio de Nara, em 1995. Termina quase 30 anos antes, com uma briga algo forçada com Roberto Carlos, seguida pela reconciliação através da música "Amigo" (composta, na verdade, quase dez anos depois). Parece que está mesmo na moda inventar conflitos e alterar a ordem cronológica, como no filme do Queen. Só faltou "Minha Fama de Mau" terminar com Erasmo chamando Roberto e Wanderléa para anunciar que está com AIDS e depois fazerem juntos o último programa da Jovem Guarda.

6 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    Quase nada a acrescentar à sua resenha...uma confusão na ficção com algumas idas e vindas e nenhuma physique du role.
    Mas um cuidado legal de lembrarem até The Beverlys nos back vocals das suas primeiras gravaçőes.

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  2. Se não traz o episódio da Roberta Close eu nem quero assistir.

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  3. Então não vá mesmo!

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  4. Cinema brasileiro é um porre. Recebo pedradas na fuça toda vez que falo isso. Mas assisto quase todos os lançamentos, seja no cinema ou on-demand. Fica sempre aquele gosto de estar tomando Dolly, não nem mesmo Pepsi, nem lembra uma Coca-Cola. É claro que há pontos fora da curva, como o Pagador de Promessas, Tropa de Elite, Cidade de Deus, Carlota Joaquina, Quatrilho, Cabra-cega e por ai vai... Mas nossa produção tem qualidade claudicante, quando não é roteiro, é produção, é direção... É frustrante.

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  5. Sério, quem vai até ao cinema assistir a um filme sobre o Erasmo Carlos? O cara é o maior parceiro do Roberto, fato. Mas nunca teve grande apelo popular sozinho desde essa Jovem Guarda , que também já deu no saco. Nem para passar numa quarta-feira na Globo vai dar audiência.

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    1. 15:30 Para seu desgosto a sessão em que assisti estava lotada.

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