sábado, 23 de fevereiro de 2019

O CHICO E O OSCAR


Documentários de curta-metragem são uma relíquia do tempo em que não existia a televisão. Eles eram exibidos nos cinemas, junto com desenhos animados, curtas de ficção, episódios de seriados e um ou dois longas, em programas que podiam durar mais de quatro horas. A Academia de Hollywood reconhece há décadas a importância do gênero para a formação de novos cineastas, e dedica um Oscar para a categoria. Mas, até pouco tempo atrás, os "short docs" passavam batido até para quem mora nos Estados Unidos. Isto vem mudando: com a fragmentação dos canais de comunicação, agora eles podem ser vistos na TV paga ou no streaming. É o caso do favorito deste ano, que está disponível na Netflix. "Absorvendo o Tabu" foi financiado por uma ONG que quer facilitar o acesso das mulheres do mundo inteiro aos absorventes femininos, e decidiu produzir o filme justamente em um país onde a menstruação é um assunto proibido: a Índia. Quem já visitou um templo hindu certamente se espantou com o aviso na porta que proíbe a entrada de mulheres "impuras". A desinformação é generalizada entre os indianos, e muita gente - mulheres, inclusive - acha que o "chico" é uma espécie de doença a ser combatida. Para piorar, as marcas ocidentais de tampões e similares são muito caras para a maioria da população. A solução são essas máquinas semi-caseiras, muito usadas no Brasil para fabricar fraldas descartáveis. Em apenas 25 minutos - menos do que o tempo de arte de um "Globo Repórter" - o filme conta uma história de superação e empoderamento que vai na direção oposta à maré obscurantista que nos aflige. Apesar do tom chapa-branca, vale a pena ver "Absorvendo o Tabu". Até para quem nunca menstruou.

5 comentários:

  1. E o post com os teus palpites pro Oscar desse ano??

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  2. Menino! Estão atacando meu computador!

    Deixando eu ver umas páginas sim e outras não!

    E outras incompletas!

    SOCORRO!!!

    É a vivo!

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