domingo, 17 de fevereiro de 2019

LONDRES EXIBIDA

Essa cidade é inesgotável. Não importa quantas vezes se venha para cá: sempre tem algo novo para se ver e fazer. E mesmo o que é antigo é muito. Ainda não dei conta de tudo, e nem quero dar. Mas tiquei mais algumas casinhas nessa minha oitava viagem. Comecei pela Tate Modern, o gigantesco prédio à margem do Tâmisa que abriga a coleção do século 20 em diante da Tate Gallery. O ingresso para a retrospectiva de Pierre Bonnard, o mais tardio dos impressionistas (ele só morreu em 1947) custa 20 libras, mas a visita ao acervo permanente é gratuita. Tem obras essenciais de Picasso, Liechtenstein, Brancusi e também de alguns brasileiros, como Tunga ou Cildo Meirelles. Só que uma das maiores atrações da atualidade são os prédios residenciais de luxo que subiram bem ao lado do museu, quase que só com paredes de vidro. Os moradores chegaram a abrir um processo para obrigar a Tate a proibir os visitantes do terraço no último do andar de devassarem suas privacidades. Mas o juiz deu risada: quem mandou morar em apartamentos transparentes? Que comprem cortinas.

De lá cruzei o rio e fui à Somerset House, uma enorme instituição particular onde está em cartaz uma mostra sobre Charlie Brown e seu autor, Charles M. Schulz. Eu li muito Minduim (a simpática tradução brasileira de “Peanuts”) na minha adolescência – estava muito na moda nos anos 70. Revendo os personagens depois de tanto tempo, achei todos um pouco encucados demais, e o humor é muito amargo (quando há humor). Mas não dá para negar a importância cultural desses quadrinhos. Eles capturaram o espírito de seu tempo, e influenciaram tudo o que veio depois.

Isto foi ontem. Hoje tive a manhã livre antes de zarpar de trem para Liverpool. Como meu hotel fica em um canto dos Kensington Gardens (e o meu quarto dava para o palácio onde Diana morou no fim da vida) e o dia estava glorioso, lá fui eu passear pelo parque às nove da manhã. O tempo exato de chegar ao museu Victoria & Albert bem na hora em que estava abrindo, uma hora depois. Passei duas horas lá dentro e me maravilhei. O V&A nunca esteve no topo da minha lista, porque as artes decorativas tampouco estão. Mas a real é que aquilo lá é um palácio que transpira história da arte. A seção oriental é de cair o queixo, e a europeia começa no final do Império Romano. Só tive tempo de visita o térreo e o subsolo, mas vou tentar voltar lá na quarta-feira, quando passo a tarde em Londres. Talvez dê até para pegar a exposição do Dior, que estava com ingressos esgotados neste domingo(a 25 libras cada!) Enfim, a Victoria eu já vi. Agora falta o Albert.

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