quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

TINTIN NO PAÍS DOS NONAGENÁRIOS

O herói do meu roman de formation completa exatos 90 anos no dia de hoje. Foi em 10 de Janeiro de 1929, uma terça, que Tintin surgiu nas páginas do "Le Petit Vingtième", suplemento infantil do jornal católico belga "Le XXème Siècle", num traço tosco e ainda em preto-e-branco. Em seus primeiros anos, o intrépido repórter era um agente do imperialismo: suas viagens inaugurais foram à União Soviética, para revelar a farsa do comunismo, e ao então Congo Belga, para cantar loas ao colonialismo branco. Foi só na quarta aventura, "Os Charutos do Faraó" (uma das minhas favoritas), que Tintim começou a se parecer com o que é até hoje: o personagem das tenazes de ouro, com coragem, inteligência e nenhuma personalidade. Ou seja, perfeito para o leitor se projetar nele. Eu o conheci quando tinha seis anos de idade e nunca mais larguei. Sei todos os livros de cor, e ele está comigo quando refaço seus passos pelo mundo - como na estação ferroviária de Genebra ou no aeroporto de Jakarta. Visitei o Museu Hergé em Louvain-la-Neuve e tenho uma extensa biblioteca sobre Tintin, que não para de crescer. Só assim dá para continuar evoluindo: Hergé proibiu expressamente que surgissem novos livros após sua morte, em 1983. Curiosamente, este foi o jeito de manter Tintin jovem para sempre. Acaba de sair um app que permite ler todos os álbuns no celular, mas eu sou tintinólogo de raiz. Ainda prefiro em papel e, de preferência, em francês. Mille millions de mille milliards de mille sabords!

5 comentários:

  1. Não sei francês! 😕

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  2. Todo esse longo texto só para se exibir dizendo que é fluente em francês. Hahahaha. Brincadeira.

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  3. E a história de que o criador do Tintin era nazista? Será que é verdade?

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