quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

PIOR DO QUE TRUMP


Donald Trump é uma figura tão bizarra, tão despreparado para o cargo que ocupa, que muita gente diz ter saudade do governo de George W. Bush. De fato, o antepenúltimo presidente americano era só burro. Ele não ia ao Twitter falar barbaridades, não era processado por estrelas pornô e nem acusado de ser um fantoche dos russos. Mas a pirotecnia de Trump ofusca a verdade de que Bush causou centenas de milhares de mortes e um estrago geopolítico do qual o mundo ainda não se recuperou. Na verdade, nem foi o próprio Bush, mas sua eminência parda, o vice-presidente Dick Cheney. Esse sim era inteligente, e totalmente sem escrúpulos. Uma figura meio opaca, sem carisma, e que no entanto rendeu um filme sensacional. "Vice" é a comédia política que o Brasil nunca conseguiu fazer. É o melhor trabalho do diretor e roteirista Adam McKay, que está pintando como o próximo Scorsese. Mesmo contando uma história conhecida, "Vice" traz uma surpresa atrás da outra: um final falso antes da primeira hora de projeção, o casal Cheney declamando "Macbeth" na hora de dormir e uma antológica cena em um restaurante, com o maître explicando os especiais do dia. Atores famosos como Naomi Watts e Alfred Molina fazem pontas não-creditadas, mas quem brilha mesmo, é claro, é o elenco principal. Christian Bale, Amy Adams e Sam Rockwell mais do que mereceram suas indicações ao Oscar. Bale, inclusive, seria o favorito, não fosse pelo amor a Freddie Mercury Rami Malek. Edição arrojada e um trabalho espantoso de cabelo e maquiagem fazem de "Vice" uma moderna obra-prima, mas sinto que o filme vai passar meio batido no Brasil. É preciso ter um mínimo de noção da política americana, ainda mais porque o roteiro não segue a ordem cronológica. Mas quem acompanhou o noticiário nos últimos 15 anos vai se deliciar de ver Condoleeza Rice e Colin Powell tão bem retratados. E quem se esqueceu do absurdo que foi a invasão do Iraque, que gerou o Estado Islâmico, vai sair indignado do cinema. Eu saí.

6 comentários:

  1. NENHUM presidente se compara ao nível "evil" que nem o George W. Bush Jr. NEM a do seu pai.

    A família inteira é de uma criminalidade gigantesca. Foram os responsáveis, junto com outros poderosos, pela meu gangstalking NO CANADÁ!!

    Setembro 11 foi uma demolição premeditada de TRÊS prédios. As "três colunas" encontrada no altar de QUALQUER "templo" maçônico. TODOS tinha o "11" como simbólico: as Torres Gêmeas tinha 110 andares cada. E as DUAS JUNTAS formavam um 11.

    A WTC7 - que pouca gente sabe até mesmo que caiu - tinha 47 andares. 4+7 = 11.

    Trump é um EXCELENTE presidente em comparação.

    Inclusive com números muito bons!

    E não Sónabolsa NÃO PODE ser comparado ao Trump. O Trump não é tão CHULO.

    E nem político de carreira.

    A melhor comparação ao Trump seria o Dória: ator de "reality show" e empresário de "sucesso" por ANOS antes de entrar para a política.

    E tem ainda o "fenônimo QAnon" - que se for verdade, colocará Trump como o MELHOR presidente que os EUA tiveram em sua HISTÓRIA.

    Só não acho que seja verdade...
    https://youtu.be/W3bgutpLS0o

    https://youtu.be/NGuyUyRBsA4

    https://youtu.be/QMnRjIcoBXA

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  2. Nosso vice aqui também tem potencial para ser um Cheney. Ou um Temer. Ou um Figueiredo. Ou uma mistura de Cheney com Temer com Figueiredo.

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  3. Assisti há dois dias, achei espetacular.

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  4. O argumento que o roteiro do Adam constrói é bastante convincente. Hoje, mais do que sabemos que o Bush é um incompleto incompetente, então, é plausível que o Dick tenha sido o manda chuva dos 8 anos de governo Bush. Quando o Dick aceita ser presidente, e diz que cuidará da parte burocrática e o Bush concorda, é um acerto e tanto do Dick, afinal, quando que um pateta feito o Bush aceitaria cuidar de papelada burocrática, ali, o Dick se tornou o presidente de fato quando o Bush "venceu" na Flórida em 2000. O filme mostra um Bush que nos bastidores é bastante descontraído até, bem diferente do Bush frio que se via perante às câmeras. O Dick consegue mandar em tudo, e mesmo quando toma as decisões na frente do Bush, para não irritar o presidente bobo, faz com que o Bush se sinta poderoso e importante, e daí, o mandatário toma a decisão pensada e exigida pelo vice, como se fosse sua. Há algum traço de dignidade quando o Dick decide não disputar as primárias por causa de sua filha lésbica. Aliás, como todo conservador que só é conservador para as massas no intuito de angariar votos, o Dick é de uma aceitabilidade extrema com a orientação sexual de Mary. Como Dick abriu mão de disputar as primárias republicana, quando ele concede permissão para Liz se opor contra o casamento gay publicamente quando ela correu por um breve tempo nas primárias para o Senado do GOP em 2014, há ali um sentimento de que Dick vê que a filha não podia abrir mão de galgar maiores voos políticos por conta da irmã lésbica. Faltou mostrar os conflitos familiares dos Cheney em torno da campanha presidencial de Bush de 2004, que ganhou do Kerry em muito, por conta da campanha efusiva contra o casamento gay. O filme peca e muito ao não retratar o segundo mandato de Bush, uma crise total, com perda inclusive da maioria republicana na Casa dos Representantes em 2006. A passagem do inicio do primeiro mandato de Bush para a posse de Obama, é tão rápida, e não retrata a crise bushniana de 2005 em adiante, traz uma substancial perda de arco dramático. Certamente o tempo para retratar a crise ficou apertado, porque senão o filme seria muito longo, de todo modo, o filme ganharia muito retratando os momentos da ruína de Bush em seu segundo mandato. Eu cá com meus botões, só fiquei imaginando, em como o Adam conseguiu tanta munição convincente para fazer esse roteiro.

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