segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

NÃO NOS PERDEREMOS MAIS

Fiquei mais de 30 anos sem ir a um show da Leila Pinheiro. Até ontem, eu só a tinha visto uma vez, no Teatro Ipanema, no Rio, por volta de 1986. Leila ainda era uma novata que surfava no sucesso de "Verde", com que emplacara um terceiro lugar em um festival da Globo no ano anterior. Depois disso, não é que a perdi de vista, mas nos extraviamos. Só fui redescobri-la justamente no espetáculo "Extravios", que esteve em cartaz neste fim de semana em São Paulo, no SESC Vila Mariana. Sob a direção de Ana Beatriz Nogueira, Leila consegue uma proeza e tanto: faz uma apresentação intimista, em que parece estar cantando para um grupo de amigos na varanda de sua casa. Só que por trás da espontaneidade há rigor, há todo um conceito. O repertório à prova de bala ergue uma ponte a Portugal - o número de abertura é justamente minha amada "Amar pelos Dois", com que Salvador Sobral venceu o Eurovision de 2017 - ao mesmo tempo em que torna delicadas canções frenéticas como "Chuva, Suor e Cerveja". Com intervenções esporádicas do cavaquinho de João Felipe, Leila se acompanha ao teclado ou ao violão, com a voz tão potente e afinada como era três décadas atrás. "Extravios" não é um show para levantar poeira, e sim um reencontro com músicas excepcionais e uma intérprete idem.

5 comentários:

  1. Verdade, assisti sábado. 70 minutos, ou nem tanto, prá celebrar a Vida. E o bis com Pavão Misterioso é uma delícia .

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  2. Cantora ímpar. Afinadíssima e disciplinada como poucos . Acompanho Leila pinheiro desde Verde e também tive a oportunidade de assistir ao show Extravios, resultado de uma voz madura , impecável e lógico , um talento nato.

    Ellen Hirsch

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  3. Acompanho a Leila desde "Verde", ganhou minha admiração, desde entao acomoanho todos seus trabalhos e Extravios foi mei primeiroshow. Simplesmente surpreendente! Repertório maravilhoso e sua voz continua como há 30 anos atrás. Maravilhoso.

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