domingo, 27 de janeiro de 2019

DRIVING DR. SHIRLEY


É decepcionante que, com tantos concorrentes interessantes no páreo, o atual favorito ao Oscar seja "Green Book - O Guia". Não que o filme de Peter Farrelly seja ruim: pelo contrário, é bem feito e escorreito. Suas mais de duas horas passam sem uma única barriga. A produção enche os olhos e a música de "Doctor" Don Shirley - um pianista de jazz que existiu de verdade, mas que o burraldo aqui não conhecia - é de fato formidável. Mas "Green Book" também é quadrado, quase cúbico em sua ânsia de agradar às plateias convencionais. Quem for branco, hétero e cisgênero vai sair se sentindo ótimo do cinema: "puxa, como eu sou bacana, eu não tenho nojo de apertar a mão de um negro, nem chamo a polícia se souber que ele gosta de homem". Porque os personagens invertem o par de "Conduzindo Miss Daisy", vencedor do Oscar há quase 30 anos. O protagonista é um leão-de-chácara carcamano, habituado a resolver tudo na porrada mas com - surpresaaaa - um coração de manteiga. Ele é contratado por Shirley para servir de motorista e segurança durante uma perigosa turnê pelos sul dos Estados Unidos, no ainda racista ano de 1962. (chocante pensar que eu já tinha nascido e a discriminação racial ainda era legalizada por lá). O roteiro, apesar de azeitadinho, é absolutamente previsível, com todos os sustos e piadas nas horas certas.  O pior é que há filmes muito mais fortes sobre a experiência de ser negro na safra atual, como "Pantera Negra" ou "Infiltrado na Klan", e mesmo uma obra-prima que avança os limites do cinema como "Roma". Talvez "Green Book" funcione como um curativo nesses tempos tão difíceis, mas também pode ser um sinal de estagnação. Seu favoritismo ao Oscar  pode ser um sinal de que, nessas três décadas, não fomos muito mais longe do que Miss Daisy.

12 comentários:

  1. Racismo nos EUA é coisa séria

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  2. Cumpadi, Israel envia soldados pra Brumadinho. Confirma ou não confirma que os cara tão por trás do Bozo? Vergonha...esse governo vai durar 5 min.

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    1. PIOR se foi tudo armado pelos maçons, já que o dia soma "11" (se fizer uma acrobacia numerológica - de fato, um diferente método de numerologia), e Israel tem uma "Suprema" Corte TODA em SIMBOLOGIA MAÇÔNICA:

      https://youtu.be/_7ui0lw4C0Q

      Oooops! Link "errado"...

      Essa é a história da Corte criada em ***92***:

      https://youtu.be/_PwlNf3HwCo

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    2. A Dilmãe expulsou o embaixador de Israel lembra? E queria baixar juros? Oops...

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  3. Até onde chega a barbárie? A distopia?

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  4. Tanto Mahershala quanto Viggo são protagonistas. Mas a produtora, para fazer com que o filme tivesse mais indicações, dividiu os papéis de ambos em protagonista e coadjuvante. O filme gira em torno da figura do pianista, mas foi Viggo, branco, que ficou a classificação de protagonista. Mahershala deve levar seu segundo Oscar, aliás, interessante notar como atores negros tem mais Oscars como coadjuvantes do que protagonistas. E isso diz muito sobre os papéis feitos para negros serem escalados nos elencos. Se for falar em mulheres então, o número salta os olhos, enquanto Halle Berry é a única negra na história com um Oscar de protagonista, há um maior número de atrizes premiadas em papéis coadjuvantes. Se com Green Book, constata-se que a visão do negro na sociedade racista pouco mudou desde Miss Daisy, o mesmo se pode dizer da escalão de papéis ofertados no cinema para atores negros, principalmente para atrizes negras, que sofrem mais restrições em papéis do que homens negros.

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  5. Anônimo 16:43 corretíssimo. Tony a história de Jhonny Deep ser inocente faz sentido?

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  6. Parece q a Michelly Bolsonaro tem um caso gay!!! BOMBA, Tony!!!!!

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  7. "Surely you can't be serious?"
    "I am serious...And don't call me Shirley."

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  8. de todos os citados só ñ vi o dito green book. logo, ñ posso opinar. mas se me permite uma curiosidade: sei q o blog é seu e sendo seu vc faz o q quiser, mas pq vc aprova coments sobre israel, dilma e mulher do bozo num post sobre cultura? fico c a impressão q esse povo só quer um espaço p se atacar mutuamente.

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    1. Pois é, eu aprovei sem perceber que eram para este post sobre "Green Book". Achei que eram para o post sobre Brumadinho (e aposto que o primeiro comentarista também achou).

      Prometo que vou melhorar.

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  9. A história é interessante, merecia ser contada.
    Rendeu um filme até bom, não exatamente original.
    Tomara que não leve o prêmio mais esperado do Oscar 2019.
    Nota: 8,0.

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