domingo, 2 de dezembro de 2018

SOUTH AMERICAN WEIWEI

Saímos da Bienal e fomos para a Oca, logo ali adiante. A mostra "Raiz Weiwei" fica até o dia 20 de janeiro, mas já que estávamos ali... Trata-se nada menos da maior exposição individual daquele que é, talvez, o mais importante artista plástico em atividade. A variedade e a inventividade das obras é de tirar o fôlego: incrível pensar que saiu tudo da cabeça do mesmo cara. Muitas, inclusive, inspiradas pelo e executadas no Brasil. Como a que aparece na foto acima, que tem o singelo nome de FODA - Fruta-do-conde, Ostra, Dendê e Abacaxi. Todo o subsolo da Oca também está tomado por obras "brasileiras" de Ai Weiwei, como a impressionante coleção de peles bovinas marcadas a ferro com letras do alfabeto armorial de Ariano Suassuna, formando citações em português que vão de Pero Vaz de Caminha a Marcelo Yuka, ou os ex-votos confeccionados sob encomenda em Juazeiro do Norte. Ai Weiwei consegue a façanha de ser extremamente chinês e totalmente cosmopolita ao mesmo tempo. O efeito estético é belíssimo e a mensagem contundente, como nos vasos de porcelana que reproduzem, no estilo tradicional, as agruras dos modernos imigrantes. Se fosse em alguma capital do Primeiro Mundo, haveria longas filas e ingressos esgotados. Como estamos em São Paulo, deu para entrar na hora - e olha que o ingresso mais caro custa 20 reais. "Raiz Weiwei" é uma ótima desculpa para visitar a cidade.

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