quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

OS FILMES DE 2018

E aqui começa a minha tão aguardada retrospectiva do ano que ora finda. 2018 foi um ano bastante bom no cinema, e eu listei 25 títulos que poderiam fazer da minha lista dos dez melhores. Foi duro chegar a um veredito - e, quando cheguei, me dei conta de que vi oito dos dez eleitos em um intervalo de apenas três semanas, entre 12 de outubro e 2 de novembro. Uma mistura explosiva de Mostra de SP com filmes do Oscar, que estão chegando mais cedo ao Brasil. Os que quase chegaram lá estão listados no final do post. Sinta-se convidado a discordar.

El Ángel
O representante da Argentina na disputa pelo próximo Oscar de filme em língua estrangeira é baseado na história verídica de um garoto de família que se tornou bandido pelo simples prazer de matar. A reconstituição da década de 70 e o clima homoerótico são pontos bônus desse thriller impecável, que eu vi na Mostra de SP e que estreia no circuito brasileiro em 2019.


O Beijo no Asfalto
Em um ano fraquinho para o cinema nacional, a estreia do ator Murilo Benício na direção de longa se destacou pelo rigor e pela inventividade. Tem preciosa fotografia em preto-e-branco de Walter Carvalho e um elenco afiadíssimo a serviço de um dos melhores textos de Nélson Rodrigues, que, infelizmente, se tornou atual outra vez. E ainda é um hino de amor... ao teatro.

Bohemian Rhapsody
Como o primeiro “Mamma Mia!”, este aqui é um mau filme, mas um ótimo programa. Minhas redes sociais se encheram de testemunhos emocionados de gente que foi às lágrimas com essa cinebiografia deturpada de Freddie Mercury – alguns nem tinham vivido a época do Queen. A crítica odiou e eu me incomodei com as músicas fora de ordem, mas, e daí? Rami Malek arrasa!

Cafarnaum
Filme sobre criança abandonada sofrendo o diabo no meio da rua sempre corre o risco de resvalar para o sentimentalismo, mas a diretora libanesa Nadine Labaki mantém o pulso firme e consegue emocionar a plateia sem apelar. Prêmio do Júri em Cannes, o filme já é um dos nove pré-selecionados pelo Oscar. O grande favorito do público na Mostra deve estrear logo.

A Favorita
O cineasta grego Yorgos Lanthimos deixa de lado os dramas contemporâneos com um pé no surrealismo para enfrentar um filme de época de visual requintado e roteiro sarcástico: duas cortesãs inglesas disputam a atenção da rainha Anne, no começo do século 18, em troca de favores sexuais. Olivia Colman, divina como o pivô desse triângulo, pode tirar o Oscar de Glenn Close. Mais um da Mostra que entra em janeiro.

A Morte de Stálin
O roteirista britânico (apesar do nome italiano) Armando Ianucci estreia na direção de cinema com um filme que parece um episódio estendido de sua sitcom “Veep”, cheio de políticos imbecis que não sabem o que fazer para se segurar no poder. A diferença é que corre sangue e morre gente. Mais desmoralizante para o comunismo do que toda a obra do astrólogo auto-exilado.

Uma Mulher em Guerra
Outro título cotado para o Oscar de filme estrangeiro que bateu na trave. Mas esta ótima comédia islandesa sobre uma ativista ecológica enlouquecida, que derruba a flechadas uma linha de transmissão elétrica, já ganhou um outro tipo de prêmio: será refeita em inglês, com Jodie Foster no papel principal. Será que vão manter os músicos que tocam "ao vivo" a trilha sonora, uma ótima sacada do diretor Benedikt Erlingsson?

Nasce uma Estrela
Cinemão com “C” maiúsculo, e competente em tudo o que se propõe fazer. Boa versão contemporânea de um clássico que Hollywood refaz a cada geração. Lady Gaga talvez não esteja interpretando alguém muito diferente de si mesma, mas não dá para negar que ela está ótima. E Bradley Cooper impressiona na direção, mas vai levar mesmo é o Oscar de melhor ator. 

Podres de Ricos
Mal lançado no Brasil, o filme não repetiu por aqui o sucesso estrondoso nos Estados Unidos. A trama é a mais velha do mundo: moça pobre namora rapaz rico, e a mãe dele quer separá-los. Mas a graça é o sabor oriental, realçado pela fina flor dos atores de origem asiática que filmam no Ocidente. Quase tão divertido quando se hospedar em um hotel de luxo em Singapura.

Roma
Gostei quando eu vi pela primeira vez, mas não achei essa coisa toda. Aí aconteceu algo curioso: o drama de Alfonso Cuarón, épico e intimista ao mesmo tempo, foi crescendo na minha cabeça. Quando o revi no cinema, delirei com tamanho apuro técnico e estético. Agora já está rolando um backlash e tem gente achando monótono, mas para mim é mesmo o melhor filme do ano.


Os outros 15 filmes que poderiam muito bem estar na minha lista dos dez mais são os seguintes:

A Balada de Buster Scruggs - O melhor dos Irmãos Coen em anos, só na Netflix
O Destino de uma Nação - Gary Oldman sublime como Winston Churchill
Dogman - Vi na Mostra do Cinema Italiano. Grande Matteo Garrone!
Hereditário - Não sou chegado a filmes de terror, mas este me pegou
Os Incríveis 2 - A Pixar sabe fazer continuações melhor que ninguém
Eu, Tonya - Tonya Harding ganha a tragicomédia que merecia
A Ilha dos Cachorros - Animação precisa e criativa de Wes Anderson
Lady Bird – A Hora de Voar - Nasce uma grande diretora: Greta Gerwig
Marvin - Num ano cheio de filmes LGBT, esse foi o que mais me tocou
Museu - O outro grande filme mexicano de 2018
Novitiate - Vi no avião e me encantei com a história da freirinha
The Tale – O Conto - Telefilme da HBO sobre assédio sexual
Todos os Paulos do Mundo - Ótimo documentário sobre o grande Paulo José
Tully - Obrigatório para todas as mães de filhos pequenos
Você Poderia me Perdoar? - Melissa McCarthy fazendo drama

8 comentários:

  1. Lady bird???? Oscar do ano passado...

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  2. Marvin filminho meia voca!

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  3. Esqueceu "Assuntos de Família" e "Burning" . Sem contar "Cold War". Todos na lista de Oscar Estrangeiro e maravilhosos.
    No lugar vc coloca filmes medianos e filmes velhos: Tully, Lady Bird, O Destino de uma Nação...
    Listinha sem vergonha pra quem se propõe a ser crítico de cinema.

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    1. Eu não vi “Assunto de Família”. Achei “Guerra Fria” médio e não gostei de “Em Chamas”.

      Sem vergonha eu sou mesmo. Os filmes que você chama de “velhos” foram lançados no Brasil em 218 (e “Tully” lá fora também). E você é mais do que bem-vindo a discordar das minhas escolhas.

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  4. Tony, só Tully é da safra desse ano. Achei bom mas não digno de lista nenhuma. Os outros são do ano passado mesmo mas chegaram no Brasil no começo do ano.
    Em Chamas é unanimidade entre criticos no mundo. Foi eleito o melhor filme de Cannes 2018 pela Federação Internacional de Críticos de Cinema. Guerra Fria tb é mega elogiado. Assuntos de Família saiu com um Leão de Ouro de melhor filme em Cannes 2018.
    Acho que vc deveria lançar a sua lista em fevereiro/março qdo todos os filmes da temporada 2018 foram exibidos no Brasil.
    É apenas uma sugestão, mas parece q na sua lista ou sobra ou falta filme...falta um overview da temporada. Ta com cara de lista de crítico antigo q não entende q na internet já está tudo atualizadinho...
    Cd A Favorita?

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    1. "A Favorita" tá lá no meio, seu asninho. A lista é em ordem alfabética. Olha direito que talvez você ache.

      Eu ia ver "Assunto de Família" na Mostra, mas bobeei e as sessões lotaram. Quanto a "Em Chamas", eu admiti no próprio post a respeito do filme que jamais serei um crítico respeitáve, porque não gostei de um filme que a maioria da crítica incensou. Acontece.

      Minha lista tem 25 títulos e vocie acha que falta alguma coisa? Você não cntende muito o conceito de "melhores do ano", né? Pede para um adulto te explicar.

      Ah, e solte você a sua lista em fevereiro/março. A lista daqui do blog sai no final do ano, como em toda a imprensa. É uma seleção absolutamente pessoal, que se refere apenas aos filmes que eu vi durante o ano. Faça a sua também - e lembre-se, ninguém tem nada a ver com a sua opinião.

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  5. eu,tonyah carrero goes pop nao viu suspiria(h) its like darkness is the light

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  6. Eu gostei muito de "A Ilha dos Cachorros".

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