domingo, 18 de novembro de 2018

NÃO, NÃO SEI SE É UM TRUQUE BANAL


Queria muito ter gostado de "O Grande Circo Místico". Pelo trailer, parecia um filme de encher os olhos: produção suntuosa, atores lindos, efeitos especiais. Pelo pedigree, dava para adivinhar o tamanho do desafio de Cacá Diegues: um poema de Jorge da Cunha Lima de 1938, que foi musicado por Edu Lobo e Chico Buarque em 1983. Nos últimos 35 anos, a obra foi montada como balé e como musical, mas, apesar da beleza das canções, nenhuma dessas encarnações jamais chegou a ser aclamada como uma obra-prima. Sinto dizer que o filme também não o será. Personagens e tramas do poema estão lá, costurados pela presença de uma nova figura: Celavi (Jesuíta Barbosa), o mestre-de-cerimônias que não envelhece nunca, meio inspirado no Emcee de "Cabaret". Mas alguma não coisa funciona. O diretor desperdiça uma cena de enorme impacto potencial, um parto em pleno picadeiro, com a plateia aplaudindo. O ritmo aumenta e diminui sem motivo algum, tornando algumas passagens rápidas demais e outras enfadonhas. Quase todo mundo tem um destino trágico, e a sequência final - as gêmeas trapezistas que flutam nuas no ar - perde o sentido de transcendência cristã que tinha no papel. Fico pensando se Cacá Diegues não deveria ter feito um filme lírico, surrealista, sem narrativa linear. Do jeito que está, parece uma minissérie da Globo super bem feita, mas muito cortada para caber na "Sessão da Tarde".

7 comentários:

  1. Diegues não é Fellini, e não dá para assistir a um filme sob a única alegação de que temos que dar força ao cinema nacional, é imprescindível qualidade! ☹️

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  2. Stop making Jesuíta Barbosa famous!

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  3. O Mio Babbino Caro
    Mas qual produção cinematográfica Nacional de um modo geral tem fugido desse padrão Global. Tão pouco as comédias o são.

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  4. Eu acho era a cara de Luiz Fernando Carvalho

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  5. Uma merda! Que decepção. A linda trilha sonora original foi solenemente dispensada e só aparecem três músicas sendo a obra-prima Beatriz interrompida por uma cena secundária. Em compensação, toca Blue Moon e a Ave Maria de Erothides de Campos inteirinha. O roteiro é digno do Cinema Novo, ou seja, uma câmera na mão e muitas ideias na cabeça. Jesuíta Barbosa se esforça, coitado, mas não emplaca. Tirando a Bruna Linzmeyer, linda e adequada, não resta nada.

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  6. oseje brazil meobrazil-brasileirowl permanece sem oscar

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  7. Ah. Tú me tiraste a empolgação de ver o filme. Agora foi para a lista dos "ver quando estiver realmente sem nada para fazer".

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